Presidenciáveis se posicionam sobre porte de armas

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Distribuir armas para a população é uma insanidade, diz Marina Silva

A pré-candidata à presidência da República, Marina Silva, da Rede Sustentabilidade, disse em vídeo publicado no facebook que armar a população civil é uma insanidade.

Marina Silva defende a criação de um Plano Nacional de Segurança que trabalhe com a integração das polícias, com inteligência e tecnologia, para fazer a abordagem efetiva do tráfico de drogas e de armas.

E conclui o seu comentário com a seguinte indagação: “ninguém vai fazer justiça com as próprias mãos, certo”?

Marina Silva x Jair Bolsonaro

A posição da pré-candidata da Rede diverge da de Jair Bolsonaro, pré-candidato do PSL. Neste vídeo, em dobradinha com a jornalista Rachel Sheherazade, o direitista defende o fim do estatuto do desarmamento.

Em passagem pelo Japão, no início do ano, Bolsonaro sugeriu que mulheres tenham “uma pistola em casa” em vez de contar com “aquela palhaçada da Lei do Feminicídio”. “Se a mulher tiver uma arma em casa, [o vagabundo]não vai fazer besteira.”

Em matéria [aqui] de Anna Virginia Balloussier, em 05 de março de 2018, pela Folha de São Paulo, a jornalista levantou a opinião dos presidenciáveis sobre o estatuto do desarmamento.

De doutrina liberal, João Amoedo (Novo) se diz contra o Estatuto “em respeito às liberdades individuais”. “Não é razoável o que temos: a assimetria criada por uma lei que desarma o cidadão de bem, mas deixa as armas nas mãos do assassino. O Estado incapaz de nos defender dos 60 mil homicídios anuais não pode acabar com os meios da legítima defesa.”

De centro liberal, Álvaro Dias (Podemos) defendeu que segurança pública é responsabilidade do estado, mas complementou que esse detalhe não impede a flexibilização do acesso ao porte “entendo que cabe ao Estado oferecer segurança à sociedade. Afinal, pagamos impostos. Mas isso não nos impede de oferecer ao cidadão a liberdade de decidir sobre o porte.”

Outro centrista liberal, Geraldo Alckmin (PSDB), foi enfático na defesa de restrição ao porte de armas e exclusividade do estado no combate à violência urbana, “a luta contra o crime deve ser feita por uma polícia treinada, moderna e valorizada”. O Brasil já tem uma legislação restritiva sobre porte de armas. Não se trata de restringi-la nem flexibilizá-la.”

De centro-esquerda, Ciro Gomes segue a mesma linha de Geraldo Alckmin “Segurança pública não se resolve armando toda a população. Se resolve com investimento em inteligência, polícia bem treinada, bem paga e, acima de tudo, políticas publicas de educação, saúde, cultura e lazer para não deixar a juventude ser aliciada pelo crime”.

À esquerda, Guilherme Boulos, na ocasião prestes a se filiar ao PSOL, disse “vai apenas criar uma falsa sensação de segurança e ampliar os crimes de ódio. Imaginem se cada intolerante que esbraveja e ataca nas redes sociais tivesse uma arma?”. Manuela D’Ávila, PC do B, também se mostrou contrária à flexibilização do porte de armas, e complementou dizendo que as mulheres seriam as principais vítimas, “quando as pessoas estão armadas, está comprovado que as mulheres são as maiores vítimas da violência”.

Lula não expressou a sua opinião para a matéria, mas ele sancionou o estatuto do desarmamento, em 2003, durante o seu mandato de presidente.

Vídeo com a opinião de Marina Silva:

Milhares vão às ruas nos EUA contra flexibilização do porte de armas

Cerca de um milhão de norte-americanos foram às ruas em 24 de março de 2018 para exigir do governo mais rigidez no acesso às armas. O movimento ganhou força com a tragédia que matou 17 pessoas em uma escola em Parkland, na Flórida, em fevereiro deste ano. O atirador era um ex-aluno de 19 anos que tinha um rifle AR-15.

Os manifestos são chamados de “Marcha pelas nossas vidas” e pede a proibição da comercialização de fuzis de assalto, da venda livre de carregadores para armas semiautomáticas e o reforço dos controles de antecedentes das pessoas interessadas em comprar armas.

Os atos tiveram a adesão de pessoas famosas, como o músico Paul McCartney, que lembrou em Nova York a letalidade das armas. “Um dos meus melhores amigos foi vítima da violência com arma de fogo perto daqui”, declarou McCartney, em referência ao assassinato a tiros de John Lennon, em 1980.

Íntegra da matéria do G1 aqui

 

Jornalista e formado em ciência política pela UNESP, André Henrique já atuou como docente, assessor parlamentar e consultor político, mas é no jornalismo que o sociólogo se realiza profissionalmente, especialmente na editoria de política.

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