O fracasso da cruzada golpista e a liderança de Lula nas pesquisas

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Por André Henrique

Liderança de Lula, horizonte que se abre para Ciro Gomes e fraco desempenho de Geraldo Alckmin são reflexos do fiasco da cruzada golpista, do governo Michel Temer e da agenda neoliberal.

A eleição para presidente da República em 2018 está para a centro-esquerda.

Isso não quer dizer que a esquerda já ganhou, porque vai depender de como seus candidatos vão proceder e de como a conjuntura estará a partir de agosto.

A eleição é da esquerda porque fracassou a agenda econômica derrotada em 2014 e que se impôs por meio de um golpe parlamentar em 2016.

Os líderes da quartelada parlamentar estão no limbo político, eu me refiro a Michel Temer e Aécio Neves. De acordo com a pesquisa CNT/MDA a rejeição a Temer como candidato à presidência alcança incríveis 87,8%, a reprovação do governo é de 82,9%. Aécio Neves é carta fora do baralho.

Em contraponto, Lula, mesmo preso há um mês, lidera com folga as pesquisas para presidente da República.

Segundo a CNT/MDA o petista tem 32,5%, o dobro do segundo colocado Jair Bolsonaro com 16,7% e quatro vezes mais que Marina Silva com 7,6%, seguida de Ciro Gomes 5,4% e Geraldo Alckmin 4%. Álvaro Dias surge com 2,5%.

Lula estaria próximo de vencer em primeiro turno. Isso é reflexo de que a maioria deposita nele a esperança de reviver dias de estabilidade política, emprego, crédito e oportunidades.

Parte da sociedade que rejeita a política tradicional e o eleitorado conservador-reacionário cansado do PSDB estão com Jair Bolsonaro, mas podem mudar de posição se o mesmo desidratar durante a disputa.

Com uma estrutura partidária minúscula e um discurso pouco agregador, o cenário mais favorável para o extremista seria a pulverização de candidaturas, enfraquecendo o centro, à esquerda e à direita. E, claro, com Lula fora.

Sem Lula, Jair Bolsonaro lidera com 18,3% frente a 11, 2% de Marina Silva e 09% de Ciro Gomes.

O quadro sem Lula favorece a princípio também Ciro Gomes. O ex-ministro namora partidos de centro à direita e à esquerda, se lograr êxito, pode formar uma chapa fortíssima e se garantir no mínimo no segundo turno.

Se Lula não for candidato e se um petista não deslanchar, o próprio Lula pode decidir apoiar Ciro Gomes. É com esse paraíso que o pré-candidato do PDT sonha.

Do lado direito do centro vê-se um Geraldo Alckmin em situação grave. O tucano caiu de 6% para 4%, e surge em seu retrovisor Álvaro Dias, do PODEMOS, com 2,5%.

O ex-tucano pode tirar potenciais aliados de Geraldo Alckmin, ao centro, entre os quais o DEM e o PRB. De duas uma, ou Dias se torna mais um entrave para Alckmin e os dois ficam pelo caminho ou Dias se cacifa como o nome da direita liberal. A ver.

A rejeição de Geraldo Alckmin disparou de 50,7% para 55,9%. A de Michel Temer alcança astronômicos 87,8%.

O apoio do MDB pode ser crucial para aumentar tempo de TV e palanques estaduais. Sem o MDB a missão de Alckmin de alcançar o segundo turno fica mais difícil.

Por outro lado, o ex-governador de SP estaria condenado a carregar a alça do caixão de um governo reprovado por 82% da população. Isso no popular se chama “sinuca de bico”.

Em suma…

Jair Bolsonaro segue sem conseguir ultrapassar o teto dos 20%. Marina Silva está estacionada. Um horizonte se abre para Ciro Gomes. A direita liberal é a grande derrotada segundo as pesquisas, vide o fraco desempenho de seus postulantes. A prisão de Lula também se mostra até aqui um experimento político fracassado, tendo em vista que o ex-presidente teria grandes chances de ser eleito em primeiro turno se a eleição fosse hoje.

O substituto mais provável de Lula no PT seria o ex-prefeito de SP Fernando Haddad, ele aparece entre 03 e 04%. Manter o capital político de Lula no topo pode ser decisivo para o petista transferir seu prestígio a outro petista no momento decisivo. Eis o sonho das alas dominantes do partido.

Vai daí que Gleisi Hoffmann, presidente do PT, disse: “Ciro não terá apoio do PT nem com reza brava”. O partido sob comando da senadora segue a operar para tanto.

Jornalista e formado em ciência política pela UNESP, André Henrique já atuou como docente, assessor parlamentar e consultor político, mas é no jornalismo que o sociólogo se realiza profissionalmente, especialmente na editoria de política.

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