Para petroleiros, o novo presidente da Petrobras ‘cumpre o requisito entreguista’

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A FUP atribuiu a demissão de Pedro Parente à greve realizada na semana passada.

Por Rafael Bruza

O presidente interino da Petrobras, Ivan Monteiro, e Petroleiros – Fotos (Agência Brasil)

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) divulgou nota neste domingo (03) afirmando que o presidente interino da Petrobras, Ivan Monteiro, é “mais do mesmo” para a estatal e um “braço direito do Deus Mercado”. A FUP fez greve de 72h na semana passada pedindo demissão do ex-presidente da empresa, Pedro Parente, e mudanças na política de preços de combustível no país. Nomeado no lugar de Parente, Ivan Monteiro foi classificado pela entidade como alguém que “cumpre o requisito entreguista”.

“Empresário, banqueiro, executivo, bem relacionado com o mercado financeiro e internacional. Essas são as condições exigidas pelo atual Conselho de Administração da Petrobrás e MiShell Temer para o currículo de presidente golpista da empresa. Ivan Monteiro, o nomeado, cumpre o requisito entreguista”, diz a entidade. “Antes de se tornar presidente interino da Petrobrás, ocupava a diretoria financeira e era o responsável pelo programa de privatização da empresa, que tem como meta vender R$ 21 bilhões em ativos até o fim deste ano” (veja aqui a nota na íntegra).

Os petroleiros comemoraram a demissão de Parente na semana passada e atribuíram a queda de executivo à greve de 72h que realizaram em diversas localidades do país.

Rafael Prado, diretor da Federação Nacional Petroleiros (FNP), disse que o novo presidente da estatal chegou à empresa pelas mãos de Aldemir Bendine, ex-presidente da estatal, que está preso hoje.

“O conselho agiu rapidamente, mostrando unidade em torno da atual política de preços da estatal. Mas a sociedade já deixou claro que não aceita mais isso e a crise vai continuar caso o governo insista em manter essa política de preços.”

A FUP indica que uma das exigências de Monteiro para assumir o cargo foi “a não interferência do governo no seu plano de política de preço atrelada ao preço internacional do petróleo”.

“Em seu primeiro dia de reinado, aumentou em 2,25% o preço da gasolina nas refinarias. Em um mês o combustível teve 11% de aumento, enquanto a inflação cresce 0,6%. Em dois anos de governo Temer, o gás de cozinha teve a maior alta em 15 anos. Se a política de preços da Petrobrás continuar, um botijão de gás poderá chegar aos R$100,00. Valor fora da realidade da população”, diz a entidade.

Por fim, a FUP diz que é urgente “mudar a política de preços para uma que condiz com o real valor do petróleo, que é produzido e refinado no Brasil, além de mudar o atual governo que gere o país em benefício dos empresários e não do povo”.

Outra visão

Para o professor da Fundação Getulio Vargas Roberto Castello Branco, Monteiro é um bom nome para ocupar o cargo.

“Ele é um profissional dedicado. Mas é um funcionário público e a tendência é obedecer fielmente ao governo”, disse à revista Veja.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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