PF, Lava Jato e mais prisões – Resumão político do Brasil

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Esta coluna é uma parceria entre o Independente e o canal Politiké Por Bernardi (YouTube).

Por Vinicius Bernardi

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Muda a direção da Polícia Federal

No dia 8 de novembro, Michel Temer oficializou a troca de Leandro Daiello por Fernando Segóvia, ex-superintendente da PF no Maranhão.

Leandro Daiello era um dos mais longevos diretores-gerais da história da instituição, estando a frente da PF desde 2011. Ele foi uma escolha do governo Dilma Rousseff e atuou de maneira bem autônoma desde que assumiu o cargo.

Foi escolhido porque o então ministro da justiça José Eduardo Cardozo queria demonstrar diferenças entre Lula e Dilma. Apesar da imensa popularidade do lulismo na época, o escândalo do mensalão deixava parte da sociedade desconfiada e Dilma queria mostrar que a PF teria autonomia em seu governo.

A explicação para o longo período de Daiello vem com o crescimento da Lava Jato. Dilma, com receio de ser acusada da intervir na operação, não teve forças para trocá-lo em seu segundo mandato.

Já Temer, que escapou das denúncias e não se preocupa mais com popularidade, teve força para escolher um novo diretor-geral.

A escolha demonstra que o ex-presidente José Sarney, apesar de aposentado, ainda tem muita influência em Brasília. Isto porque, de acordo com uma matéria publicada pelo Estadão em setembro, Segóvia seria próximo de Sarney e era o nome que o PMDB queria indicar para a vaga.

Mas nem todo mundo ficou contente com a decisão. O ministro da justiça, Torquato Jardim, deixou claro seu desagrado em nota oficial dizendo que esta foi uma escolha do presidente.

Fernando Segóvia foi empossado no dia 10 de novembro em solenidade fora da agente de Jardim e disse que pretende “aumentar o combate à corrupção”.

Feridão para a Câmara dos Deputados

Faltou pauta sobre política nesta semana por causa do feriado da Proclamação da República (15 de novembro), que caiu em uma quarta-feira.

Enquanto que o Senado e o STF fizeram apenas uma sessão na terça-feira, a Câmara dos Deputados emendeu a semana inteira.

Inflação volta a crescer

Apesar do IPCA em 12 meses seguir abaixo da meta de 4,5% ao ano, ele acelerou 0,42% em outubro.

Isso aconteceu por causa do aumento de 3,28% na cobrança de conta de luz. Desde de outubro, entrou em vigor a cobrança adicional de R$ 3,50 a cada 100Kwh consumido.

Além disto, o botijão de gás aumentou em 4,49% e muitas famílias pobres em Maceió tiveram que trocar o fogão à gás por lenha, segundo matéria especial do UOL.

PSDB continua com problemas

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso não gostou que Aécio Nevese tirou Tasso Jereissati da presidência interina do partido e públicou apoio a Tasso nas redes sociais.

Aécio Neves, por sua vez, não gostou que Luciano Huck deletou suas fotos com ele nas redes sociais e disse que a candidatura dele seria a “falência da política”.

Já Geraldo Alckmin, que não queria se envolver em confusões, pode ter que concorrer à presidência do partido para garantir sua candidatura.

E João Dória, que queria se candidato à presidência da República pelo partido, talvez tenha que se contentar “apenas” com o cargo de prefeito.

Afinal de contas, José Serra é um nome quase certo para concorrer ao governo do Estado de São Paulo e substituir Alckmin.

Reforma ministerial

O ministro das cidades, Bruno Araújo, do PSDB-PE, pediu demissão do seu cargo e deu indícios de que os tucanos devem menos deixar o governo Temer em sua convenção nacional de dezembro.

Diversos partidos do centrão e o PP cobravam que Michel Temer tirasse os tucanos dos ministérios para que ele obtenha apoio da maioria no congresso novamente.

E PSDB deve facilitar a vida de Temer. O partido continuará apoiando as reformas, mas “sairá” do governo. Assim há uma chance maior do governo conseguir aprovar a nova proposta mais enxuta da Reforma da Previdência.

Reforma da previdência

Michel Temer quis dar uma sinalização positiva ao mercado e afirmou que a reforma será aprovada ainda neste ano com certeza.

A nova proposta mantêm os benefícios da aposentadoria rural e equipara trabalhadores privados aos servidores públicos.

O problema é que, segundo a Folha de São Paulo, o trabalhador teria que contribuir 44 anos para atingir o teto da aposentadoria.

Mesmo com a “certeza” de Temer, a reforma ainda passará por muitas negociações e talvez não seja aprovada a tempo.

A catástrofe chamada PMDB-RJ

No dia 16 de novembro, o TRF2 decidiu por unanimidade pela prisão cautelar do presidente da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, Jorge Picciani.

Também foi votada a prisão em flagrante de Edson Albertassi, o líder do governo do PMDB na Alerj, e do deputado Paulo Melo.

Por causa da constituição estadual do Rio, a decisão sobre a prisão ficou por conta da Alerj, onde o PMDB tem maioria. A votação ocorreu no dia 17 de novembro e, por 39×19 votos, a Alerj conseguiu revogar as prisões.

Eles foram alvos da Operação Cadeia Velha, uma investigação que apontou a “caixinha da Fetranspor”, como ficou conhecido o esquema de corrupção financiado pelos empresários de ônibus.

A operação já prendeu o ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, além de empresários ligados a Fetranspor como Lélis Teixeira e Jacob Barata Filho.

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Formado em Comunicação Social, pós-graduado em Marketing e estudante de história, desistiu da carreira no mundo corporativo para se dedicar a produção de conteúdo na internet. É criador do canal no YouTube Politiké Por Bernardi e sua luta é pela Educação Política.

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