Manifestantes trocam empurrões em evento com Dilma Rousseff na ALMG

0

Durante participação da ex-presidente num evento sobre mulheres, um grupo formado pelo Patriotas e pelo MBL  trocou empurrões e insultos com militantes petistas presentes no local.

Por Rafael Bruza * com informações da ALMG

A ex-presidente Dilma Rousseff, durante evento na ALMG / Foto – Reprodução (Sarah Torres)

A ex-presidente da República, Dilma Rousseff, participou nesta segunda-feira (11) de uma audiência na Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais (ALMG), em Belo Horizonte, para debater a participação da mulher na política. Do lado de fora do auditório, manifestantes contrários e favoráveis à petista trocaram ofensas e empurrões. Após a confusão, o grupo formado pelo movimento Patriotas e ao Movimento Brasil Livre (MBL) se retirou do local.

A confusão aconteceu no hall da ALMG, ao lado do auditório em que Dilma participava da audiência. Cerca de 15 manifestantes ligados ao grupo Patriotas e ao Movimento Brasil Livre (MBL) uma faixa pedindo a cassação do PT e vários bonecos do deputado e pré-candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSC-RJ).

O bate boca com militantes petistas começou pouco antes da ex-presidente chegar. Ainda segundo o jornal, uma mulher do grupo pró-Dilma arrancou a faixa dos Patriotas. Houve empurra-empurra e alguns manifestantes chegaram a cair no chão durante a confusão.

Os antipetistas estavam em minoria e gritavam frases como “Lula, ladrão. Seu lugar é na prisão”, “Dilma na cadeia” e “ei, Dilma, vai toma no c*” . Os manifestantes pró-Dilma responderam com gritos de “Fascistas, racistas. Não passarão” e “Dilma, guerreira da pátria brasileira”.

Dilma pretende ser candidata ao Senado Federal no Estado de Minas Gerais pelo Partido dos Trabalhadores (PT). A ex-presidente pode disputar novamente cargo com seu adversário na disputa presidencial de 2014, Aécio Neves MG.

O Movimento Brasil Livre (MBL) de Minas Gerais fez uma transmissão ao vivo durante o evento. Nas imagens, um manifestante exclama que o protesto foi feito para “ela (Dilma) saber que não vai ser candidata a nada aqui (em Minas Gerais)”.

A audiência

No auditório José Alencar Gomes da Silva, que estava lotado, Dilma falou sobre formas de aumentar a presença feminina na política. Em pauta, também entraram temas como as conquistas que melhoraram a vida das mulheres, que, segundo a ex-presidente, estão sendo atacadas pelo governo de Michel Temer.

“Se nós mulheres não formos respeitados, a sociedade não será”, disse a ex-presidente. “Não haverá democracia verdadeira no Brasil se não tratarmos das desigualdades do País. Das desigualdades de gênero, sim, mas também das sociais e de renda”.

Dilma destacou a importância das mulheres nas políticas de distribuição de renda do seu governo, argumentando que 94% das pessoas que recebiam Bolsa Família em sua gestão eram mulheres. Ela afirmou ainda que, das mais de 36 milhões de pessoas que saíram da pobreza extrema no País durante os governos do PT (2003-2016), 54% eram mulheres e 78% eram negros.

Apesar de afirmar que não foi deposta por misoginia (ódio, desprezo ou preconceito contra mulheres ou meninas), Dilma ressaltou a linguagem machista utilizada durante o processo de impeachment.

“Diziam que eu era obsessiva e compulsiva com o trabalho; se eu fosse homem, seria trabalhador. Diziam que eu era dura; se fosse homem, seria firme. Isso fora os componentes sexuais nos cartazes e adesivos”, disse.

Para a ex-presidenta, a misoginia foi utilizada para criar um ambiente propício ao que chamou de “golpe”. Ela disse, ainda, que as consequências da deposição de uma presidente são “nefastas” para todas as instituições democráticas e imprevisíveis até para quem a defendeu.

Apesar dos protestos do grupo contrário à ex-presidente, Dilma foi aplaudida pelo público presente. Várias mulheres acompanharam a sessão por meio de um telão instalado no hall da Assembleia, onde os protestos ocorreram.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

Facebook Twitter LinkedIn 

Comente no Facebook