‘A maioria do PSOL apostou em Boulos sem ouvir os filiados’, diz Nildo Ouriques

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Nildo havia preparado sua pré-candidatura pelo PSOL e critica a forma que o líder do MTST, Guilherme Boulos, foi selecionado como pré-candidato à Presidência pelo partido.

Por Rafael Bruza – atualização 06/03 para adicionar declaração de José Luís Fevereiro

O professor Nildo Ouriques, em evento no Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Florianópolis (Sintrasem) que lançou seu nome como pré-candidato do PSOL à Presidência da República / Foto – Reprodução (Facebook)

O professor do Departamento de Economia e Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Nildo Ouriques, declarou nesta segunda-feira que o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) não realizou eleições prévias para selecionar o coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, como pré-candidato à Presidência da República.

“Eu apostei, de maneira solitária nas prévias. No dia em que Chico Alencar – então nome de consenso no Partido – optou pela candidatura ao senado no Rio, reivindiquei prévias”, declarou Nildo em entrevista ao Independente. “No congresso nacional (do partido) fui voto solitário na defesa de prévias. A maioria rejeitou ouvir os filiados. Naquele momento, o convite ao Boulos já era uma realidade. A maioria do PSOL apostou nele sem ouvir os filiados”, disse Nildo, que pretendia disputar a candidatura pelo partido.

O anúncio da candidatura de Guilherme Boulos foi feito no último sábado (03), na Conferência Cidadã. O ex-presidente Lula fez um vídeo de apoio à pré-candidatura de Boulos, que foi transmitido no encontro.

A ideia de lançar Guilherme Boulos à Presidência da República partiu de Marcelo Freixo, que se aproximou do coordenador do MTST em 2017.

À sua vez, Nildo Ouriques havia preparado sua pré-candidatura à Presidência da República pelo PSOL e esperava a realização de prévias na sigla, que nunca ocorreram.

“Ele, Boulos, pediu incríveis 3 meses para ouvir as bases do MTST e não defendeu ouvir as bases do PSOL. No dia 10 ele será indicado o candidato oficial do PSOL. Na tal Conferencia Cidadã, vi sem surpresa o vídeo de Lula. É caso inédito de uma eleição em que dois candidatos trocam elogios e declarações recíprocas de admiração e lealdade e pretendem disputar o mesmo posto! Não conheço outro caso na América Latina. Nenhum!”, declarou Nildo.

Por último, o professor argumenta que a aposta do PSOL por Boulos é uma “opção política equivocada”.

“A aposta do PSOL é de alto risco eleitoral e uma opção política equivocada diante da imensa crise do sistema político e da economia. Eu seguirei defendendo o Programa da Revolução Brasileira. Nada mudou”, conclui o psolista.

Resposta

O membro da Direção Nacional do PSOL, José Luís Fevereiro, declarou nesta terça-feira (06) que o partido não fez prévias porque a candidatura de Guilherme Boulos contava com apoio da maioria do partido.

“O PSOL não fez previas porque realizou um Congresso com 27 mil participantes que tinha a escolha do candidato como pauta. Por larga maioria, o Congresso aprovou definir o nome numa conferencia eleitoral agora em março, exatamente porque essa laga maioria queria o Boulos candidato. Os que hoje defendem previas, queriam definir o candidato no Congresso em dezembro para inviabilizar o Boulos. Hoje se vestem de defensores da democracia quando na verdade é um jogo de hipocrisia”, declarou Fevereiro.

Veja como foi o lançamento da pré-candidatura de Guilherme Boulos:

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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