Resumo da semana: distritão, Dória ovacionado e país quebrado

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Esta coluna é uma parceria entre o Independente e o canal Politiké Por Bernardi (YouTube).

Por Vinicius Bernardi

Confira também a versão em vídeo:

Nessa semana foi muito difícil acompanhar todas as informações que aconteceram na política brasileira tamanha a quantidade de notícias. É por isso que toda a sexta-feira, os leitores do Independente tem a disposição um resumo de tudo que foi destaque sobre política brasileira.

Congresso e reforma política

No último 3 de agosto, uma matéria do Nexo trouxe a opinião de duas professoras de ciência política: Vera Chaia, da PUC, e a Maria do Socorro Braga, da Ufscar. Elas analisaram alguns argumentos dos deputados que votaram a favor de Temer e contra o prosseguimento da denúncia de Janot.

Para a professora Maria do Socorro Braga, boa parte dos deputados que apoiaram Temer tem várias denúncias contra si. Eles usaram o argumento de que o Brasil está voltando a crescer para manter o atual presidente e ganharem mais força pra enfraquecer as denúncias.

A professora Vera Chaia acredita que os deputados foram treinados para repetir as frases do Temer. Como alguns deles nunca tiveram protagonismo antes e ganharam projeção agora, essas falas se tratam de um jogo político. Para ela, se esses políticos fossem contra a corrupção, teriam antes que justificar seus próprios atos.

Agora com toda essa crise, esses deputados estão com medo de não se elegerem novamente no próximo ano. Por isso tentam aprovar uma mini reforma política com o chamado “distritão”. Este modelo favorece a reeleição dos deputados e só existe em quatro países no mundo: Afeganistão, Kuait, Emirados Árabes Unidos e Vanuatu.

A mini reforma já foi aprovada na madrugada de quinta-feira pela comissão especial por 17 votos a 15. Como é uma Proposta de Emenda Constitucional, uma PEC, a próxima etapa é ser aprovada no plenário da câmara por pelo menos 3/5 dos deputados. Depois no plenário do senado com 49 senadores.

Neste modelo do “Distritão”, os cidadãos elegem apenas os deputados que tiverem mais votos. Ele acaba, por exemplo, com o quociente eleitoral, que ajuda a eleger deputados com menos votos, mas que pertencem ao mesmo partido ou coligação dos deputados com mais votos.

Pode parecer interessante, mas os deputados vão unir essa proposta a um fundo de 3,6 bilhões de reais para o financiamento eleitoral. Esse dinheiro será repartido entre os partidos, que vão escolher os candidatos que vão receber mais.

O “Distritão” começaria a valer já para as próximas eleições de 2018 e seria uma ponte para um futuro parlamentarismo no Brasil em 2022, que é muito defendido pelo PSDB.

Congresso e reforma da previdência

A câmara dos deputados agora, por meio do presidente Rodrigo Maia, vai definir quando e em que ritmo será votada a Reforma da Previdência. Uma reforma, que segundo o DataFolha, é rejeitada por mais de 70% dos brasileiros e que comprova que o país vive uma crise de representatividade.

Temer, aliados e PSDB

Michel Temer voltou a ganhar força e se aproveitou da situação para estreitar mais duas alianças. A primeira com o jornalista Reinaldo Azevedo, que tem feito muitos discursos em defesa ao atual presidente e o entrevistou recentemente no seu programa de rádio.

A segunda aliança é com o ministro do STF e seu amigo pessoal, Gilmar Mendes. Novamente eles se encontraram fora da agenda do presidente. Curiosamente, depois do encontro ambos atacaram o Procurador-geral da República.

Mendes concedeu uma entrevista à Rádio Gaúcha e disse que Janot é o procurador mais despreparado da história. Já Temer, por meio de sua defesa, pediu ao Supremo Tribunal Federal a suspenção de Janot por considerar que ele não é isento.

O mandato de Rodrigo Janot como Procurador-geral vai se acabar em setembro e sua sucessora será Raquel Dodge. Ela foi indicada por Temer e é bastante crítica ao estilo de Janot. Curiosamente, ela foi flagrada se reunindo com Temer no Palácio do Jaburu fora da agenda oficial na última terça-feira.

Ela também tinha um encontro com Gilmar Mendes, porém cancelou. A razão, segundo a assessoria do TSE, foi que ela teria outros compromissos.

Dória ovacionado

Segundo matéria da Folha, Temer também se encontrou com o prefeito da cidade de São Paulo, João Dória, na última segunda. Dória tem pretensões de se candidatar à presidência da república em 2018.

Como o padrinho político de Dória é o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e ele também tem pretensão de se candidatar, pode ser que Dória esteja considerando se mudar para o PMDB.

Depois do encontro com Temer, Dória viajou para Salvador-BA, onde foi homenageado com o título de cidadão soteropolitano. A homenagem foi feita porque Dória é filho e neto de baianos. Momentos antes do evento, manifestantes se aproximaram dele e jogaram ovos em sua direção. Um, inclusive, atingiu seu rosto.

O prefeito de São Paulo fez um vídeo repudiando à agressão e acusando petistas de terem esse tipo de atitude sempre. Para especialistas, Dória sempre ataca Lula e seu partido porque quer se colocar como seu principal antagonista e crescer nas pesquisas eleitorais. Atualmente, quem tem ocupado esse papel é Jair Bolsonaro, que tomou espaço do PSDB como o anti-PT.

Gleisi e PT

A Polícia Federal concluiu inquérito contra a senadora e presidente do PT, Gleisi Hoffmann. Segundo a PF, há índicio de crime de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ela teria recebido verbas ilegais da Odebrecht para campanha eleitoral ao governo do Paraná em 2014. A defesa da senadora nega haver irregularidades.

Nesta semana, ela disse que Temer e Maia são farinhas do mesmo saco. Segundo a senadora, o PT vai trabalhar no desgaste de Temer e que o foco do partido está em eleger Lula em 2018. Ela acha que a elite brasileira resolveu radicalizar e que a próxima eleição será muito polarizada.

Economia

O ministro da fazenda, Henrique Meirelles, mudou o discurso e já admite avaliar a alteração da meta fiscal. A revisão da meta deve ser anunciada na próxima semana com 20 bilhôes de reais a mais de rombo.

Meirelles disse na última segunda que tem empresas que estão atrasando os pagamentos tributários, esperando por um perdão nas dívidas e prejudicando o caixa do governo. Uma solução para ajudar nessa crise foi ventilada pelo ministro: aumento da cobrança de imposto de renda para as pessoas que recebem acima de 20 mil reais ao mês.

Mas esta solução já foi negada pelo Michel Temer. Também foi rejeitada pelo presidente da câmara, Rodrigo Maia, que deixou bem claro que uma proposta dessas não passa pela câmara.

Fact-Checking da semana

Segundo o Truco, projeto de checagem de fatos da Agência Pública, é falsa a informação do deputado Carlos Zarattini, do PT, que disse que o ministro da fazenda, Henrique Meirelles, havia recebido 50 milhões de reais da JBS no exercício do cargo público.

Zarattini disse isso durante a sessão de votação da denúncia de Janot contra Temer e pediu que a Procuradoria-Geral da República investigasse o ministro.

Segundo apuração da agência, Meirelles recebeu R$ 217 milhões entre 2015 e abril de 2016 por quatro anos de serviços de consultoria prestados pela empresa da qual é dono. R$ 50 milhões desse montante foram pagos no mês que ele já atuava como ministro, mas eram referentes aos serviços prestados anteriormente ao cargo.

Meirelles, inclusive, confirmou o recebimento desses valores e disse que eles foram declarados no Imposto de Renda com os devidos impostos pagos.

Zarattini disse que esse montante foi pago pela JBS, mas, na verdade, foi o total que a empresa de Meirelles recebeu pelos serviços prestados a várias empresas, incluindo a J&F, holding que controla as marcas JBS e Friboi. Portanto, a conduta de Meirelles não é considerada irregular pela Comissão de Ética Pública e a frase do deputado Carlos Zarattini recebeu o selo “falso” do Truco.

 

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Formado em Comunicação Social, pós-graduado em Marketing e estudante de história, desistiu da carreira no mundo corporativo para se dedicar a produção de conteúdo na internet. É criador do canal no YouTube Politiké Por Bernardi e sua luta é pela Educação Política.

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