Procurador da Lava Jato diz que governo Temer ‘sufoca a Polícia Federal’

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Carlos Fernando Dos Santos Lima também afirmou que não há dinheiro “nem para a emissão de um documento necessário como o passaporte” e questionou a quem interessa a redução da equipe da Lava Jato.

Por Rafael Bruza

O procurador da República, Carlos Fernando Dos Santos Lima / Foto – Reprodução (Facebook)

Comentando o anúncio da Polícia Federal sobre a suspensão de emissão de passaportes por tempo indeterminado, feita por conta de “insuficiência do orçamento”, o procurador da República, Carlos Fernando Dos Santos Lima, que compõe a força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba, disse em seu perfil de Facebook que “o governo Temer sufoca a Polícia Federal.

“Nem dinheiro para a emissão de um documento necessário como o passaporte. Imagine como está a continuidade das diversas investigações pelo país. Na Lava Jato a equipe da polícia foi significativamente reduzida. A quem isso interessa”? – questionou o procurador.

Em maio deste ano, a Polícia Federal reduziu a equipe destacada para a força-tarefa da Operação Lava Jato, em Curitiba, e contingenciou 44% do orçamento de custeio previsto para 2017.

Com isto, a equipe da Lava Jato, formada por nove delegados federais até o início de 2017, passou a ter quatro delegados cuidando dos cerca de 180 inquéritos em andamento. Também há a intenção de se acabar com a atuação exclusiva deles para a força-tarefa.

Na época, o mesmo procurador declarou em entrevista ao Estadão que os cortes no orçamento e a redução da equipe da Lava Jato fazem parte de uma “estratégia de governo” para “sufocar lentamente” as investigações da operação.

“O governo preferiu o método suave, o sufocamento lento”, disse o procurador em maio. “Tirando a Polícia Federal, nós ficamos sem o braço operacional. Nós temos dificuldade de fazermos novas operações. Isso tem até se refletido já nesse ano com poucas operações e de menor grau”.

Outras críticas a Temer

Nesta quarta-feira (28), o procurador fez mais críticas públicas a Michel Temer ao comentar a denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) contra o presidente.

“A denúncia contra Temer descreve um fato criminoso, corrupção passiva, de modo adequado e suficiente e está suportada por uma quantidade de provas e evidências poucas vezes vista em casos dessa natureza. A Força Tarefa Lava Jato em Curitiba trabalha em conjunto com o grupo de trabalho da PGR. Há confiança no trabalho recíproco e na honestidade pessoal de todos, especialmente na integridade e espírito público de Rodrigo Janot”, declarou o procurador em seu Facebook.

Carlos Fernando Dos Santos Lima também criticou o pronunciamento do presidente e o desafiou a deixar o caso chegar ao Supremo Tribunal Federa (STF) – lembrando que a denúncia da PGR precisa da aprovação de dois terços dos votos da Câmara dos Deputados para ser analisada na Suprema Corte.

“O ataque de Temer foi da mesma desqualificação dos ataques que temos recebido de Lula. Incapaz de se defenderem dos fatos, tentam criar uma cortina de fumaça sobre eles. Pretendem acusar os acusadores, na esperança vã de enganar a população. Se Temer confia tanto na ausência de provas, que se deixe julgar pelo STF. Que a Câmara dos Deputados não se torne um sepulcro caiado”, provocou o procurador ao compartilhar um editorial da Folha de S. Paulo chamado “a agonia de Temer” e publicado nesta quarta-feira.

Suspensão de passaportes

O anúncio da suspensão de passaportes ocorreu nesta segunda-feira (27). De acordo com nota da Polícia Federal, o agendamento online e o atendimento nos postos estão mantidos, mas a entrega dos novos passaportes dependerá da normalização da situação orçamentária.

“A medida decorre da insuficiência do orçamento destinado às atividades de controle migratório e emissão de documentos de viagem”, informou a PF.

 

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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