Lula vence outro round contra a Lava-Jato e a prensa tradicional

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Quanto mais a Lava-Jato e a prensa tradicional batem, mais Lula cresce. O petista lidera pesquisa pós-Pallocci.

E mais uma vez Lula lidera uma pesquisa para presidente da República. Agora a da CNT/MDA.

Muitos vão dizer que a eleição de 18 está longe e uma avaliação agora seria precipitada.

Errado. A pesquisa merece nota tendo em vista que foi feita logo após a delação de Antônio Pallocci.

Pallocci acusou Lula e Dilma de fazerem um “pacto de sangue” com a Odebrecht, facilitando contratos da empresa com o governo em troca de recursos para o PT e propina para Lula.

O ex-presidente esteve frente a frente com Sérgio Moro, novamente, mas o juiz e seus pares não apresentaram provas. Contra o petista pesou o desgaste político.

Analistas trataram o fato como o fim de Lula e do PT.

Daí a CNT/MDA mostra que sem Lula na disputa o eleitorado simplesmente despreza os demais candidatos.

Em todos os cenários em que o petista não é testado em segundo turno, metade dos entrevistados escolhe anular ou não votar em ninguém.

Na espontânea, Lula lidera com o dobro do segundo colocado, Jair Bolsonaro. 20 a 10.

Em simulações estimuladas o petista aparece sempre acima de 30 pontos, e o segundo, Jair Bolsonaro, abaixo de vinte. Os tucanos não somam mais que 10.

A única chance de João Dória ser o candidato do PSDB à presidência é o mesmo desgarrar-se de Geraldo Alckmin nas pesquisas até dezembro, quando haverá a convenção do partido. Difícil

A alternativa para o empresário consiste em deixar o PSDB e responder por tripla traição: a seu padrinho (Alckmin), ao partido e à prefeitura.

O apolítico, com discurso de nova política, estaria a reproduzir o que há de mais queimado e usual na política tradicional. Haveria como justificar? Dória está numa sinuca de bico.

A liderança de Lula é fruto do fracasso do golpe contra o governo do PT.

O golpe em sua dimensão política foi um fiasco. Os dois principais articuladores da derrubada de Dilma, Aécio Neves e Michel Temer, na espontânea, não chegam a 1%.

Aécio Neves dificilmente voltará a ser um nome viável à presidência da República, depois que foi atropelado pelos áudios e delações de Joesley Batista.

Michel Temer exibe uma reprovação perto de 90%, tornando-se, eleitoralmente, um cadáver.

As sucessivas baixas no governo por conta de denúncias mais acusações contra o presidente da República desmancharam o mito de que o PT era a causa da corrupção que, vejam só, o governo de transição combateria.

Não colou.

O aspecto econômico do golpe é o principal detalhe que catapulta Lula à liderança nas pesquisas.

As reformas neoliberais são interpretadas no imaginário social como ameaças a direitos trabalhistas, à aposentadoria e à qualidade dos serviços públicos.

As medidas de austeridade fiscal não promoveram a retomada do crescimento econômico e do emprego a ponto de despertarem nos brasileiros a esperança por dias melhores.

Sendo assim, predomina nas mentes e nos corações a lembrança positiva da era Lula, em que havia crescimento econômico, estabilidade, distribuição de renda e emprego.

Diante de um quadro de crise política sem fim e de falta de perspectivas, a nostalgia de milhões de brasileiros têm uma base real. Logo, é justificável.

Como é compreensiva a raiva que a maioria tem dos políticos e partidos tradicionais. Com discursos de fácil assimilação, Bolsonaro surfa nessa onda.

O deputado reproduz preconceitos arraigados e se apresenta como o único honesto do universo, além de vender ordem ante a desordem generalizada.

Resta saber se o carioca resistirá à inconsistência de seu discurso, à falta de estrutura de seu partido e a sua inorganicidade.

Jair Bolsonaro não tem a simpatia de setores relevantes da sociedade como a mídia, os movimentos sociais e os empresários. Levará pancadas de todos os lados.

O melhor cenário para ele é Lula fora da disputa e os demais fragilizados, do contrário, a tendência é o direitista murchar durante a eleição.

A Lava-Jato e a imprensa, nesse jogo casado de vazamentos indiscriminados, conseguiram ampliar a crise política e nivelar as lideranças e partidos por baixo.

Bolsonaro agradece. De certa forma, Lula idem.

Entretanto, o mais provável é o petista ser condenado na segunda instância, no TRF-4, e ficar fora do pleito eleitoral.

Se o judiciário condenar Lula sem provas consistentes, e o petista estiver com essa força nas pesquisas para presidente, os setores que ele representa jamais aceitarão um adversário eleito sem Lula na disputa.

O trauma causado pelo impeachment poderá se repetir em 2018, com o país novamente sob o comando de um governo com déficit de legitimidade e condenado a mais alguns anos de tensões e instabilidade.

Se a direita derrotar o petista nas urnas, aí os quinhentos serão outros. O problema é que os adversários do PT se borram de medo do ex-presidente. Os números da pesquisa CNT/MDA deixam isso claro.

Jornalista e formado em ciência política pela UNESP, André Henrique já atuou como docente, assessor parlamentar e consultor político, mas é no jornalismo que o sociólogo se realiza profissionalmente, especialmente na editoria de política.

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