Olavo de Carvalho processa a própria filha por publicação de carta aberta

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Em entrevista (assista), Heloísa de Carvalho reafirma declarações feitas na carta e acusa o autor de usar a Justiça para atingir desafetos.

Por Rafael Bruza

O filósofo pede que Heloísa e os blogueiros Kiko Nogueira, do Diário Centro do Mundo (DCM), Caio Rossi, Carlos Alberto dos Reis Velasco e Jorge Velasco sejam condenados nas penas previstas para os crimes de calúnia, difamação e injúria no Código Penal.

A carta

Heloísa publicou a carta aberta em setembro de 2017, em seu perfil de Facebook. Nela, relata experiências vividas na infância e na adolescência e acusa Olavo de Carvalho de apontar uma arma na cabeça dos filhos.

“Lembra que, em um surto de loucura, colocou uma arma na cabeça dos seus filhos?”, questiona a filha do filósofo na carta. “E onde estava o pai da ‘família margarina’ que, quando soube que eu tinha sido abusada sexualmente, não fez absolutamente nada, e que há uns quatro meses ainda me culpou pelo abuso? Acho que você esqueceu de que eu só tinha 9 anos”.

A ação do filósofo, que corre na 3ª Vara Criminal do Foro Central Criminal Barra Funda (SP) com valor de R$ 1 mil, diz que a carta de Heloísa “se distancia de qualquer contato com a realidade mediante o lançamento de mentiras ultrajantes e de xingamentos vis”.

“Há algo mais grave do que uma filha imputar ao pai a prática de um crime de ameaça contra seus filhos, mediante a colocação de uma arma em suas cabeças, ou, ainda pior, acusá-lo de omissão, pois supostamente conhecedor de que sua filha teria sofrido abuso, deixando de prestar qualquer socorro a ela?” questiona a defesa de Olavo, na ação.  “Todos esses fatos foram imediatamente rechaçados pelos outros 7 (sete) filhos do Querelante”.

Em entrevista ao Independente – assista a íntegra abaixo – Heloísa reafirmou as declarações da carta.

Disse que seus irmãos “eram bebês” na época em que Olavo de Carvalho supostamente apontou uma arma em direção de suas cabeças e argumentou que seu pai tratou os supostos casos de abuso sexual como “uma passadinha de mão”.

“Ele nega que sabia (sobre os abusos) e além de tudo tira sarro da minha cara dizendo que ‘uma passadinha de mão não é um abuso sexual’”, relata Heloísa. “Não foi uma ‘passadinha de mão’. Ele sabe muito bem disso. Ele disse que eu escrevi isso, mas isso nunca aconteceu. Foi uma coisa muito doída, muito difícil de superar ao longo dos anos, mas, tudo bem, passou”.

A filha do autor também declarou que decidiu publicar a carta aberta para “falar quem é Olavo de Carvalho” e relatar casos de sua infância e adolescência.

“Quis expor a situação para mostrar que aquele pai de família, cristão, religioso e cuidadoso com a família não existe. No filme ele é, mas uma filmagem pode ser manipulada e no cinema é muito fácil. O duro é viver na vida real”, afirma. “Um pai que deixou quatro filhos sem estudo, pois eu fui estudar depois de adulta e meus três irmãos não têm nem o ensino fundamental completo. Todos vivem do nome e da marca ‘Olavo de Carvalho’. Os alunos dos meus irmãos são alunos do meu pai”.

O Independente apresentou declarações de Heloísa e procurou a defesa de Olavo de Carvalho para expor sua versão, mas não obteve resposta até a publicação desta notícia.

Blogueiros acionados

Na ação, Olavo de Carvalho também acusa Calos Alberto dos Reis Velasco e Jorge Velasco dos crimes de injúria, difamação e calúnias, por conta da divulgação da carta aberta de Heloísa de Carvalho no site Prometheo Liberto.

“Os três proprietários do site Prometheo Liberto veicularam a carta em seu site, atuando em conjunto com a Sra. Heloísa de Carvalho Martin Arribas, para amplificar a sórdida campanha de assassinato de reputação lançada contra a honra do Querelante. Na sequência, o jornalista Kiko Nogueira somou-se aos demais para divulgar e praticar novos crimes contra a honra do sr. Olavo de Carvalho”, afirma a ação.

Ainda na entrevista ao Independente, a filha de Olavo de Carvalho afirma que sites de várias regiões do país divulgaram a carta. Ela acusa Olavo de usar o processo judicial para atingir desafetos.

“Ele envolve, nesse processo-crime, as pessoas que divulgaram a carta. É uma estratégia para punir quem você não gosta. O fato de divulgar minha carta não significa que a pessoa é co-autora do texto comigo. Então houve essa estratégia e eu gostaria que ele processasse todo mundo que divulgou e propagou essa carta”, afirmou. “Já que ele vê a injúria e difamação nas pessoas que copiaram o texto, por que não processa todos? Ele só pegou pessoas que ele não gosta e que vem sendo xingadas e ofendidas por ele há anos”.

Kiko Nogueira e o “perfil fake”

Na mesma ação dirigida a Heloísa, o editor do Diário Centro do Mundo (DCM), Kiko Nogueira, responde denúncia de difamação do filósofo por publicar a matéria: “Olavo de Carvalho usa perfil no Facebook com foto fake para contra atacar sua filha”.

O post trata sobre o perfil de “Lu Arianov”, que foi criado no Facebook – e logo apagado – para responder a carta aberta de Heloísa de Carvalho.

Olavo de Carvalho divulgou a carta aberta de “Lu Arianov” em seu perfil de Facebook. Questionado por seus seguidores, disse que o perfil era administrado pela “filha de uma ex-aluna”.

Heloísa de Carvalho, a sua vez, declara que nunca havia ouvido falar de “Lu Arianov”, apesar de o texto escrito por ela comentar “questões íntimas” de sua vida.

A foto do perfil apontado como falso era de uma modelo internacional, vendida em sites americanos, segundo relata.

O Independente questionou a defesa de Olavo de Carvalho sobre o perfil Lu Arianov, mas tampouco obteve respostas até o momento – esta notícia será atualizada caso a defesa de Olavo entre em contato.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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