‘PT teria dificuldade de abrir mão de candidatura própria’, diz cientista político

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Pedro Fassoni Arruda, da PUC-SP, afirma que o PT pode perder assentos no Congresso caso desista de lançar candidato próprio.

Por André Henrique, edição de Rafael Bruza

Nas últimas semanas, políticos do PCdoB, como Manuela D’Ávila e o governador do Maranhão, Flavio Dino, sugeriram que PT, PDT, PSOL e PCdoB lancem candidatura única no 1º turno das eleições presidenciais. O PT, no entanto, nega a possibilidade e lançará a candidatura de Lula nesta sexta-feira (08). Neste contexto, o professor e doutor em Ciência Política da PUC-SP, Pedro Fassoni Arruda, afirma que um eventual apoio do PT a Ciro Gomes (PDT) pode dificultar a eleição de candidatos do PT para o Congresso Nacional.

“Uma candidatura (a presidente) pode puxar votos para o Legislativo. Então, apoiar a candidatura de Ciro Gomes poderia prejudicar o desempenho do PT nas votações para o Congresso, correndo risco de até mesmo perder as cadeiras que tem lá”, diz Fassoni.

O professor, que declara voto em Guilherme Boulos (PSOL) em seu perfil de Facebook, acredita que Lula e o PT mantém uma “estratégia questionável” para as eleições presidenciais.

“Ele (Lula) trabalha com uma variável sob a qual não tem o menor controle, ou seja, a questão de se tornar ou não inelegível para a eleição de outubro”, afirma. “A recusa em discutir um plano B acaba reforçando este culto à personalidade do ex-presidente. Não se trabalha com ideias, mas sim com um nome. Não com propostas, mas sim com o carisma do ex-presidente. E isso dificilmente consegue ser transferido a outro candidato do partido, algo complicado, caso Lula não seja candidato à Presidência”.

Para Fassoni, a estratégia eleitoral do PT tem gera consequências.

“Por um lado, levanta a questão da partidarização do poder Judiciário e da judicialização da política. É muito importante levantar a bandeira de que Lula é um preso político. Por outro lado, ao concentrar a discussão neste ponto específico, o debate acaba despolitizado porque não gira em torno de programas. Quais seriam as propostas do Lula? Com quem ele faria alianças? Faria mudanças estruturais? Há temas importantes que não estão sendo discutidos neste momento. Muitas questões que deixaram de ser feitas nos seus 8 anos de governo seguem sem perspectiva de ser feitas”, argumenta.

Crítico do Governo Temer, Fassoni afirma que “é possível governar sem o MDB e o mercado”.

Ele também classifica Ciro Gomes como alguém de “centro, centro-esquerda” e critica Marina Silva por ser uma “mulher que não defende feminismo”, além de “ambientalista que não se manifestou sobre a tragédia de Mariana”, feita pela Samarco.

Veja a entrevista na íntegra

 

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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