Joesley Batista pagou assessoria de Temer na Internet durante o Impeachment

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Segundo o marqueteiro de Michel Temer, Elsinho Mouco, o dono da JBS o contratou para prestar assessoria digital favorável à Temer na época do Impeachment de Dilma Rousseff. O publicitário foi citado por Joesley Batista em sua delação premiada.

Por Rafael Bruza * com informações do Estadão

Opresidente da República, Michel Temer, e seu marqueteiro, Elsinho Mouco, durante gravações de propaganda política do PMDB / Foto – Reprodução (Facebook)

Em entrevista ao jornalista Pedro Vencenslau, do Estadão, publicada neste domingo (04), o publicitário Elsinho Mouco, que faz campanhas para o PMDB desde 2002, afirmou que recebeu R$ 300 mil do dono da JBS, Joesley Batista, para defender Michel Temer na Internet e fazer monitoramento de movimentos pró-impeachment, do PMDB e da Fundação Ulysses Guimarães nas redes sociais em 2016, após o processo de Impeachment que destituiu a ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Elsinho foi citado por Joesley em sua delação premiada em dois episódios diferentes.

“Em 2016, empresários, sindicatos patronais, movimentos sociais (MBL, Vem Pra Rua, Endireita Brasil, etc), muita gente queria o impeachment da Dilma. Uns contrataram carro de som, outros contrataram bandanas, pagaram por bandeiras, assessoria de imprensa. Teve gente que comprou camisa da seleção brasileira e foi pra rua. O Joesley estava nessa lista. Ele se ofereceu para custear o monitoramento digital nesta fase”, contou o marqueteiro ao Estadão.

Elsinho é marqueteiro do PMDB e de Michel Temer há 15 anos, quando o presidente foi eleito deputado federal. Atualmente, o publicitário é o principal conselheiro de comunicação de Temer e responsável por seus discursos.

Elsinho Mouco fez o discurso de 18 de maio em que Michel Temer declarou “não renunciarei”, após aparecer nas delações da JBS. Também foi responsável pelo slogan e logo Ordem e Progresso, usado atualmente pelo Governo Federal do Brasil, e pela foto oficial de Michel Temer, feita no final de 2016. Seu perfil de Facebook mostra as campanhas do PMDB que ele realizou.

O relato de Elsinho Mouco sobre as supostas propinas da JBS começa em uma quarta-feira de maio do ano passado, quando ele foi convidado por Joesley Batista para uma visita na casa do empresário, localizada no bairro Jardim Europa, na capital paulistana.

“Ele (Joesley) era um player, o maior produtor de proteína animal do mundo. Era objeto de desejo de todo mundo. Cheguei com duas horas de antecedência para não correr o risco de ficar parado no trânsito”, contou o marqueteiro.

“Para minha surpresa, ele chamou Dilma de ingrata, grossa e incompetente. E disse: ‘Temos que tirá-la’”, lembrou.

Dilma Rousseff foi afastada temporariamente da Presidência da República dia 12 de maio de 2016 pelo Senado Federal.

Segundo o Estadão, Elsinho ficou surpreendido com as palavras de Joesley contra Dilma Rousseff porque os governos petistas mantiveram boas relações com a JBS. A partir de junho de 2007, durante o segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, o Banco Nacional para Desenvolvimento (BNDES) concedeu empréstimos bilionários, com velocidade recorde, à empresa para compra de companhias do ramo frigorífico, inclusive no exterior. Hoje estes empréstimos são investigados pela Operação Lava Jato.

Durante a visita de Elsinho, Joesley perguntou quanto custaria o serviço, que a princípio seria pago pelo PMDB nacional. “R$ 300 mil”, respondeu o publicitário. “Eu pago isso. Vamos derrubar essa mulher”, disse Joesley, segundo o marqueteiro.

Segundo o marqueteiro, o dono da JBS chamou então um mordomo e deu a ordem: “Pega lá R$ 300 mil e entrega para o Elsinho”.

A matéria do Estadão indica que o dinheiro supostamente foi colocado em uma pasta e deixado no carro do publicitário, que desconversou sobre a emissão de nota num primeiro momento porque “não queria deixar digitais no impeachment”. O assunto foi deixado para depois.

Elsinho também afirma que contratou uma das “maiores empresas” de assessoria de imprensa para o serviço, com quem dividiu a verba e os serviços.

“Paguei quase R$ 200 mil para eles, R$ 60 mil de imposto e R$ 40 mil e pouco de lucro para mim”, disse. O resultado serviu para monitorar movimentos pró-impeachment, o PMDB e a Fundação Ulysses Guimarães.

Segundo a matéria, a nota fiscal do serviço foi feito contra a vontade de Joesley.  Após 5 meses, Elsinho e Joesley se encontraram novamente. O publicitário imaginou que “seria testado” como publicitário de umas das empresas da JBS. Mas a conversa novamente envolveupolítica.

“Ele disse que tinha um problema, que estava sem entrada no governo desde a queda de Geddel Vieira Lima e pediu marcar uma conversa. Ele queria um cúmplice”, disse o marqueteiro.

Em sua delação premiada, assinada com a Procuradoria-Geral da República, Joesley Batista conta que inicialmente negociava propinas em troca dos interesses da empresa com o ex-ministro Geddel Vieira Lima. Após saída de Geddel do ministério, Joesley Batista começou a tratar os acordos com Rodrigo Rocha Loures, ex-assessor de Michel Temer, que foi gravado pela Polícia Federal em abril carregando uma mala com R$ 500 mil.

Procurada pelo Estadão, a assessoria da JBS disse que “os atos cometidos pelos executivos foram informados à PGR e estão documentados nos autos da delação homologada pelo STF. A Companhia prossegue em seu firme propósito de colaborar com a Justiça brasileira”.

Print de uma conversa

O print da conversa entre Elsinho e Joesley Batista

Em sua delação premiada, Joesley Batista entregou centenas de prints (capturas) de mensagens de celular à Procuradoria-Geral da República (PGR). Uma delas mostra uma conversa entre Joesley Batista e Elsinho, feita após a operação Carne Fraca, da Polícia Federal, que investigou esquemas de fraudes entre frigoríficos e funcionários públicos e teve a JBS como uma das empresas envolvidas.

Com a imagem de sua empresa abalada pelo escândalo, Joesley Batista pergunta se Elsinho pode fazer “aquele serviço na Internet” que “fez para o Temer antes dele assumir”.

Joesley pergunta – Elsinho, lembra aquele serviço na internet que vc fez pro Temer antes dele assumir? Como funciona aquilo? Vc poderia fazer igual pra mim?

Elsinho responde – Lógico. Voltando vamos falar.

Joesley conclui – blza. t mando notícias.

O Governo Federal e a assessoria de Michel Temer não emitiram nota ou defesa sobre as declarações de Elsinho Mouco.

Outro serviço

A relação entre Elsinho Mouco e Joesley Batista começou em 2009, quando o publicitário foi indicado ao dono da JBS por um amigo em comum. Na época, Elsinho foi chamado para fazer a campanha do irmão de Joesley, José Batista Júnior, para governador de Goiás, dentro da disputa eleitoral de 2010.

O marqueteiro conta que gravou vídeos, fez logotipo, encomendou pesquisas e fez a campanha do “Junio Friboi”.

O total de gastos ficou em R$ 3 milhões, que aparecem na delação de Joesley Batista. Mas quando a disputa estava para começar, Joesley contratou outro marqueteiro renomado e dispensou Elsinho.

Logo depois o irmão de Joesley Batista desistiu de entrar na política naquele momento.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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