Pressionado, Paulo Guedes cancela compromissos de campanha em cima da hora

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Jair Bolsonaro determinou que o economista e seu vice, general Mourão, reduzam as atividades eleitorais após polêmicas geradas por declarações de ambos.

Por Rafael Bruza

O presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) e seu coordenador econômico, Paulo Guedes

O economista Paulo Guedes, coordenador do plano econômico do candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro (PSL), deixou de comparecer a três eventos de campanha em dois dias, após o presidenciável determinar que ele e o vice, general Hamilton Mourão (PRTB) reduzam suas atividades eleitorais por conta de declarações polêmicas de ambos.

Paulo Guedes já havia cancelado sua participação no programa Roda Viva (TV Cultura), na segunda-feira (17) que teve presença dos coordenadores de planos econômicos de Geraldo Alckmin (PSDB), Fernando Haddad (PT) Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede).

Nesta quinta-feira (20), Paulo Guedes também decidiu não comparecer a uma reunião com clientes do banco Credit Suisse. Um dia depois, cancelou eventos na Câmara de Comércio Americana em São Paulo e outro na Expert XP.

Todos os cancelamentos foram feitos horas antes dos eventos agendados. A nota enviada por Paulo Guedes aos organizadores dos encontros desta sexta-feira (21) não explica razões do cancelamento.

A imprensa noticiou, no entanto, que Bolsonaro vem pedindo a Mourão e Guedes reduzam suas atividades de campanha para controlar o desgaste gerado por declarações polêmicas dos dois.

Proposta polêmica

Os cancelamentos de Paulo Guedes ocorrem em um momento de pressão sobre a candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência da República.

Na terça-feira (18), o economista anunciou em uma palestra com público restrito da empresa GPS Investimentos que poderia propor um imposto nos moldes da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), que incide sobre movimentação financeira e, na proposta de Guedes, substituiria outros cinco tributos.

A sugestão repercutiu na imprensa e desagradou Jair Bolsonaro, que ligou para Paulo Guedes para pedir esclarecimentos sobre a proposta.

O coordenador da campanha do militar em São Paulo, Major Olímpio (PSL), disse à Reuters que Bolsonaro não havia sido consultado pelo economista sobre a sugestão.

Pressionado, então, o presidenciável foi às redes sociais para se pronunciar sobre a declaração de Guedes.

“Ignorem essas notícias mal intencionadas dizendo que pretendemos recriar a CPMF. Não procede. Querem criar pânico, pois estão em pânico com nossa chance de vitória. Ninguém aguenta mais impostos”, postou o candidato do PSL.

Dentro da campanha de Bolsonaro, aliados sustentam que Paulo Guedes deve consultar o presidenciável antes de tornar propostas públicas.

Adversários de Bolsonaro na disputa presidencial, como Geraldo Alckmin (PSDB) e Ciro Gomes (PDT), aproveitaram a polêmica para criticar a proposta de Paulo Guedes.

Alckmin declarou que a medida seria “um tiro no pobre” e Ciro acusou Guedes de querer “instrumentalizar economicamente o fascismo”.

Problemas com Mourão

Declarações e a movimentação eleitoral do candidato a vice também constrangeram Bolsonaro e a cúpula da campanha nos últimos dias.

Do quarto do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde se recupera do atentado a faca que sofreu, Bolsonaro acompanhou pelo noticiário Mourão defender uma Constituição elaborada por não eleitos e a ideia de que filhos criados por mães e avós, sem a presença do pai, correm mais risco de entrar para o tráfico.

Ao visitar Bolsonaro no hospital na terça-feira (18), o general da reserva ouviu uma determinação. O presidenciável pediu que o vice suspendesse a agenda de viagens. O candidato ao Planalto avaliou que a campanha entrou num momento decisivo e que não podia correr mais riscos, segundo relataram à reportagem integrantes da equipe.

O general da reserva encurtou uma viagem ao interior de São Paulo, que iria até sexta-feira (21), e cancelou um evento, no domingo (23), em Porto Alegre. Ele ficará em sua casa no Rio para uma “reavaliação de discurso”, informou um assessor ao Portal UOL.

Mourão pretende, ainda segundo a assessoria, descansar depois de 15 dias de viagens e eventos.

Mais dúvidas (análise)

Os sucessivos cancelamentos de compromissos de agenda de Paulo Guedes geram mais dúvidas do mercado financeiro sobre a campanha de Jair Bolsonaro (PSL).

Diante das quedas de Geraldo Alckmin nas pesquisas de intenção de voto, setores desse mercado financeiro vêm optando por apoiar a candidatura do militar contra o adversário de 2º turno, que deve ser Fernando Haddad (PT) ou Ciro Gomes (PDT).

Estas empresas, no entanto, querem garantia de que Paulo Guedes promoverá medidas a favor do livre-mercado e das privatizações na economia.

A proposta de criar um imposto nos moldes da CPMF, neste sentido, surpreendeu analistas e gerou apreensão no mercado.

Nas palavras de analistas ouvidos pelo blog de Valdo Cruz (Grupo Globo), Paulo Guedes não terá tanta autonomia para tomar suas decisões no comando da economia, como vinha alardeando o candidato em entrevistas antes da facada ao presidenciável.

A posição final de Bolsonaro na polêmica sobre a CPMF de Paulo Guedes, no entanto, segue a linha que o mercado deseja – de não criar novos impostos.

Agora a campanha do militar deve redesenhar suas estratégias para evitar situações polêmicas, como ocorreram nesta semana.

Veja uma análise sobre a posição do mercado financeiro e do “centrão” em relação à candidatura de Jair Bolsonaro.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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