Moradores refazem ciclovia apagada pela Prefeitura de João Doria

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Após dois meses sem a faixa, moradores do Morumbi se uniram e repintaram a ciclovia apagada para manutenção, segundo a Prefeitura.

Por Rafael Bruza * com informações do VádeBike

Um dos trechos repintados pelos moradores, que também escreveram frases na ciclofaixa / Foto – Reprodução (Maurício Andrade/Bike Zona)

Moradores do Morumbi, na zona sul de São Paulo, ficaram dois meses sem um trecho da ciclovia da rua Dr. Fausto de Almeida Prado Penteado e da Avenida Amarílis, depois que a Prefeitura silenciosamente apagou a tinta e retirou sinalizações da faixa, em uma operação tapa-buraco e de manutenção. Sem ter perspectiva de quando a ciclovia seria refeita, os moradores decidiram agir por conta própria e repintaram o trecho no fim de semana do último sábado (13).

Funcionários realizam obras de manutenção no local da ciclofaixa da R. Dr. Fausto de Almeida Prado Penteado / Foto – Reprodução

O caso começou em março, quando a Prefeitura de São Paulo, comandada por João Doria, realizou obras para consertar um buraco que existia justamente neste trecho da ciclovia. Na ação, funcionários também retiraram placas, tachões e outras sinalizações para realizar manutenção. A estrutura da ciclovia chegou a desaparecer completamente e a Prefeitura prometeu repintar a faixa exclusiva de bicicletas.

Ciclistas ficaram meses em situação de risco depois que a faixa foi apagada. O pavimento preto usado para tapar o buraco escondia a ciclovia dos carros, que entravam no espaço exclusivo para bicicletas.

Agora que a ciclovia foi repintada, moradores relatam melhoras de segurança na via.

“Pelo meu momento de subida foi muito tranquilo, principalmente na curva. Os carros que passavam voltaram a lembrar que ali existe uma ciclovia”, relata Mauricio de Andrade, do coletivo Bike Zona Oeste. “O maior ganho em segurança será na descida, pois é uma ciclofaixa de mão dupla e sem sinalização os carros subiam de frente para quem desce a via, com claro risco de atropelamento devido à negligência da prefeitura.

Segundo o site VádeBike,  a retirada dessa ciclovia envolveu procedimentos incorretos da Prefeitura, enquanto órgãos públicos “empurravam a responsabilidade entre si”, deixando moradores sem perspectiva de conserto da ciclofaixa.

Procurada pelo site, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) afirmou em abril que a remoção seria parte de “um plano de revitalização e revisão das ciclovias”.

“A Secretaria tem realizado um amplo debate com ciclistas, comunidade local e com representantes da Prefeitura Regional para buscar as melhores alternativas. O resultado desse diálogo é o que definirá o projeto a ser adotado em cada ponto da cidade”, diz a nota.

Um dos trechos repintados pelos moradores, que também escreveram frases na ciclofaixa / Foto – Reprodução (Maurício Andrade/Bike Zona Oeste)

Linha do tempo

Confira uma linha do tempo feita pelo VádeBike para apresentar de fatos que ocorreram em torno desse caso desde o final de março.

21 e 22 de março – Ciclovia é removida pela prefeitura, sem nenhuma comunicação ou consulta aos espaços institucionais onde isso deveria ocorrer, como a Câmara Temática da Bicicleta no Conselho Municipal de Transportes e Trânsito (CMTT). A Ciclocidade publicou um detalhamento de como ficaram sabendo da retirada e por que tratar como “operação tapa-buraco” foi um procedimento bastante incorreto. Nossa matéria à época alertou sobre a necessidade de sinalização temporária, como cones ou cavaletes.

24 de março – Prefeitura Regional do Butantã informa à imprensa tradicional que a repintura seria feita em uma semana.

10 de abril – Ciclocidade envia e-mail ao Secretário Municipal de Mobilidade e Transportes, Sergio Avelleda, e à Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), cobrando a repintura. De acordo com a entidade, não receberam nenhuma resposta até agora.

18 de abril – Estrutura continua sem sinalização de solo, com carros trafegando e estacionando sobre o espaço, apesar das placas. Regional Butantã e CET empurram a responsabilidade entre si, sem avançar na solução do problema. Bicicletinhas foram pintadas por cidadãos sobre o asfalto novo, mostrando que a remoção dessa ciclovia não será esquecida.

25 de abril – Ciclocidade envia um segundo e-mail perguntando sobre a repintura. Novamente, nenhuma resposta.

2 de maio – Assunto foi cobrado em reunião da Câmara Temática de Bicicleta, na presença do Secretário de Mobilidade e Transportes e toda sua equipe. Não houve resposta, apenas a promessa de trazer alguma informação na próxima reunião.

10 de maio – Um terceiro e-mail foi enviado cobrando a repintura, dessa vez através da Câmara Temática.

11 de maio – Foi protocolado um ofício, destinado ao secretário Avelleda e ao presidente da CET, João Octaviano Neto, solicitando “com a maior brevidade possível a repintura da ciclofaixa e recolocação de toda a sinalização cicloviária” no local.

14 de maio – Ciclofaixa amanhece repintada pela população.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Formou uma parceria com um programador e lançou o Indepedente. Acredita que a mudança no mundo está dentro de cada um e trabalha para que seus leitores tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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