Perfil do TRF-4 curtiu tuítes do general Villas Boas

0

Tribunal que julgou o ex-presidente Lula em 2ª instância disse que “as curtidas não foram realizadas pelos gestores de conteúdo da página oficial do tribunal no Twitter” e “não representam a instituição”.

Por Rafael Bruza

Imagem que viralizou no Twitter mostrando curtidas recentes do TRF-4

O perfil no Twitter do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) curtiu os tuítes do general Eduardo Villas Boas que foram interpretados como possível uso de força militar caso o Supremo Tribunal Federal (STF) conceda Habeas Corpus ao ex-presidente Lula. O TRF-4, que condenou o ex-presidente Lula em janeiro, declarou em nota que “houve uso indevido da senha do Twitter do @TRF4_oficial nos dias 2 e 3 de abril por um servidor que auxilia na administração técnica da página e que curtiu tuítes pensando estar utilizando sua conta pessoal”.

“Salientamos que as curtidas não foram realizadas pelos gestores de conteúdo da página oficial do tribunal no Twitter e, deste modo, não representam a instituição”.

Ainda na nota, o tribunal declarou que “deverá tomar todas as medidas cabíveis sobre o incidente”.

Em janeiro, o TRF-4 condenou por unanimidade o ex-presidente Lula a 12 anos e 1 mês de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

Nesta quarta-feira (04), o Supremo Tribunal Federal julga o pedido de Habeas Corpus contra prisão de Lula.

Ocorreram manifestações em várias cidades do país e nas redes sociais contra o ex-presidente.

Dois tuítes

O general Eduardo Villas Boas publicou mensagens em seu perfil de Twitter nesta terça-feira (03) em “repúdio à impunidade”. As mensagens foram interpretadas como ameaça e possível interferência militar nas instituições, caso o Supremo Tribunal Federal (ST) conceda Habeas Corpus ao ex-presidente Lula.

 

 

Michel Temer fez um discurso em Brasília falando sobre “liberdade de expressão”, sem citar os tuítes diretamente.

O presidente se reuniu nesta terça-feira (3), no Palácio do Jaburu, com os ministros do núcleo duro do governo, Eliseu Padilha (MDB-RS) e Moreira Franco (MDB-RJ), após as mensagens do general Villas Boas.

A ordem no Planalto, até esta terça, era manter o silêncio oficialmente a respeito das declarações do general.

O ex-procurador Geral da República, Rodrigo Janot, reagiu aos tuítes.

“Se for o que parece, outro 1964 será inaceitável. Mas não acredito nisso realmente”, afirmou Janot.

 

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, disse que o Villas Boas “foi correto” e “no sentido da serenidade e de respeito à Constituição e às regras”

“Ele tem preocupação com preceitos constitucionais. E valoriza nossas bases, que são os anseios do povo, o legado em termos de valores para as gerações futuras. A mensagem é que a população pode ficar tranquila, pois as instituições estão aqui. Não é uma mensagem de uso da força. É o contrário”, afirmou o ministro.

 

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

Facebook Twitter LinkedIn 

Comente no Facebook