Para virar ministro, Ricardo Salles levou recomendações de empresários a Bolsonaro

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Futuro ministro do Meio Ambiente também é réu em ação ambiental do MP-SP, que o acusa de favorecer empresas ligadas à Fiesp em sua gestão na secretaria do Meio Ambiente de SP

Por Rafael Bruza           

O advogado Ricardo Salles, quando foi secretário do Meio Ambiente do Estado de SP, no governo de Geraldo Alckmin (PSDB) / Foto (Divulgação)

Nas semanas que antecederam sua escolha para comandar o Ministério do Meio Ambiente, o advogado Ricardo Salles reuniu cartas de recomendações de representantes de vários setores empresariais para levar a Bolsonaro, segundo a coluna Painel do jornal Folha de S. Paulo.

O jornal não informa quais empresários especificamente recomendaram a escolha de Salles.  

O anúncio do nome do novo ministro estava previsto para o final de novembro, mas o presidente eleito,Jair Bolsonaro, alegou “dificuldades” em acertar um nome que defenda os “interesses do país”. Antes disso, o presidente eleito cogitou extinguir o Ministério do Meio Ambiente.

Entidades ruralistas que representam empresas de Ricardo Salles, como a Sociedade Rural Brasileira, elogiaram a indicação do advogado para o Ministério do Meio Ambiente.

A escolha de Salles, por outro lado, foi criticada por entidades ligadas ao meio ambiente.

O Observatório do Clima, rede formada por várias organizações da sociedade civil que tratam do tema das mudanças climáticas, emitiu nota em que destaca que Salles é réu por improbidade administrativa em uma ação ambiental – leia mais sobre isso, abaixo.

“Se por um lado contorna o desgaste que poderia ter com a extinção formal da pasta, por outro garante que o MMA deixará de ser, pela primeira vez desde sua criação, em 1992, uma estrutura independente na Esplanada. Seu ministro seu ministro será um ajudante de ordens da ministra da Agricultura”.

Já a WWF-Brasil afirmou, também em nota, que o Ministério do Meio Ambiente “é uma pasta estratégica para o Brasil avançar com urgência como um país que busca o desenvolvimento sustentável, onde justiça social e prosperidade econômica caminham lado a lado com o uso racional dos recursos naturais”.

Crítica antiga

ONGs ambientais de São Paulo chegaram a fazer um manifesto em 2017, enviado ao então governador Geraldo Alckmin, em que repudiaram agestão de Ricardo Salles na secretaria do Meio Ambiente.

A rede de organizações apontou que Salles fragilizou diversas agendas fundamentais, como a educação ambiental, a regularização ambiental de imóveis rurais e as áreas protegidas e que não dá condições de diálogo com o movimento ambientalista e povos e comunidades tradicionais”.

Ministro do Meio Ambiente e réu em ação ambiental

O futuro ministro é réu em uma ação ambiental e de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público de São Paulo, na época em que ele era secretário do MeioAmbiente do então governador, Geraldo Alckmin (PSDB).

O MP-SPdenunciou Salles por supostamente favorecer empresas ligadas à Federação de Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), ao aprovar projetos que modificaram mapas de áreas de várzea do Rio Tietê, em 2016.

As áreas alteradas são apontada por técnicos como fundamentais para o controle de enchentes de grande volume.

O caso está pronto para sentença. À imprensa, Salles negou irregularidades: ”Sou réu, mas não há decisão contra mim. São todas (decisões liminares) favoráveis amim. Todas as testemunhas foram ouvidas, todas as provas produzidas e o processo está concluso para sentença, pode ser sentenciado a qualquer momento. Defendo que o que fiz é correto. O MP tem opinião diferente, mas continuo defendendo que as medidas que nós adotamos na secretaria para corrigir o plano de manejo da APA do Tietê eram extremamente necessárias. Portanto, assim foi feito”, concluiu.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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