‘Não vão nos calar’, diz Mourão sobre propostas de grupo para conter fake news

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O candidato à vice-presidente de Bolsonaro respondeu no Twitter as medidas sugeridas por um grupo de professores.

Por Rafael Bruza

O candidato à vice-presidente da República na chapa de Jair Bolsonaro (PSL), o general Hamilton Mourão / Foto (Divulgação)

O general Hamilton Mourão chamou de “censura petista” as propostas dos professores Pablo Ortellado (USP), Fabrício Benvenuto (UFMG) e da agência de checagem de fatos Lupa, para conter divulgação de fake news no Whatsapp. O militar fez o comentário em seu perfil oficial no Twitter, nesta quarta-feira (17).

“Depois do TSE ter reunião com os diretores do WhatsApp ontem agora vem esse comunistazinho mequetrefe da Folha de São Paulo exigir que o aplicativo nos boicote!!! Não vão nos calar #CensuraPetista nem pensar!!!”, escreveu o general na rede social, compartilhando declarações do professor Pablo Ortellado.

O contexto e propostas

Essa semana, os professores Pablo Ortellado (USP), Fabrício Benvenuto (UFMG) e a Agência Lupa divulgaram um levantamento sobre as ‘fake news’ que circulam em grupos do Whatsapp – uma empresa do Facebook, apontada como principal espaço de disseminação desse tipo de conteúdo.

O estudo, realizado em 347 grupos do aplicativo entre os dias 16 de setembro de 7 de outubro, diz que apenas 4 das 50 imagens mais compartilhadas em grupos desta rede social são verdadeiras.

Junto com o levantamento, os autores fizeram sugestões ao WhatsApp para conter a divulgação de informações falsas.

Eles pediram que a empresa (1) restrinja severamente a capacidade de transmissão do aplicativo, (2) limite a 5 o número de reenvios, como já acontece na Índia e (3) limite o tamanho de novos grupos.

“Acreditamos que com a adoção imediata dessas três medidas é possível uma redução rápida do dano que a desinformação tem causado ao debate eleitoral’, diz Pablo Ortellado na página do monitor do Debate Político no Meio Digital – projeto que ele coordena junto Marcio Moretto, no campus leste da Universidade de São Paulo.

No Twitter, Mourão compartilhou captura desta fala de Ortellado, que também é colunista do jornal Folha de S. Paulo, e comentou as medidas do grupo.

O Whatsapp, a sua vez, disse que “não há tempo” para implementar as propostas sugeridas.

Os professores e a Agência Lupa, no entanto, discordam. Ortellado argumenta que a empresa já fez modificações deste tipo na Índia.

“Na Índia, após uma série de linchamentos causados por boatos difundidos no aplicativo, o WhatsApp conseguiu implementar mudanças em poucos dias. Nossa situação é bastante grave. Estamos conclamando também o TSE e outras instituições com poder regulatório para agir”, afirmou o professor.

Reunião com TSE

Na segunda-feira (16), integrantes do Conselho Consultivo para notícias falsas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) realizaram uma reunião à distância com representantes da plataforma de troca de mensagens WhatsApp para discutir formas de garantir o alcance de respostas, diante da divulgação de notícias falsas dentro da rede social.

Uma das ideias apresentadas na reunião realizada nesta terça-feira, 16, foi a de reduzir ainda mais a quantidade de vezes que uma mesma mensagem pode ser compartilhada – das atuais 20 para 5, como é feito na Índia, segundo o jornal O Estado de S. Paulo.

Na reunião, o aplicativo também apresentou suas propostas ao problema, que agora serão avaliadas pela área técnica do TSE.

“Eles se propuseram de oferecer ao TSE algumas ferramentas que não são comuns para o usuário ordinário. E o TSE vai avaliar a utilidade dessas ferramentas para os interesses da Justiça Eleitoral”, contou o vice-procurador-geral eleitoral, Humberto Jacques, sem entrar nos detalhes na proposta.

Segundo Jacques, a dificuldade está em empregar para o aplicativo de mensagens a mesma metodologia de combate às fake news usada nas redes sociais. Jacques listou os três pilares deste enfrentamento aplicados às plataformas abertas: alfabetização midiática (ensinar as pessoas a serem críticas quanto ao que recebem), checagem de informação e o direito de resposta.

“Isso já é factível nas redes sociais, e o WhatsApp está aquém disso. E essa é a nossa conversa”, relatou o procurador, admitindo a dificuldade de se traçar um plano efetivo de enfrentamento a disseminação de informações falsas pelo aplicativo.

Como parte importante do combate as notícias falsas caminha em descobrir quem originalmente produziu o conteúdo, as providências esbarram no “núcleo duro” do WhatsApp, que sustenta a privacidade de seus usuários como algo “sagrado”, destaca Jacques.

“Assim como para vocês da imprensa o sigilo da fonte é sagrado, para um mensageiro como o WhatsApp a privacidade das comunicações é sagrada. Ele considera que aquilo que as pessoas conversam não é visível”, comparou o procurador. “Esse é uma das coisas que o WhatsApp demonstra na conversa conosco, que 90% do tráfico do aplicativo no Brasil é interpessoal. Não é essa megalópole de grupos que as pessoas tendem a imaginar”, completou o vice-procurador-geral eleitoral.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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