Michel Temer fala em novo tempo, mas a crise continua

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Em pronunciamento, Michel Temer tenta deixar a crise para trás, mas ele segue impopular e o país em dificuldades financeiras. Oposição na sociedade civil e no Congresso reage

Em pronunciamento, publicado em seu perfil, no facebook, o presidente da República, Michel Temer, fez referência à votação desta quarta (25) no Congresso como um divisor de águas, um recomeço para o seu governo. Depois de agradecer os deputados, disse “a todos que mantém a fé no Brasil, a hora é agora, e hora de transformar o país e superar nossos desafios, agora é avançar, vamos continuar a trabalhar com determinação e muita paz”.

Michel Temer exaltou as conquistas econômicas como obra de seu governo e indiretamente afirmou que a sua vitória política no Congresso significou o triunfo das liberdades individuais e a prevalência da verdade sobre a mentira.

Para economistas, a queda dos juros e da inflação, os resultados no campo, no comércio e na indústria, e a tímida retomada do emprego, não têm relação com medidas estruturais do governo, leia aqui

Oposição

A oposição acusa Michel Temer de comprar votos dos congressistas distribuindo emendas parlamentares e outras benesses, inclusive o decreto que flexibiliza leis que regulamentam o trabalho escravo. O senador Renan Calheiros disse que Michel Temer transformou o Congresso em uma rua 25 de março, onde se vende tudo. Renan disparou: “trocar um decreto que permite trabalho escravo pelo voto da bancada ruralista, isso é o fim”.

A CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil) publicou nota repudiando a Portaria 1129 do Ministério do Trabalho, publicada no Diário Oficial da União de 16/10/2017, “tal iniciativa elimina proteções legais contra o trabalho escravo arduamente conquistadas, restringindo-o apenas ao trabalho forçado com o cerceamento da liberdade de ir e vir. Permite, além disso a jornada exaustiva e condições degradantes, prejudicando assim a fiscalização, autuação, penalização e erradicação da escravidão por parte do Estado brasileiro”, ressalta.

A nota assinada pelo cardeal Sérgio da Rocha e pelo Dom Murilo Krieger é dura contra o governo Temer, “a desumana Portaria é um retrocesso que, na prática, faz fechar os olhos dos órgãos competentes do Governo Federal que têm a função de coibir e fiscalizar esse crime contra a humanidade e insere-se na perversa lógica financista que tem determinado os rumos do nosso país”. aqui

A presidenta do PT, Gleisi Hoffman, discursou no Senado “as pedaladas fiscais que serviram como argumento para o impeachment de Dilma parecem uma piada diante das denúncias contra Temer: há provas, gravações, malas de dinheiro e ele continua presidente.”, disparou. A petista disse em discurso que não há manifestações de empresários e banqueiros contra a corrupção do governo porque Michel Temer governa para atender os interesses das elites econômicas.

O rombo fiscal do governo acumulado este ano já alcança R$ 108,533 bilhões, o pior resultado da história para o período desde o início da série histórica, em 1997.

Apesar de escapar da investigação no STF, depois da decisão do Congresso, o presidente Michel Temer segue impopular e o país em dificuldades fiscais. Ao passo que o apetite dos deputados da base tende a se tornar maior, exigindo mais distribuições de benesses em um cenário de crise fiscal.

 

Jornalista e formado em ciência política pela UNESP, André Henrique já atuou como docente, assessor parlamentar e consultor político, mas é no jornalismo que o sociólogo se realiza profissionalmente, especialmente na editoria de política.

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