‘Pedidos de intervenção militar são equivocados’, diz liderança dos caminhoneiros autônomos

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No Facebook, o presidente da ABCAM, José da Fonseca Lopes, afirmou que uma ação militar “não é remédio apropriado” para a situação dos grevistas.

Por Rafael Bruza

O presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros, (ABCAM), José da Fonseca Lopes e uma faixa a favor da intervenção militar, estendida durante a greve

O Presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros, (ABCAM), José da Fonseca Lopes, divulgou nota na página da entidade no Facebook em que condena os pedidos de intervenção militar, feitos em diversas localidades do país, durante a greve de caminhoneiros.

“Vocês sabem o que é uma Intervenção Militar?”, questiona o presidente da entidade. “No Brasil, as intervenções militares, segundo a Constituição Brasileira de 1988, só podem efetivar-se legalmente em três casos específicos:  1) intervenção federal;  2) Estado de Defesa;  3) Estado de Sítio. Então pessoal, não podemos clamar por uma Intervenção Militar, esse pedido está equivocado e não será o remédio apropriado para a nossa situação”.

Diversos cidadãos simpatizantes da greve de caminhoneiros, que cortou estradas por todo país na última semana, defenderam a “intervenção militar” durante os bloqueios.

No Rio Grande do Sul, por exemplo, manifestantes estenderam uma faixa de 60 metros, em frente a uma sequência de caminhões estacionados, para pedir fim do atual sistema democrático no Brasil.

Enquanto estes manifestantes tentavam incluir a bandeira da intervenção militar nos protestos, as lideranças da greve seguiram centradas na questão dos combustíveis e na política de preços da Petrobras.

“Não podemos clamar por uma Intervenção Militar, esse pedido está equivocado e não será o remédio apropriado para a nossa situação”, afirma Fonseca na nota. “Devemos tomar cuidado com o que estamos postando, porque numa intervenção militar os mesmos personagens continuaram no poder e penso que o povo quer mudar justamente isso, tirar esses hipócritas do poder agora. Não é isso mesmo que todos nós almejamos pessoal?”

A ABCAM afirma que é composta por 54 entidades filiadas, incluindo Sindicatos, Associações e Cooperativas. Com isto, a entidade diz que representa os interesses de 500 mil caminhoneiros.

“Se for necessário, as forças armadas por decisão do governo intervirão em favor da ordem a pedido do presidente da república e aí pergunto a todos: – é isso que estamos querendo? Vamos pensar um pouco nisso!!!”, conclui Fonseca.

Comentários mais curtidos

Os comentários mais relevantes da publicação da ABCAM confirmaram as palavras de José da Fonseca Lopes e manifestaram repúdio à ideia de “intervenção militar”.

“Finalmente uma instituição se pronunciou com coerência! Estão usando a greve legítima de vcs para disseminar ideias conservadoras e absurdas como o pedido de intervenção sem nem saberem o que isso significa. Eduquem a categoria de vcs!”, pede o internauta que recebeu mais curtidas no post.

“Mesmo porque, se hoje estivéssemos em uma intervenção militar, mesmo que o combustível estivesse 20 reais, ninguém estaria protestando, pois ou estariam presos, ou mortos…”, afirma o segundo comentário mais relevante.

“O presidente já pediu para os militares tomarem as ruas, para sair um decreto suspendendo as eleições desse ano por causa dessa estabilidade não demora. Por favor, vão estudar a história do golpe de 64, pois se isso voltar poderemos estar acabando com o futuro dos nossos filhos,” afirma outro internauta.

“Pois é ontem fomos dar apoio aos caminhoneiros da minha região, moro em tres coroas! Chegando lá a primeira coisa que vejo um caminhão com uma faixa pedindo intervenção militar, fomos até o organizador e dissemos que apoiavamos os caminhoneiros, jamais intervenção militar! Hoje a faixa já não estava mais lá!”, disse outro cidadão.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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