Michel Temer usa entrevista com Reinaldo Azevedo como palanque

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Presidente da República utiliza entrevista como palanque para defender o governo e desqualificar a denúncia de Rodrigo Janot. Michel Temer defendeu parlamentarismo para 2018. A ideia anima os liberais-financistas, pois seria um meio de se livrarem de Lula e Bolsonaro.

Um dia depois de obter uma vitória no Congresso, barrando a denúncia de Rodrigo Janot, e mostrando força congressual, o presidente Michel Temer concedeu entrevista ao jornalista Reinaldo Azevedo, na rádio Band News FM, nesta quinta (03).

Resumo:

Em um primeiro momento, o presidente procurou desqualificar o áudio que contém a conversa dele com Joesley Batista. Temer cita que segundo laudo da PF houve 294 interrupções no material, o que o torna imprestável.

Em alusão ao romance, “O Processo”, de Franz Kafka – que conta a história de Josef K., que acorda certa manhã, e é submetido a um longo e incompreensível processo por um crime não especificado -, Michel Temer afirmou que vive um “processo kafkiano”.

“Eu vou ser um pouco talvez piegas, mas parece uma coisa kafkiana. Começa com um processo para retirar o presidente sem um motivo sólido. Sabe a história da gravação feita por um cidadão que havia confessado milhares de crimes? Foi muito bem urdida e articulada”, enfatizou Temer.

Para Temer, até um aluno de terceiro ano de direito percebe que a denúncia de Janot é inepta. O presidente alega que se criou um movimento político para tirá-lo da presidência e que não há provas contra ele.

Reinaldo Azevedo fez tabela com o peemedebista e disse que a produção do áudio viola o inciso 56 do Artigo 5º da Constituição, que se refere à obtenção de prova ilícita.

Em um segundo momento, Reinaldo Azevedo pediu para o presidente elencar 03 conquistas do governo nesses 14 meses, Michel Temer citou 08. A primeira foi o teto de gastos públicos que, segundo o presidente, colocou fim a um processo de gastos acima da arrecadação. A liberação de contas inativas do FGTS, que injetou na economia 42 bilhões, beneficiando 25 milhões de trabalhadores. O presidente citou ainda a modernização trabalhista e a reforma do ensino médio, além da queda dos juros e da inflação; a reestruturação do setor elétrico e processos de regularização fundiária em áreas rurais.

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O jornalista perguntou ao presidente sobre as emendas impositivas distribuídas a parlamentares nesse processo de convencimento do Planalto para que os mesmos votem em favor de Michel Temer. A oposição vendeu pra fora que se tratou de compra de votos, jogando um ar de suspeita e ilegalidade sobre o procedimento. Temer citou que as emendas impositivas são liberadas (emenda 86/2013) com respaldo da lei e que a oposição se beneficiou mais que os deputados governistas. Temer não apresentou os números, mas disse que irá divulgá-los.

Sobre a reforma da Previdência, o presidente afirma que ela é suave e terá efeito paulatino em 20 anos. O peemedebista enfatizou que a reforma atingirá privilégios e não os pequenos assalariados.

Obs do site: o tema previdência é complexo, e merece averiguações mais técnicas e livres de paixões políticas.

Quanto à reforma política, Reinaldo Azevedo defendeu parlamentarismo e voto distrital misto para 2022 e uma parte da reforma para 2018 com cláusula de barreiras e fim das coligações proporcionais. Michel Temer disse que  parlamentarismo seria viável já para 2018.

Atenção: parlamentarismo pode ser uma saída para os liberais se livrarem de Lula e Jair Bolsonaro, porque nesse sistema o comandante do país (primeiro-ministro) é eleito pelo Congresso e não pelo povo.

A maioria elege o primeiro-ministro. Por ser de um partido pequeno, Jair Bolsonaro não teria a menor chance de ser referendado.

As esquerdas dificilmente fariam maioria no atual cenário.

Se o PMDB, PSDB e o centrão chegarem minimamente coesos em 2018, constroem o bloco dominante tranquilamente.

A ideia anima líderes como José Serra. Desgastado para disputar a presidência da República via urna e com Aécio Neves destruído politicamente, o paulista seria uma das opções para ser indicado primeiro-ministro. Essa é uma das saídas para o tucano realizar o sonho de governar o Brasil.

Reinaldo Azevedo deu pulos de alegria e concordou com o chamado do presidente por parlamentarismo já para 2018.

Antagonista

Em 18 de julho, o site O Antagonista publicou que um dia antes o presidente Michel Temer esteve no apartamento do jornalista Reinaldo Azevedo para um jantar.

O site insinuou que existe uma conspirata do PMDB com parte do STF e da imprensa contra a Lava-Jato.

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Outra vez

Em menos de um mês essa é a segunda entrevista de Michel Temer ao jornalista Reinaldo Azevedo.

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Jornalista e formado em ciência política pela UNESP, André Henrique já atuou como docente, assessor parlamentar e consultor político, mas é no jornalismo que o sociólogo se realiza profissionalmente, especialmente na editoria de política.

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