A mídia caiu no conto de Wladimir Costa?

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Conhecido por outros episódios polêmicos, o deputado disse que tatuou o nome de Temer definitivamente, apareceu em vários veículos de toda imprensa, mas foi desmentido por um tatuador.

Análise – Por Rafael Bruza

O deputado federal Wladimir Costa (SD-PA) expondo sua tatuagem no braço / Foto – Reprodução (Divulgação)

Na segunda-feira (31), o deputado Wladimir Costa (SD-PA) apareceu na imprensa nacional com o nome de Michel Temer tatuado no braço direito, em sinal de homenagem e apoio ao presidente, que foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), em peça que será votada nesta quarta-feira (02).

“Cada um com suas paixões. Não tem gente que tatua Che Guevara, Fidel Castro, o presidente da Coreia? Todos falsos socialistas usando (relógio da marca) Rolex?”, questionou o deputado ao jornal O Estado de S. Paulo. “Sou admirador nato (de Temer), sou amigo dele há quase 16 anos. Nesse momento, que tentam derrubar ele a qualquer custo, é minha forma de mostrar que parceiro que é parceiro derrama até a última gota de sangue”.

Segundo declarações do parlamentar, a tatuagem é definitiva, custou R$ 1.200 e foi feita em um estúdio de Brasília chamado “Mundo da Tatoo”, na última sexta-feira (28).

“Paraense não é de se arrepender não”, disse Costa, que promete mostrar a arte no plenário da Câmara nesta quarta-feira (02), durante votação da denúncia da PGR.

A tatuagem de Wladimir virou centro das atenções e apareceu nas manchetes dos principais portais do país – desde o Estadão, até a revista Época, passando pela blogosfera progressista e outros portais de notícias na Internet, além das páginas nas redes sociais.

Em um princípio, todos acreditaram – ou ainda acreditam – que o deputado tatuou o nome de Michel Temer no braço de forma definitiva.

Mas nesta terça-feira (01), o jornal o Estado de S. Paulo falou com o estúdio de tatuagem onde o deputado disse que tinha feito a arte.

O tatuador Frederick Nacimento – conhecido como Lico -, que tem 25 anos de profissão e é um dos precurssores da tatuagem de henna para o Brasil, negou que tenha feito a tatuagem e afirmou que ela aparenta ser de henna – temporária.

“Não, não fiz. Eu conheço uma tatuagem de hena de longe. É só você ver pela foto. Tem uma mancha na letra ‘r’, um borrão… Não tem como ser de verdade. Acho que vocês nunca mais vão ver o deputado sem camisa”, disse o tatuador ao jornal O Estado de S. Paulo.

O tatuador prometeu que irá à Justiça.

“Se esse senhor tiver divulgado em algum lugar nosso nome iremos procurá-lo e exigiremos uma retratação imediata”, afirmou.

O deputado Wladimir Costa, no entanto, ainda afirma que a tatuagem é definitiva.

“A tatuagem é pra sempre, de verdade. Se algum tatuador diz que não é, ora, é porque é tatuador de fundo de quintal”, declarou ao Estadão, que agora diz ter feito a tatuagem em um estúdio de Belém que se chama “Mundo Tatoo” – mesmo nome do estúdio de Brasília – com um tatuador chamado Edmílson.

O jornal pediu contato do estúdio e do tatuador, mas o deputado afirmou que o número estava em “outro celular”.

“Eu também gravei uma entrevista com esse tatuador. Não está comigo agora, está em outro celular, mas quando eu encontrá-la vou divulgá-la”, disse.

Outras polêmicas

No final de julho, enquanto o Governo Federal liberava emendas parlamentares para Michel Temer ter apoio na Câmara dos Deputados contra a denúncia da PGR, Wladimir Costa relatou como costuma pedir cargos e verbas ao presidente da República fazendo “cara de coitadinho”.

“Ele  (Temer) não propõe nada, ele pede apoio, mostra cópia da denúncia, diz que é inócua, mas não oferece nada. Vai que alguma pessoa queira gravá-lo novamente numa situação dessas. Ele diz que vai ver o que pode fazer. “O que for possível ajudar no seu estado, vamos fazer”. Ele vê quais são os ministérios, quem pode resolver. O presidente encaminha. Faço cara de coitadinho para ele”,  afirmou o deputado.

“Somente alguns parlamentares hipócritas não vão assumir, mas é óbvio que, após a reunião com o presidente, a gente vem com aquela história: ‘Mas, presidente, eu gostaria de trazer demandas do estado, do município, do governo do estado’. A gente aproveita o barco e pede. Na realidade, não é o governo que está atrás disso, os parlamentares é que estão procurando, pedindo audiência, aproveitando a oportunidade. O Temer tem que ser assim. Aos amigos, as flores; aos inimigos, coroa de espinhos”, afirma.

Em seu quarto mandato na Câmara, o deputado também é alvo de investigação no Supremo Tribunal Federal (STF), desde 2010, por supostamente abrigar funcionários fantasma em seu gabinete.

Em julho do ano passado, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Pará chegou a determinar, por decisão unânime, a cassação de seu mandato.  O parlamentar foi condenado por uso de caixa 2 e por ter omitido o gasto de R$ 410 mil na prestação de contas de sua campanha eleitoral em 2014.

Wladimir Costa também é lembrado por ser “o deputado das confetes ”, já que na sessão de aprovação da abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados, feito em abril de 2016, ele fez um discurso contra a corrupção e lançou confetes no plenário ao votar a favor do pedido de destituição.

 

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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