As melhores (ou piores) denúncias da hashtag #MeuProfessorRacista

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Selecionamos e divulgamos posts da hashtag #MeuProfessorRacista, que relatam discriminações cometidas em salas de aula ou espaços acadêmicos.

Por Rafael Bruza 

Estudantes do coletivo Ocupação Preta, responsáveis pela iniciativa da hashtag / Foto – Reprodução

Dezenas de internautas se manifestaram no Facebook através da hashtag #MeuProfessorRacista para contar histórias em que sofreram racismo de seus professores em ambientes escolares. A campanha começou por iniciativa da organização “Ocupação Preta”, formada na Universidade de São Paulo (USP), que pretende denunciar casos de discriminação racial em sala de aula para “expor como os alunos se sentiram ao serem coagidos pela sua cor”.

A hashtag vem recebendo vários de relatos desde segunda-feira (03). A maioria dos posts foi feito por mulheres.

Selecionamos os melhores – ou piores, pois estamos falando de posturas criminosas de docentes – e divulgamos as denúncias originais para incentivar a interação e o debate, confiando no bom senso de cada um.

1- #MeuProfessorRacista professora no caso, disse que eu ia de escrava numa feira de ciências da escola porque era moreninha e tinha que falar do meu povo. Fui obrigada a passar o dia numa sala obscura com uma roupa “de escravo” e com várias esculturas de negros com correntes enormes espalhados pela sala. Enquanto meus colegas ficaram bem vestidos numa outra sala espaçosa e ventilada falando sobre os colonizadores.

Eu tinha uns sete anos e nunca esqueci disso.

2- #MeuProfessorRacista Ministrou uma aula sobre escravidão na América olhando para mim. Além de constantemente utilizar palavras com conotações racistas e sorrir dizendo “desculpa, juro que vou parar”, finalizou a aula naquele dia com o comentário “negros não ascenderam na América pois são preguiçosos”. O mesmo diz que racismo na verdade é bullying.

3- #MeuProfessorRacista era professora do fundamental e disse que eu não podia ser anjinho na peça de teatro que teria no natal (estado laico?) porque anjos eram loiros

4- #MeuProfessorRacista disse que meu futuro era varrer rua

5- #MeuProfessorRacista após ouvir minha arguição como avaliadora em uma banca, me parabenizou e em seguida emendou um comentário sobre mim (e não sobre minha arguição) disse que me achava muito bonita, tão bonita quanto a moça que trabalhou tempos atrás, servindo café em sua Universidade…

6- #meuprofessorRacista um dia em sala de aula, se dirigiu a uma aluna branca, de cabelos ondulados e perguntou se ela não se importava de envergonhar os pais, indo a escola sem pentear os cabelos. Ela respondeu que penteava sim e que aquela era a forma natural dos cabelos dela e que ela gostava.

Ele continuou dizendo que não podia ser, que ela não penteava e que deveria seguir o meu exemplo, que mesmo tendo o cabelo bem mais “duro” dava um jeito de “arrumar”(eu estava de tranças). Isso foi no primeiro ano do ensino médio, no Colégio Cedom.

7- #MeuProfessorRacista disse que eu era “preta com gosto de branco” porque eu falei gostar de MPB. Prof, meu gosto musical não tem nada a ver com minha cor, beijo.

8- #MeuProfessorRacista disse que meu cheiro atrapalhava os outros alunos

9- #MeuProfessorRacista falava que eu jamais podia ir para aula depois da Ed.Física pq pessoas da minha cor fediam com muita rapidez.

 

10- #MeuProfessorRacista Segundo ano do primário primeiro dia de Aula a professora coloca todos os alunos NEGROS no fundo da Classe e depois pergunta pra todos os alunos Brancos o que queriam ser quando Crescer e quando chega em nós NEGROS responde ela mesmo

não vou perguntar nada pra vocês porque já sei
VOCÊS NÃO VÃO SER NADA MESMO

11- #MeuProfessorRacista Minha professora racista disse numa aula de Direito e Gênero que, embora os dados comprovem que as mulheres negras morram mais pela violência doméstica, gostaria de ver uma pesquisa séria que demonstraria que as mulheres brancas apanham mais. De acordo com ela as brancas apanham caladas por mais tempo, já as negras devem apanhar menos por que revidam, são fortes, batem também e por isso morrem no enfrentamento.

12- #MeuProfessorRacista disse que ia jogar um piolho no meu cabelo, que ele considerava “cabelo sujo”, porque eu usava tranças. Eu tinha 15 anos!

13- #meuprofessorracista levantou meus dreads perguntando se escondia drogas no cabelo.

14- #MeuProfessorRacista na 5 série tínhamos uma professora de história que desacreditou do nosso potencial, e desmotivou eu e a Melina Oliveira de passar em uma escola top das particulares(tínhamos sido selecionadas entre vários) , pois disse que a gente não conseguiria, não seria nosso lugar lá. Hoje a mel está arrasando lá e estou orgulhosa.

15- #MeuProfessorRacista (um dos muitos e nesse caso professora) disse que eu não poderia dançar a quadrilha porque eu não tinha um par da minha cor no colégio. Disse também que lugar de negro não era num colégio particular. “você não precisa estudar pra ser jogador de futebol”, ela disse. Eu tinha 10 anos.

16- #MeuProfessorRacista Diz que chamar mulher negra de macaca não é racismo

17#MeuProfessorRacista Toda vez que falava sobre escravidão apontava pra mim. Com isso os outros alunos faziam piadas comigo do tipo: vou te colocar no tronco e te bater até vc ficar branca limpa. E a professora dava risada olhando pra minha cara dizendo pra eu não ligar.

1994 – 4°série.
#PretaRara

18- #meuprofessorracista diz que periferia entra na unb só por ascensão social, não tinham amor ao ensino, e podiam morrer no front, os “abortos de satanás”. É assim que ele nos chamou.

19- #Meuprofessorracista de pós graduação, disse que a USP não poderia ter bom prato para não entrar o tipo povão favelado na universidade.

20-#meuprofessorracista em 2008 eu estava na sexta série (hoje conhecida como sétimo ano) do ensino fundamental. Estudava em um colégio particular na região de Interlagos. Um dia uma colega de sala supostamente perdeu seu dinheiro para comprar o lanche. Fui acusada pelo furto – a única negra da sala. Mesmo jurando que eu não tinha nada a ver com aquilo, fui encaminhada pela professora para sala da coordenadora, que me humilhou terrivelmente e ameaçou revistar minha mochila. Nunca chorei tanto na minha vida! Mais tarde, minha colega achou o dinheiro. Me procuraram depois para fazer um pedido ridículo de desculpas, em uma escala infinitamente menor do que a acusação. Com certeza esse é um dos lugares que acabaram com a minha autoestima na pré-adolescência.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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