Médicos sem Fronteiras condenam ‘banho de sangue’ feito pelo exército israelense

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“Inaceitável e desumano”, disse a porta-voz da ONG sobre o uso de balas letais que mataram 60 pessoas e feriram 2,7 mil; um bebê de 8 meses faleceu no leste de Gaza.

Por Rafael Bruza

Médicos carregam ferido

A representante da ONG Médicos Sem Fronteiras, Marie-Elisabeth Ingres, declarou nesta segunda-feira (14) que é “insuportável” presenciar um número tão grande de pessoas sendo alvejadas ao mesmo tempo por autoridades de Israel. Cerca de 60 palestinos morreram e 2,7 mil ficaram feridos após os protestos em massa contra os 70 anos de criação do Estado israelense.

“O que aconteceu hoje é inaceitável e desumano. O número de mortos divulgado pelas autoridades, inclusive os feridos por munição real, é chocante. É insuportável testemunhar um número tão grande de pessoas desarmadas sendo alvejadas em tão curto tempo”, disse Marie-Elisabeth Ingres, porta-voz da organização.

A segunda-feira foi o dia mais sangrento das seis semanas de manifestações da chamada “Grande Marcha de Retorno”, que pede o acesso de palestinos a terras que eram suas antes de 1948, atualmente em território israelense. Os moradores de Gaza protestaram diante da cerca de segurança que separa o território de Israel. Soldados israelenses usaram balas letais, de borracha e drones espalhando gás lacrimogêneo, enquanto os palestinos lançavam pedras e as pipas com cargas explosivas.

“Este banho de sangue é a continuação da política do exército israelense durante as últimas sete semanas: atirando com munição real em manifestantes, na suposição de que qualquer um que se aproxime da cerca de separação seja um alvo legítimo. A maioria dos feridos será condenada a sofrer lesões ao longo da vida”, afirma Ingres, enquanto equipes da ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) tratam as pessoas feridas nos Territórios Palestinos Ocupados.

O Ministério da Saúde da Palestina informou que uma menina de 8 meses morreu depois de respirar um gás no leste de Gaza,.

De acordo com comunicado da ONU, foi o maior número de palestinos mortos em um só dia desde os conflitos de 2014.

“Nossas equipes médicas estão trabalhando sem parar, como fizeram desde 1º de abril, oferecendo cuidados cirúrgicos e pós-operatórios a homens, mulheres e crianças, e continuarão a fazê-lo hoje, amanhã e enquanto forem necessários”, afirma.” Em um dos hospitais onde estamos trabalhando, a situação caótica é comparável ao que observamos após os atentados à guerra de 2014, com um influxo colossal de pessoas feridas em poucas horas, sobrecarregando completamente a equipe médica. Nossas equipes realizaram mais de 30 intervenções cirúrgicas hoje, às vezes em dois ou três pacientes na mesma sala de operações e até mesmo nos corredores”.

A ONU e diversos países condenaram a violência usada por Israel na Faixa de Gaza. O secretário-geral das Nações Unidas manifestou estar “profundamente alarmado com a forte escalada da violência no Território Palestino Ocupado e com o elevado número de palestinos mortos e feridos nos protestos em Gaza”.

“O secretário-geral reitera que não há alternativa viável à solução dos dois Estados, com a Palestina e Israel vivendo lado a lado em paz, cada um com sua capital em Jerusalém ”, disse porta-voz adjunto da ONU, Farhan Haq.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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