Posição do PSDB sobre Temer deve decidir futuro do Governo

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Decisão pode gerar efeito cascata, incentivando outras siglas a romperem com o Governo Federal.

Atualização: a decisão do PSDB foi adiada e será tomada em reuniões feitas na terça-feira (23). Dos 47 deputados da bancada, 12 defendem a saída do Governo, inclusive o deputado que protocolou pedido de Impeachment contra Michel Temer.

Por Rafael Bruza

O presidente interino do PSDB, Tasso Jereissati (CE), o ex-ministro José Serra, e o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes / Foto – Reprodução (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Atualização: a decisão do PSDB foi adiada e será tomada em reuniões feitas na terça-feira (23). Dos 47 deputados da bancada, 12 defendem a saída do Governo, inclusive o deputado que protocolou pedido de Impeachment contra Michel Temer.

Segundo informações do Painel da Folha de S. Paulo, o PSDB decidirá no início de noite desta sexta-feira (19) se continua ou não no Governo Federal comandado por Michel Temer. A saída do partido tende a gerar o chamado “efeito cascata”, onde outras siglas seriam incentivadas a romper com Temer diante da eventual saída dos tucanos. Como primeira medida após assumir a presidência interina do PSDB, no entanto, o senador Tasso Jereissati (CE) pediu que os quatro ministros do PSDB continuem em seus cargos.

“Mantendo sua responsabilidade com o país, que enfrenta uma crise econômica sem precedentes, o PSDB pediu aos seus quatro ministros que permaneçam em seus respectivos cargos, enquanto o partido, assim como o Brasil, aguarda a divulgação do conteúdo das gravações dos executivos da JBS”, diz nota assinada pelo senador e divulgada à imprensa.

Jereissati foi indicado por Aécio Neves para assumir o partido e é apontado por alas tucanas como um possível candidato do PSDB à Presidência da República, caso ocorram eleições indiretas no Congresso Nacional.

O senador conversou com Michel Temer na noite desta quinta-feira (18), quando dois, dos quatro ministros tucanos no Governo Temer, pretendiam romper com o Governo.

Bruno Araújo (Cidades) e Aloysio Nunes (Relações Exteriores) chegaram a escrever carta de renúncia, mas não formalizaram a saída.

Os outros ministros do partido são Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo) e Luislinda Valois (Direitos Humanos).

Alguns políticos do PSDB minimizaram as denúncias contra o presidente, que virou alvo de inquérito na Procuradoria-geral da República com autorização do ministro Edson Fachin.

O líder do PSDB no Senado, Paulo Bauer (SC), disse que a renúncia é uma decisão de “foro íntimo”, sobre a qual não cabe ao partido opinar.

– Se cada vez que a gente ouvisse uma notícia tivesse que haver uma renúncia…Você acha assim, outro acha ali, não sei o que o Temer acha. O presidente já deu a manifestação dele dizendo que vai permanecer no cargo e dar as explicações. Nem ele conheceu ainda o teor completo da gravação. A questão da renúncia é de foro íntimo, é muito pessoal, não dá para fazer juízo a respeito de decisão pessoal. E acredito que ele conhece exatamente os fatos que foram apontados pela Justiça e deve ter segurança pessoal em relação ao que de fato aconteceu. Só ele tem conhecimento pleno, ele teve a conversa com o empresário e deve saber o que foi dito e o que não foi dito – afirmou o senador ao jornal O Globo.

Depois do PMDB, os tucanos têm as maiores bancadas no Congresso Nacional, com 11 senadores e 47 deputados.

Além do PSDB, outros partidos cogitam romper com o Governo de Michel Temer após divulgação das delações premiadas dos donos da JBS.

Análise – Tucanos farão a trilha

Na visão de tucanos e de boa parte da imprensa corporativa, Temer precisa demonstrar que terá capacidade de aprovar a Reforma da Previdência e Trabalhista para seguir na Presidência da República.

Nem a imprensa, nem o mercado financeiro e nem os aliados de Temer demonstram interesse em desistir dessas propostas, que ficaram abaladas junto com a imagem do presidente por causa do escândalo da JBS.

Temer esteve prestes a renunciar nesta quinta-feira (18). O abalo do escândalo de corrupção e a queda de 10% na Bolsa de Valores comprometeram, em grande parte, a governabilidade do Governo e consequentemente a capacidade de aprovar as medidas.

Nesse cenário, o vice-presidente do PSDB, Alberto Goldman, afirmou que Temer “perdeu a condição de presidir”. Acabou o Governo”, afirmou o tucano.

Temer, no entanto, usou sua experiência de articulador político para contornar a crise.

Com carta de renúncia escrita e pronta, o presidente disse em pronunciamento feito às 16h que não renunciaria sem ver o conteúdo completo das gravações.

Logo começou a questionar as gravações, dizendo que são ilegais. Contratou um perito para analisar os áudios, afirmando que os mesmos foram editados por Joesley, e vários aliados se posicionaram a favor do presidente.

Hoje, sexta-feira (19), a Bolsa de Valores começou os trabalhos com alta de 2% – até às 12h, pelo menos.

A situação, no entanto, continua delicada.

A impopularidade do Governo – que tem aprovação de apenas 4% -, a pressão constante da imprensa, o crescimento da oposição e as manifestações de rua aparecem como agentes de instabilidade que tendem a abalar a governabilidade de Michel Temer no Congresso Nacional.

Sem apoio no Legislativo, Temer cai, seja por Impeachment ou por renúncia.

Então as conversas desta sexta-feira (19) são chave para o futuro do Governo de Michel Temer.

Caso o PSDB não seja convencido a apoiar o presidente, a tendência é que outros partidos como o DEM e o PP rompam também, formando um efeito cascata praticamente irreversível.

Nesse sentido, convém lembrar que a Globo está em profunda campanha contra o Governo – pois sua credibilidade está em jogo após a divulgação completa dos áudios, que, na visão de alguns governistas, “não pioram a situação de Temer”.

Então, apesar de Temer ter sobrevivido, a oposição da Globo continuará de forma incisiva e novos áudios estão sendo divulgados, piorando a situação do presidente.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Formou uma parceria com um programador e lançou o Indepedente. Acredita que a mudança no mundo está dentro de cada um e trabalha para que seus leitores tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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