Policiais obrigam repórteres da Ponte Jornalismo a apagar imagens de protesto

1

Jornalistas cobriam protesto dos estudantes secundaristas contra a PEC 241, que limita o teto dos gastos públicos, quando foram abordados pelos policiais junto com um grupo de manifestantes.

Informação – Por Rafael Bruza

Policiais abordam jornalistas da Ponte e manifestantes na a Diretoria Regional de Ensino Oeste, localizada na Sumaré / Foto - Reprodução (Democratize)
Policiais abordam jornalistas da Ponte e manifestantes na a Diretoria Regional de Ensino Oeste, localizada na Sumaré / Foto – Reprodução (Democratize)

Agentes da Polícia Militar (PM) obrigaram três jornalistas apagar fotos e vídeos de um protesto de estudantes secundaristas contra a PEC 241 nesta quarta-feira (12), na Diretoria Regional de Ensino Oeste, localizada na Sumaré. O repórter da Ponte Jornalismo, Daniel Arroyo, o freelancer Rogério de Santis e uma repórter que não quis se identificar acompanhavam alguns estudantes quando foram abordados pelos policiais.

Os agentes exigiram que o conteúdo registrado na cobertura fosse apagado.

“Tirou foto minha? Eu vou apreender sua câmera, nós vamos analisar, se tirou, eu vou apreender sua câmera. O que estiver vinculado à escola e à polícia pode apagar, senão vou apreender sua câmera”, afirma um agente.

Outro policial diz que as fotos devem ser apagadas porque eles também são “cidadãos de bem” e não querem sair na imprensa porque “um monte de ladrão” vai em sua casa “depois”.

“Para com essa mania de filmar polícia e veicular nossa imagem num monte de lugar, vocês entenderam? Não é assim que funciona as coisas, não”, afirmou o policial.

A câmera gravou a cena enquanto as imagens eram apagadas.

Após a abordagem, os jornalistas foram obrigados a ir até o 91º Distrito Policial (DP), na zona do Ceasa. Os policiais disseram que os repórteres foram levados contra sua vontade na condição de testemunha, segundo matéria da Ponte Jornalismo, que denuncia o caso.

Os repórteres cobriam um protesto dos estudantes secundaristas contra a PEC 241 e a proposta de reforma do Ensino Médio feita pelo Governo de Michel Temer, que começou na Praça Roosevelt, centro da cidade. De lá, os estudantes foram até a Secretaria Estadual de Educação, na Praça da República e depois decidiram ocupar a Diretoria Regional de Ensino Oeste, onde ocorreu a abordagem policial.

“Ao chegar na Diretoria, alguns estudantes pularam o muro e outros arrombaram o portão principal. Um segurança da Diretoria viu a tentativa de ocupação e ligou 190. Com a chegada da PM, 11 pessoas foram detidas, entre elas cinco adolescentes, O delegado plantonista do 91º DP considerou que o único crime cometido pelo crime foi o de dano ao patrimônio e liberou todos após registrar o boletim de ocorrência”, relata matéria da Ponte Jornalismo.

Procurada, a Secretaria de Segurança Pública disse que “foi instaurado inquérito policial no 23º DP para investigar dano contra o patrimônio público”.

Sobre as fotos apagadas, a assessoria de imprensa sugeriu a formalização de queixa na Corregedoria da PM “para apuração dos fatos por meio da declaração dos jornalistas”.

Ranking de liberdade de imprensa

Em abril, a ONG Repórteres sem Fronteiras rebaixou o Brasil em cinco posições no ranking de liberdade de imprensa por causa da “permanência de conflitos de interesses na mídia brasileira” e pelos “atos de violência perpetrados contra os jornalistas no país”, segundo comunicado da ONG (que pode ser visto na íntegra “clicando aqui”).

Após apontar que o Brasil é o terceiro país do mundo em que morrem mais jornalistas, ficando “atrás apenas de Méxido e Honduras”, o relatório da ONG diz que “também persistem” ações violentas feitas por agentes da Polícia Militar contra jornalistas que trabalham em manifestações.

“Os jornalistas locais, assim como os correspondentes internacionais que cobrem essas manifestações são frequentemente insultados, ameaçados e detidos arbitrariamente, quando não se tornam alvos dos próprios manifestantes que os associam aos proprietários dos meios de comunicação para os quais trabalham”, afirma o comunicado.

O Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa mede desde 2002 o grau de liberdade dos jornalistas em 180 países usando diversos indicadores como o pluralismo, a independência dos meios de comunicação, entre outros.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Formou uma parceria com um programador e lançou o Indepedente. Acredita que a mudança no mundo está dentro de cada um e trabalha para que seus leitores tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

Facebook Twitter LinkedIn 

Comente no Facebook