Para Marina Silva, é Janot no céu e Lava-Jato na terra

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Marina Silva defende Rodrigo Janot e um dia depois ele aparece em um boteco com o advogado de Joesley Batista.

Aos poucos Marina Silva deixa o ostracismo e dá as caras no debate público.

Primeiro a líder da Rede ressurgiu para desancar os congressistas que salvaram Temer da denúncia de Janot.

Depois, para criticar o governo Temer, pelos decretos que entregariam reservas ambientais da Amazônia à grilagem.

Agora Marina volta à carga para atacar os, segundo ela, corruptos do PT, PSDB, PMDB e seus satélites; além de divinizar o Ministério Público, a Polícia Federal e a Lava-Jato.

Marina Silva defende Rodrigo Janot, no vídeo. Mas não fala da possibilidade de ele ser candidato ao governo de Minas pelo partido dela, nem que os vícios de sua denúncia expuseram negativamente a justiça brasileira perante a opinião pública.

A líder da rede pelo que se nota não considera nem um tantinho estranho o principal auxiliar de Janot deixar as investigações para servir como advogado à JBS e de ser acusado de reunir provas ilegalmente.

Tampouco Marina contava que um dia depois do seu super vídeo, Janot seria flagrado em uma foto fantasiado de Reginaldo Rossi em uma mesa de bar ao lado do advogado de Joesley Batista, um tal de Pierpaolo Bottin.

Enfim, para Marina, é Janot no céu e a Lava-Jato na terra. Independente de qualquer abuso que venha de um ou de outro.

A ambientalista deixa entrever, ainda que de modo oblíquo, em sua fala, que apenas ela, seu partido e os togados da República da Lava-Jato são honestos, criminalizando a classe política, especialmente tucanos e petistas.

A acreana elege a corrupção como principal problema da nação e ignora questões essenciais como o estado patrimonialista; com suas castas estatais, inclusive do poder judiciário, cheinho de privilégios; e o orçamento público a serviço da dívida, enriquecendo banqueiros e rentistas.

A socialista verde não fala contra a política monetária ortodoxa porque seus principais colaboradores em economia são prosélitos do mercado financeiro.

Marina Silva erra duas vezes: ao jogar PT, PSDB e PMDB no lixo, de modo generalizado; e ao reproduzir truísmos como esse de que a corrupção é o principal problema do país. Despolitizações desse nível colocam Marina no mesmo nível de Jair Bolsonaro, manchando o seu passado de lutas.

Não se supera entraves históricos sem pactos sociais e negociações, isto é, sem POLÍTICA. Mas na República da Lava-Jato a política tem de ser criminalizada para que iluminados como Marina Silva e Rodrigo Janot construam, a partir dos escombros, um paraíso cheio de vestais que jamais conversariam amenidades, em um boteco, com advogado de corrupto.

Jornalista e formado em ciência política pela UNESP, André Henrique já atuou como docente, assessor parlamentar e consultor político, mas é no jornalismo que o sociólogo se realiza profissionalmente, especialmente na editoria de política.

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