‘Reforma da Previdência fará brasileiro depender menos do estado’, diz educador financeiro

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O educador do Blog de Valor, André Bona, acredita que a menor dependência do Estado incentiva o empreendedorismo entre jovens. No outro lado, opositores da Reforma da Previdência argumentam que a proposta gerará perda de direitos dos trabalhadores e precarização do trabalho no país.

Por Alain Petterson

O educador financeiro, André Bona / Foto – Reprodução

O texto base da Reforma da Previdência foi aprovado na comissão especial da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (03) e seguirá para votação no plenário da casa, onde precisa de 308 votos para ser aprovada. O projeto tem recebido grande atenção em função dos protestos e discussões que estão ocorrendo no país.

André Bona, educador financeiro do Blog de Valor, alerta que “o colapso das contas públicas leva o governo a tentar fazer uma reforma com o intuito de trazer a previdência a um patamar de racionalidade, e ao envelhecimento da população, que do ponto de vista previdenciário é um problema mundial. Traduzindo-se em pessoas produzindo para pagar custos de outros que não produzem e que cada vez terão uma expectativa de vida mais alta”, ressalta Bona.
Há quase 13 milhões de brasileiros desempregados. Muitos são jovens que já estão na faculdade, porém, já se preocupam por não saber se estarão trabalhando quando finalizarem a graduação. E isso acaba gerando buscas por concursos públicos, segundo Bona.

“Ao contrário dos países desenvolvidos, onde o jovem universitário de classe média almeja criar uma nova Startup ou uma empresa que poderá mudar o cenário nacional ou mundial, no Brasil o que se almeja é tornar-se um servidor público, para que teoricamente se possa desfrutar de uma vida financeira estável. A reforma traz uma oportunidade para que isso seja mudado, e este conceito envelhecido seja derrubado”, comenta André Bona.

O educador financeiro, vê uma dependência da população sobre o Estado em relação à previdência, e prevê uma sociedade brasileira caminhando com seus próprios pés após a reforma.

“Temos na Reforma da Previdência um grande estímulo ao aprendizado individual, que é a obrigatoriedade que nós possuímos, e a partir de agora de ser responsável pela própria vida e pelo próprio futuro econômico. Com isso, adquirir educação financeira e trabalhar em suas finanças com diligência para formar a própria aposentadoria e assim ganhar autonomia e muito mais segurança”, argumenta André Bona.

Como o amadurecimento individual é difícil, Bona conclui que estamos passando pelo mesmo processo de uma maneira coletiva, em sociedade, e por isso tantos questionamentos por conta da nova fase.

“O que está diante de nós agora é a hora de estudar, aprender e assumir o controle da própria vida financeira. A população será obrigada a guardar dinheiro e procurar informações sobre como investir. Será a maior revolução econômica individual que o país já viu”, conclui.

Outro lado

Durante a convocatória para a greve geral do dia 28 de abril, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) se manifestou contra todos os pontos das reformas apresentadas pelo governo do presidente Michel Temer.

“Com a terceirização e a reforma trabalhista no Brasil, a gente vai observar o rebaixamento dos direitos dos trabalhadores. É estabelecer o padrão do trabalho escravo para o conjunto dos trabalhadores brasileiros”, disse o presidente da CUT em São Paulo e membro da direção nacional, Douglas Izzo. A central reúne 3.960 entidades filiadas.

Segundo Izzo, as regras previstas na reforma abrem a possibilidade de precarização do mercado de trabalho e “vão superexplorar os trabalhadores, com o fim dos seus direitos e abrindo, do ponto de vista legal, amparo para os empresários explorarem ainda mais os trabalhadores ao acabar com a Justiça do Trabalho”. Entre as medidas aprovadas pela Câmara dos Deputados na reforma trabalhista, está a que impede o empregado que assinar a rescisão contratual de questioná-la posteriormente na Justiça. Outro ponto é a limitação de prazo para o andamento das ações.

Para a CUT, a reforma da Previdência só traz “prejuízos ao trabalhador brasileiro”. “Não aceitamos os argumentos do governo”, afirma Izzo. Segundo o sindicalista, a central sindical não participou de negociações com governo nas reformas previdenciária e trabalhista.

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