Moro critica ‘omissão’ do Governo e do Congresso no combate à corrupção

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Em palestra realizada em Washington (EUA), o juiz federal responsável pela Operação Lava a Jato na 1ª instância disse que se sente decepcionado com os políticos do país.

Informação – Redação

O juiz federal Sérgio Moro, durante palesta no Wilson Center, em Washington, Estados Unidos / Foto -Reprodução
O juiz federal Sérgio Moro, durante palesta no Wilson Center, em Washington, Estados Unidos / Foto -Reprodução

O juiz Sérgio Moro criticou o Governo e o Congresso do Brasil em palestra realizada em Washington (EUA), nesta quarta-feira (14). Ele disse que se sente decepcionado com a “omissão dessas instituições no combate à corrupção.

“Eles poderiam, por exemplo, propor e aprovar melhores leis para prevenir a corrupção. Também poderiam ajudar os esforços dos agentes da Justiça de outras maneiras. A omissão deles é muito decepcionante”, afirmou o juiz.

A declaração foi feita durante palestra realizada por Moro no Wilson Center, instituição da capital estadunidense feita para a discussão de temas globais que possui um instituto dedicado a assuntos brasileiros.

Em sua fala, o juiz federal responsável pela Operação Lava a Jato em 1ª instância falou sobre o sistema judiciário brasileiro e apresentou um resumo sobre as ações da operação.

Ele também disse que o Governo interino de Michel Temer apoia as investigações verbalmente, mas que os brasileiros devem esperar mais do que isso.

“Para ser justo, o governo atual disse em várias ocasiões que apoia e endossa as investigações. Mas os brasileiros devem esperar mais do que apoio verbal”, declarou durante a palestra.

O juiz também disse que a corrupção sistêmica no país gera um custo “enorme” ao país, indicando que as ilegalidades geram impacto na confiança dos cidadãos nas leis e na democracia.

Ele sinalou que o setor privado também tem um papel importante dentro do combate à corrupção.

“Empresas devem fazer seu dever de casa, dizendo não ao pagamento de propinas, implementando mecanismos de controle interino e denunciando pedidos de pagamento de propina”.

Sobre as acusações à operação

Durante sua fala, o juiz Sérgio Moro também rebateu acusações que apontam uma tendência política e parcial da Operação Lava a Jato. “Alguns críticos reclamam que a Lava a Jato não é imparcial e tem fins políticos. Isso não é certo. Claro que, se o crime envolve propinas pagas a políticos, o caso inevitavelmente terá consequências políticas. Mas isso foge do controle do tribunal”, argumentou o juiz.

Ele também alegou que a operação deve acusar quem comete os crimes, não a Justiça. “A culpa não deve recair sobre o processo judicial, mas sobre os políticos que cometeram os crimes. O processo judicial é apenas uma consequência”.

Durante a sessão de perguntas da plateia, Moro foi questionado sobre quanto tempo durará a Operação Lava a Jato e sinalou que seu papel na 1ª instância pode terminar no final do ano, mas disse que essa possibilidade não é certa.

“Não consigo dizer com certeza porque é um caso em andamento e às vezes novas evidências aparecem. Um dia eu disse que poderia terminar no fim do ano, e a maioria das empresas que pagaram propinas já foram ouvidas, acusadas e julgadas. Minha parte deve ser no fim do ano, mas não posso dizer com certeza”, concluiu o juiz.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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