Reinaldo Azevedo não dá ponto sem nó em entrevista com Michel Temer

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Por André Henrique 

A entrevista de Reinaldo Azevedo com o presidente da República, Michel Temer, realizada na noite desta segunda-feira (03/07), na Rádio BandNews, foi tratada por sites de direita e de esquerda como “chapa branca”.

Os críticos afirmam que o jornalista não fez questionamentos ao presidente sobre a prisão, ocorrida no dia da entrevista, do ex-ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima.

O próprio entrevistador logo no início do diálogo afirma que não perguntaria sobre a prisão porque o presidente não é da justiça nem tem obrigação de responder a respeito, ignorando o caráter político de um fato que envolve um aliado de três décadas e um ex-ministro de Temer.

As perguntas de Azevedo foram as chamadas “bolas levantadas”, para o presidente da República apenas encostar para o fundo das redes.

O jornalista deu o primeiro passe: “presidente, que história é essa de o sr estar meio desanimado?” Daí Temer teve a chance de dar a sua versão sobre a notícia que pululou o noticiário na segunda-feira de que o presidente e sua família estariam abatidos por conta das denúncias e das crises sucessivas.

Reinaldo fez embaixadinhas com Michel Temer e deu ao presidente palanque para o mesmo jactar-se dos portentosos progressos da economia, como a queda da inflação, o aumento das vendas das fábricas brasileiras e a melhora no comércio exterior, em um país com 13 milhões de desempregados. Vale ressaltar avanços? Vale. Como vale questionar se os mesmos têm impactos estruturais e se são sustentáveis ou não.

Mas Reinaldo foi escalado para fazer tabelinhas com Michel Temer que não foi altercado em nenhum momento sobre as acusações de corrupção, obstrução de justiça e organização criminosa, apenas completou um lançamento de Reinaldo Azevedo para dar um recado aos deputados adjetivando a denúncia do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, como “inepta, inconsistente e frágil…”

Trocando o ofício de jornalista pelo de parlamentar da base, o ex da Veja disparou: “eu espero que os deputados coloquem fim a essa aventura […] de caráter golpista”, referindo-se à denúncia de Janot.

Os blogs de direita comemoram a suposta queda de audiência de Reinaldo Azevedo e os de esquerda batem no jornalista acusando-o de aliado do presidente da República. Com isso, no “mercado de ideias”, sobra pouca torcida para Reinaldo voltar a ser o que foi entre 2006 e 2014: “o queridinho dos antipetistas”.

O jornalista encontra-se na mira da militância virtual tanto da direita como da esquerda, mas segue do lado dos patrões. Há pouco mais de um mês, o grupo Bandeirantes, para o qual Reinaldo Azevedo trabalha depois de demitido da Veja, defendeu em editorial, lido em rede nacional, pelo jornalista Ricardo Boechat, a permanência de Michel Temer na presidência da República.

Editorial:

Conclui-se, com isso, que Reinaldo Azevedo não dá passes, quer dizer, lançamentos, ou melhor, pontos, sem nó. Nem a Bandeirantes. Menos ainda Michel Temer, com sua entrada por telefone, triunfal e de surpresa, como ficou claro, para quem assistiu e ficará para quem assistir, aqui:

Jornalista e formado em ciência política pela UNESP, André Henrique já atuou como docente, assessor parlamentar e consultor político, mas é no jornalismo que o sociólogo se realiza profissionalmente, especialmente na editoria de política.

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