Propaganda do PSDB foi calculada para tirar o partido da base e desestabilizar Temer

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Por André Henrique

Os objetivos centrais da propaganda partidária do PSDB: desestabilizar o governo Temer e precipitar a saída do partido da base do governo.

Muitos analistas estão a apontar as incoerências que o PSDB cometeu em sua propaganda partidária levada ao ar nesta quinta (17), e a maioria entende que houve erro de cálculo político. Será que faltou mesmo cálculo para os responsáveis pela peça?

Vamos lá. O programa do PSDB deu a senha para o centrão pressionar Michel Temer a expurgar os tucanos do governo. E não é isso que a ala liderada por Tasso quer?

A situação política que havia se tranquilizado, depois de Temer derrotar Janot na Câmara, voltou a ficar agitada para o lado do governo.

Desde a vitória na Câmara, o presidente da República busca não se indispor com o presidente da Câmara Rodrigo Maia nem com o PSDB.

Michel Temer precisa da base governista coesa para aprovar a reforma da Previdência e encaminhar a reforma política e a flexibilização tributária.

O peemedebista ambiciona chegar a 2018 com a marca de reformista e com melhores índices econômicos. Neste caso, Temer poderia se viabilizar como alternativa, no presidencialismo e principalmente no parlamentarismo.

Só maluco considera que Michel Temer não tem pretensões de continuar no comando do país após 2018. Mas enfim.

Acontece que uma ala do PSDB quer ver o peemedebista pelas costas, e foi ela que levou ao ar a inserção de quinta.

Cada palavra foi milimetricamente racionalizada. A propaganda criticou o “presidencialismo de cooptação” e o toma lá da cá dos deputados e senadores com o governo, em uma menção indireta a distribuição de emendas a deputados que salvaram Temer dia 02 de agosto.

A linguagem moralista e apolítica dialoga com setores da sociedade que estão fulos com os políticos tradicionais e com o governo também.

A intenção do grupo tucano liderado por Tasso Jereissati é pular fora do barco governista e controlar o PSDB para 2018.

E não estão sozinhos nessa peleja, tendo em vista que tem gente grande, inclusive na grande mídia, empenhada na queda de Temer e não engoliu a derrota do dia 02. Eu me refiro à rede Globo.

A ala liderada por Tasso não chutou a lata por puro exercício de crise de consciência. Aquela papagaiada de admitir erros não passa de adereço, os objetivos centrais são: constranger o governo Temer e tirar o PSDB da base.

Nesta sexta (18), Tasso e Dória participaram de evento político em Fortaleza, o cearense disse que o paulista tem condições de disputar a presidência da República pelo PSDB, assim como Alckmin e Serra.

Tasso reafirmou as teses defendidas na propaganda partidária.

Dória busca se viabilizar nas internas do partido e crescer nas pesquisas, para, combinadas essas variáveis, anular Geraldo Alckmin.

Os afagos do cearense no “apolítico” Dória se coadunam com a linguagem do programa tucano de quinta.

As reações de repúdio dos tucanos ministros evidenciam o quanto o PSDB está dividido e sem rumo. Eis o principal parceiro de Michel Temer, não para de lhe oferecer dores de cabeça.

Mas como em política o ditado “antes só que mal acompanhado” tem pouca validade, resta ao peemedebista reordenar o que a propaganda tucana desordenou.

Além de apagar o fogo ateado por Tasso, o presidente da República poderá ser cercado pelas chamas de Funaro, Cunha e da próxima denúncia de Rodrigo Janot.

Quanto mais crise, mais extenuados governo e governante para resistirem a futuras pressões. Tasso sabe disso muito melhor do que nós; vai daí a ação de caso pensado.

As críticas de ordem teóricas e ideológicas ao programa são irrelevantes em termos de realpolitik.

 

Jornalista e formado em ciência política pela UNESP, André Henrique já atuou como docente, assessor parlamentar e consultor político, mas é no jornalismo que o sociólogo se realiza profissionalmente, especialmente na editoria de política.

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