Resumo da semana: Cabral PRESO, Dodge EMPOSSADA e Temer na ONU

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Esta coluna é uma parceria entre o Independente e o canal Politiké Por Bernardi (YouTube).

Por Vinicius Bernardi

Confira também a versão em vídeo:

Reforma Política

A Câmara dos Deputados rejeitou as mudanças no sistema eleitoral e acabou com a possibilidade do modelo distritão para 2018 e o distrital misto para 2022. Na última terça, a PEC 77, que propunha essas mudanças, foi rejeitada por 238 votos a 205.

A PEC também propunha a criação de um fundo público de financiamento de campanhas, que também já tinha sido rejeitado anteriormente.

O que ainda está em discussão para mudança é a PEC 282, que proibe coligações partidárias e cria uma cláusula de desempenho nacional para os partidos. A Câmara dos Deputados empurrou as mudanças da PEC 282 para as eleições de 2020.

Raquel Dodge, nova procuradora-geral

Na última segunda, Raquel Dodge foi empossada como a nova procuradora-geral da República. Ao lado de Michel Temer, Cármen Lúcia, Rodrigo Maia e Eunício Oliveira, ela discursou por 15 minutos.

Em seu discurso, destacou que o povo brasileiro não tolera a corrupção, pediu harmonia entre os poderes e não falou sobre a Operação Lava Jato.

Há bastante expectativa entre os políticos de governo e oposição sobre como será o tratamento de Dodge com as delações premiadas. Ela disse que fiscalizará os acordos feitos anteriormente, mas também se declara a favor desse instrumento de investigação.

Raquel Dodge é a primeira mulher como procuradora-geral da República. Ela tem 56 anos e está no Ministério Público Federal desde 1987. Durante esse périodo, se dedicou a assuntos relacionados à erradicação de trabalho escravo e em favor de direitos humanos.

Ela também participou da Operação Caixa de Pandora, que prendeu o ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, ex-PFL e DEM e que está atualmente no PR.

Segunda denúncia contra Temer

Aprovada pela maioria do STF, a segunda denúncia irá para a Câmara, onde Temer tem apoio da maioria. Por lá será decidido se caberá julgamento durante o mandato dele ou não.

O escândalo das delações da JBS e proximidade das eleições de 2018 dão alguns argumentos para os deputados não aceitaram a nova denúncia. Vale lembrar que assim que Temer deixar o cargo de presidente da República, ele será julgado pelas duas denúncias feitas por Janot.

Preocupação é com Geddel

A grande preocupação de Temer não é com a denúncia, mas sim com ex-ministro e aliado, Geddel Vieira Lima, do PMDB da Bahia, que pode fazer delação premiada.

Geddel fazia parte do núcleo duro do PMDB junto com Temer e é considerado pelo governo como temperamental e emotivo. Por essas razões, ele não aguentaria ficar preso e é bem provável que faça acordo.

Vale lembrar que ele foi preso porque encontraram R$ 51 milhões de reais em um apartamento, onde foram encontradas impressões digitais do ex-ministro.

Popularidade baixa e em queda livre

Além das denúncias e prisões de aliados, Temer também tem que lidar com a baixa popularidade. Segundo o estudo da CNT/MDA divulgado nesta última terça, Temer é reprovado por 84,5% dos brasileiros.

Temer na ONU

O presidente embarcou para Nova York nesta semana para representar o Brasil e participar da Assembleia Geral da ONU.

Antes de participar da assembleia, Temer jantou com Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, além de Juan Manuel Santos, presidente da Colômbia, Juan Carlos Varela, presidente do Panamá e Gabriela Michetti, vice-presidente da Argentina. Este jantar foi na última segunda (18) e tinha o objetivo de discutir a situação da Venezuela.

Na terça (19), Temer abriu a Assembleia Geral da ONU e em seu discurso criticou a violação de direitos humanos na Venezuela. Ele também disse que o Brasil está resgatando o equilíbrio fiscal e que o país reduziu mais de 20% do desmatamento da Amazônia.

Houve também uma crítica indireta a Trump, já que Temer criticou oprotecionismo e nacionalismos exacerbados, além de defender o Acordo de Paris sobre o clima, do qual Trump se retirou em junho.

Maia recebe artistas e critica PMDB

Na última terça (19), o presidente interino Rodrigo Maia recebeu artistas como Antonio Pitanga e Paulo Miklos, que defendem a saída de Temer da presidência. A audiência teve como objetivo cobrar que o presidente da Câmara revogue a lei do audiovisual.

A lei, que é um mecanismo de apoio indireto a projetos audiovisuais por meio de incentivos fiscais, tinha sido aprovada pelo legislativo, mas foi vetada por Temer.

Também na terça (19), Maia fez críticas ao PMDB, que, segundo ele, age como adversário de seu partido, o DEM, na disputa por dissidentes do PSB.

Na quinta (21), Maia se encontrou com João Dória, prefeito da cidade de São Paulo, para ampliar seus contatos políticos, visando as eleições de 2018.

Racha na esquerda?

Parece houve um pequeno racha na esquerda para as eleições de 2018. Segundo o Painel da Folha de SP, o PC do B, parceiro histórico do PT, estuda lançar seu próprio candidato.

A decisão de consultar alternativas para 2018 foi tomada porque o partido tem a sensação de que o depoimento de Antonio Palocci vai inviabilizar Lula eleitoralmente.

A senadora e presidente do PT, Gleise Hoffmann, tenta evitar a debandada e pretende conversar com os dirigentes do PC do B. Segundo ela, o partido aliado fez uma avaliação errada.

Integrantes do PT e de movimentos sociais próximos ao partido também não gostaram das últimas críticas que Ciro Gomes fez a Lula. Segundo eles, o pré-candidato do PDT minou as chances de uma possível aliança caso Lula não possa ser candidato.

Marina estarrecida

Quem aparece cada vez mais é Marina Silva. Na sexta passada (15), ela divulgou um vídeo em seu Twitter comentando a nova denúncia contra Temer.

Marina disse que fica estarrecida vendo malas e malas de dinheiro sendo roubadas da Petrobras e de outras instituições públicas, enquanto que a maioria dos brasileiros não tem segurança, saúde, educação e moradia digna.

Nesta semana, ela foi a Nova York a convite do presidente da França, Emmanuel Macron, que lançou na ONU uma iniciativa pela defesa ambiental em escala global.

Marina aproveitou a aparição no evento para criticar o discurso de Temer na Assembleia Geral, dizendo que a redução no desmatamento não aconteceu em função das medidas do atual presidente e que o Brasil perdeu seu protagonismo na agenda ambiental global.

Cabral preso

O ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho do PMDB, foi condenado nesta quarta (20) a 45 anos e dois meses de prisão em regime fechado pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Sua esposa e ex-primeira dama do Rio, Adriana Ancelmo também foi condenada a 18 anos e três meses de prisão igualmente em regime fechado.

Além do casal, mais dez pessoas foram condenadas na Operação Calicute, um desdobramento da Lava Jato no Rio. Esse grupo foi acusado de ter desviado cerca de R$ 224 milhões em contratos do governo do Estado desde 2007.

O juiz Marcelo Brêtas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, foi o responsável pela sentença. Segundo ele, Adriana Ancelmo era “mentora” dos crimes ao lado do esposo. Ela teria atuado no núcleo financeiro-operacional da organização e na lavagem de dinheiro.

Fact-Checking

O UOL Confere, projeto de checagem de informações do UOL, analisou o discurso de Michel Temer na ONU e concluiu que algumas informações são constestáveis.

Temer havia dito que seu governo está resgatando o equilibrio fiscal e a credibilidade da economia, mas, segundo o levantamento do UOL, as contas públicas terminaram com rombo no ano de 2016 e em 2017 o governo ampliou o rombo previsto.

Ele também disse na ONU que o Brasil está na vanguarda em direção a uma economia de baixo carbono. Segundo o UOL, esta informação é contestável, já que apesar do Brasil ter uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, prevê fortes investimentos em fontes de energia não renováveis como os combustíveis fósseis.

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Formado em Comunicação Social, pós-graduado em Marketing e estudante de história, desistiu da carreira no mundo corporativo para se dedicar a produção de conteúdo na internet. É criador do canal no YouTube Politiké Por Bernardi e sua luta é pela Educação Política.

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