Por que eu sou contra continuar a piada de José de Abreu? Por Esther Solano

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Do Facebook da socióloga Esther Solano

Adianto que a resposta não é, com ele disse no Twitter, porque eu sou chata e não gosto de trepar. Não sou chata, e gosto de trepar, sim, senhor Abreu. Adianto também que o comentário dele sobre Marielle meu deu uma raiva imensa, mas bem, vamos lá.

Apareceu nestes dias na rede um texto muito interessante da Rita Almeida defendendo a piada dele desde a perspetiva da psicanálise. O argumento era o seguinte: como a candidatura-governo Bolsonaro tem aspectos de delírio (e tem mesmo, concordo), uma forma válida de desconstruir parcialmente o delírio seria contrapondo este a outro delírio.

Repito, interessante a reflexão, só que na bolha bolsonarista não está funcionando. Como vocês sabem eu faço pesquisa com Bolsonaristas.

Dediquei-me esta semana a falar com alguns deles sobre Abreu e entrar em algumas redes de direita para entender o fenômeno:

1) Duas pessoas bolsonaristas de classe mais popular me disseram a mesma frase “Não conheço. Eu não tenho o tempo que vocês têm de estar na internet. Trabalho o dia todo porque a crise está brava como para me preocupar de essa palhaçada de vocês” O que era o importante para elas? José de Abreu? Não, a crise.

2) Vários dos que conheciam o caso, e assim também o li em diversas redes de direita, tinham a mesma perceção: comunista, petralha, Lei Rouanet.

A piada não impactou neles o mais mínimo a não ser para servir de exemplo de caricatura e fantoche da esquerda e para muitos deles rirem a nossa custa.

Sabem o que sim está impactando?

Que há trabalhadores que votaram em Bolsonaro, são contra a reforma da previdência e estão dicutindo isso. Onde estamos nós para aproveitar o descontentamento desses trabalhadores, para conversar com eles, olho no olho, com propostas, com seriedade?

Estamos zoando com José de Abreu. A reforma da previdência está ai e vai passar.

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