‘O Brasil vive o final de um ciclo’, diz presidente do PSOL

0

No evento que lançou Guilherme Boulos como pré-candidato à Presidência, Juliano Medeiros comentou a variedade de pré-candidatos nas eleições de 2018 e apresentou a postura de seu partido em relação ao ex-presidente Lula.

Por Rafael Bruza

O presidente do PSOL, Juliano Medeiros, declarou que o Brasil vive um final de ciclo de 25 anos de polarização entre PT e PSDB, que explica a diversidade de candidaturas políticas de direita e esquerda (veja a reportagem acima). Medeiros concedeu entrevista ao Independente neste sábado (03), durante a Conferência Cidadã, que anunciou o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulous, como, como pré-candidato à Presidência da República pelo PSOL.

“Estamos vivendo o final de um ciclo. O ciclo que se encerra é o da polarização entre PT e PSDB, que durou 25 anos. É natural que haja diversidade de expressões políticas nestes fins de ciclos. Não acho que seja problema, o PSOL teve candidaturas em todas as eleições desde sua fundação e é perfeitamente natural que haja vários partidos neste momento”, disse Juliano. “Isso não é exclusividade da esquerda, a direita também tem várias candidaturas. O Temer não tem candidato, o PSDB está numa guerra interna, falou-se de Luciano Huck, ou seja, está uma confusão por conta deste fim de ciclo da política brasileira. Na medida em que não há clareza sobre a natureza desse ciclo que se inicia, todos os atores buscam ocupar espaço e colocando como protagonistas de suas posições políticas”.

Questionado sobre a situação de Lula, Medeiros afirmou que o PSOL defende o direito de o ex-presidente concorrer às eleições.

“Temos uma posição crítica em relação a sentença que foi proferida pelo Sérgio Moro e confirmada pelo TRF-4. Achamos que o presidente Lula tem direito de concorrer, não vamos apoiá-lo, caso ele seja candidato, por entender que o programa dele não dá conta de resolver as necessidades históricas do povo brasileiro, mas nós achamos que ele tem direito de concorrer. Se ele não puder concorrer graças à Lei da Ficha Limpa e à interdição que as cortes eleitorais vão colocar para ele não ser candidato, é legítimo que o PT escolha outro nome. Até acho que deveria fazer isso para que a gente possa debater nossas divergências e convergências”.

O ex-presidente Lula fez um vídeo transmitido durante o evento em que comenta a pré-candidatura de Boulos – é seu aliado.

“Quando você (Boulos) veio conversar comigo uma vez, eu disse ‘Guilherme’, você é o único cara que você não precisa conversar porque eu jamais  vou pedir para você não ser candidato, até porque, se não fosse minha ousadia em 1982, 1989, eu não teria sido presidente da República”, disse o ex-presidente. “Você jamais me verá fazendo críticas a você. (…) E quero te dizer que a gente ta junto. Se um dia você quiser ir num comício meu, será um imenso prazer convida-lo. Se a Manuela quiser vir será bem-vinda e se um dia vocês me convidarem eu posso até ir num comício de vocês”, disse o presidente no vídeo, antes de piscar um olho (veja o vídeo na íntegra”).

Guilherme Boulos se filiará ao PSOL e deve ser anunciado oficialmente como pré-candidato à Presidência da República pelo partido, na conferência da sigla que será feita dia 10 de março.

A “Conferência Cidadã” foi feita pelo movimento Vamos! – formado por artistas, professores e intelectuais, além de movimentos indígenas, estudantis, negros e LGBT.

Compareceram personalidades como Caetano Veloso – que se apresentou no encontro vestido com um cocar e uma bandeira do MSTS – Paula Lavigne, Maria Gadú, Monica Iozzi, a cartunista Laerte, Pablo Capilé (Mídia Ninja), o urbanista Nabil Bonduki, o deputado federal Jean Willys (PSOL-RJ) e o deputado estadual do Rio de Janeiro, Marcelo Freixo.

O movimento indígena esteve presente em apoio à pré-candidata à vice-Presidência da República Sonia Guajajara.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

Facebook Twitter LinkedIn 

Comente no Facebook