Não feche sua visão política: leia mídia de direita e esquerda

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Em tempos de disputa política, a imprensa no geral deixa o jornalismo de lado e faz verdadeira campanha política, então leia notícias e opiniões de diferentes ideologias para não cair em manipulações.

Logos da Revista Fórum, da Carta Capital, da Caros Amigos, da Folha de S. Paulo, do Estadão e do o Globo
Logos da Revista Fórum, da Carta Capital, da Caros Amigos, da Folha de S. Paulo, do Estadão e do o Globo

Opinião – Rafael Bruza

Sendo sincero: quem quiser entender um fato de forma objetiva terá que ler a mesma notícia em meios de comunicação de direita e de esquerda. As narrativas estão descoladas. E se você ler apenas a mídia de uma ideologia, tende a ser induzido a acreditar em certas versões/interpretações dos fatos.

Por isso, amigos, minha recomendação é a seguinte: ao ver uma notícia no Globo, deem uma olhada em como o Jornal GGN cobriu o acontecimento. Ao ler uma opinião na Carta Capital, procure o que diz a Época sobre esse assunto. E ao ver uma matéria aqui no Independente, veja também o que os meios de comunicação de direita e esquerda falam sobre o que falamos.

Ao ver a mesma notícia em diferentes meios de comunicação você adquire uma visão mais ampla do mundo.

Imagine-se em um quarto escuro com várias janelas mostrando o mundo de fora. Cada janela é um veículo de mídia. Se você olhar apenas uma, não verá o que acontece nas laterais e atrás do quarto. E se a janela escolhida afirma veementemente que aquela visão de mundo é a única correta, você será manipulado se conceder toda credibilidade.

Essa situação inclusive se acentua em momentos decisivos da política brasileira, como o que vivemos nesse final de abril de 2016, vésperas da votação que pode afastar Dilma Rousseff provisionalmente por até 180 dias.

Em momentos como este ou em períodos eleitorais, imprensa no geral deixa de fazer jornalismo e realiza verdadeira propaganda política para o lado que apoia. Não é à toa que algumas das matérias mais isentas sobre nossa crise política foram feitas por jornalistas estrangeiros como Gleen Greenwald, do The Intercept.

Nós, jornalistas brasileiros, estamos inseridos no jogo do poder nacional e damos mais importância a esta disputa que ao próprio jornalismo, infelizmente.

Desde a votação do Impeachment no domingo (17), por exemplo, as capas dos jornais O Globo, Folha de S. Paulo e Estadão foram dedicadas a medidas que Temer faria (ou deveria dizer, fará?) caso assumisse a presidência.

O vice-presidente luta por legitimidade para seu mandato, ou seja, trata de mostrar que tem direito a cadeira presidencial, e conta com a retórica da mídia, que já o vê como presidente no lugar de Dilma, para obter essa tal legitimidade falando exatamente o que alguns setores descontentes (empresariado, entidades financeiras e cidadãos liberais/conservadores) querem ouvir.

Sendo assim, você não verá o assunto da CPMF que Temer (provavelmente) irá implantar na primeira capa. Terá que ir a mídia de esquerda para saber sobre isso.

Quem ler ou ver, pois a televisão e as rádios comerciais também seguem essa linha ideológica, apenas veículos da Grande Mídia já verá Temer presidente do Brasil e Dilma fora do poder, sendo que o processo de Impeachment ainda não acabou nem está formalmente definido.

Tem muita água por rolar.

Em paralelo, a imprensa de esquerda faz algo parecido, mas do outro lado da polarização. Exalta diariamente a legitimidade de Dilma mostrando Temer como golpista.

E o faz de forma explícita, aberta, sem a falsa neutralidade da Grande Mídia (o que eu considero sadio, apesar do alto nível de ativismo político dessas publicações). Nesse caso, quem só lê conteúdo da mídia alternativa será incentivado a ver Dilma como uma simples vítima de tudo isso, sendo que o Governo do Partido dos Trabalhadores também tem uma bela parcela de responsabilidade no que está acontecendo.

Então, resumindo: fiquem ligados e considerem esses dois lados na opinião de vocês ao invés de se fechar a um deles.

País forte é país com opinião pública objetiva e sensata.

Não podemos controlar o que os jornalistas fazem, mas podemos, sim, escolher no que queremos acreditar. Escolham com prudência e sensatez, por favor. Nosso momento político clama por posições fundamentadas e objetivas.

O futuro te brindará com a liberdade e a compreensão de manipulações midiáticas.

Vale a pena.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Formou uma parceria com um programador e lançou o Indepedente. Acredita que a mudança no mundo está dentro de cada um e trabalha para que seus leitores tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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