Metalúrgicos da Ford entram em greve contra fechamento de fábrica no ABC

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Planta emprega 3.200 funcionários, que devem ser demitidos, segundo o sindicato.

Por Rafael Bruza, com informações da CUT, Sindicato dos Metalúrgicos e G1


A fábrica São Bernardo e a assembleia dos trabalhadores e trabalhadoras da Ford / Fotos (Divulgação)

Em assembleia realizada nesta terça-feira (19), os metalúrgicos e metalúrgicas da Ford decidiram entrar em greve imediatamente contra o fechamento da fábrica que produz caminhões em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. Uma nova assembleia para encaminhar os próximos passos da luta ocorrerá na próxima terça-feira 26.

A Ford anunciou que vai fechar a fábrica de São Bernardo do Campo (SP) neste ano e que vai parar de vender caminhões na América do Sul.

De acordo com a marca, a decisão de fechar a fábrica é “um importante marco no retorno à lucratividade sustentável de suas operações na América do Sul”.

Os trabalhadores, no entanto, se revoltaram com a decisão – tomada, segundo eles, na sede da Ford dos Estados Unidos e comunicada nesta terça (19) no Brasil.

Sindicatos afirmam que a decisão gera demissão de cerca de 3.200 funcionários diretos e cerca de mil terceirizados, além de “custar” impacto em outros 10 mil empregos na cadeia do setor.

Segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wagner Santana, a notícia foi recebida com indignação e revolta pelos trabalhadores.

“Se a Ford tem essa intenção, ela há de pagar pela decisão que está tomando. Não acha que vai desistir do Brasil e dos seus trabalhadores dessa forma e continuar vendendo tranquilamente no nosso mercado”, diz Wagner Santana.

“Nós lutamos, fizemos de tudo para que isso não ocorresse. E não dá para ter uma notícia dessa e achar que dá para continuar trabalhando. Precisamos ir todos para a casa e retornar na semana que vem. Até lá é greve”, disse José Quixabeira de Anchieta, coordenador-geral do Comitê Sindical na Ford.

Segundo acordo coletivo de 2017 haveria período de negociação para a retomada dos investimentos pela Ford São Bernardo. Mas, desde então, não houve nada efetivo por parte da direção.

“Em janeiro fizemos uma assembleia na portaria da fábrica, decretamos o estado de luta e pedimos que uma reunião acontecesse para que a Ford deixasse claro qual era a sua real intenção em relação à planta de São Bernardo do Campo”, diz Wagner Ribeiro. “E hoje nos deparamos com o anúncio de que ela encerrará as suas atividades ainda este ano. Anúncio este que não considera cada trabalhador e trabalhadora direto ou indireto, aqueles que serão atingidos diretamente por uma empresa que quer visar o lucro somente”.

Segundo comunicado divulgado pela fabricante, a medida foi tomada após vários meses de busca por alternativas, que incluíam parcerias e até a venda da operação.

“Sabemos que essa decisão terá um impacto significativo sobre os nossos funcionários de São Bernardo do Campo e, por isso, trabalharemos com todos os nossos parceiros nos próximos passos”, disse Lyle  Watters, presidente da Ford na América do Sul. “Atuando em conjunto com concessionários e fornecedores, a Ford manterá o apoio integral aos consumidores no que se refere a garantias, peças e assistência técnica”.

Consultada pelo G1, a Ford disse que ainda não mensurou a quantidade de funcionários afetados pelo encerramento das atividades da fábrica, mas que haverá um “número significativo”. Na unidade trabalham cerca de 3 mil pessoas de diversos outros setores.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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