Resumo da semana: Lava Jato, Congresso da depressão e Temer salvo

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Esta coluna é uma parceria entre o Independente e o canal Politiké Por Bernardi (YouTube).

Por Vinicius Bernardi

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Informação de qualidade é fundamental, mas muita vezes não temos tempo e disposição para acompanhar tudo que acontece durante a semana. Por isso que toda a sexta-feira, os leitores do Independente podem ler o resumo de notícias que foram destaque sobre política brasileira.

Operação Lava Jato

No dia 28 de julho, a ex-presidente Dilma Rousseff prestou depoimento como testemunha da senadora do Paraná e presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann. Glesi, que tem foro privilegiado, responde por corrupção passiva e lavagem de dinheiro na Lava Jato. Há suspeitas de ter recebido um milhão de reais do esquema de corrupção da Petrobras em 2010 para sua campanha ao senado.

Já em Curitiba, o juiz Sergio Moro aceitou na última terça-feira outra denúncia de corrupção contra ex-presidente Lula. Dessa vez, será apurado se ele recebeu propina da OAS e da Odebrecht para reformar um sítio em Atibaia no Estado de São Paulo. Segundo nota do Instituto Lula, esse sítio é frequentado pelo ex-presidente, mas pertence a amigos de sua família.

Além dessa, Lula tem mais cinco ações contra ele. A primeira é sobre o tríplex no Guarujá na qual já foi condenado em primeira estância. As outras quatro são:

  • Obstrução de justiça por suposta compra de silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró;
  • Suposta participação na Operações Janus;
  • Suposta participação na Operação Zelotes; e
  • Acusação de recebimento do terreno para Instituto Lula pela Odebrecht.

Por fim, na última terça o Conselho Superior do Ministério Público Federal prorrogou por um ano a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba. Essa força-tarefa é coordenada pelo procurador Deltan Dallagnol, que investiga os processos sob a tutela do juiz federal Sergio Moro.

Forças armadas no Rio

No dia 28 de julho, Michel Temer autorizou por meio de decreto o emprego das Forças Armadas no Estado do Rio de Janeiro até 31 de dezembro deste ano. Normalmente o uso delas é feito em grandes eventos como foi na Copa do Mundo e nas Olimpíadas.

Desta vez o objetivo é “golpear” o crime organizado, segundo o ministro da Defesa, Raul Jungmann. Eles pretendem trabalhar em conjunto com a Polícia Militar, Civil, Rodoviária Federal, Federal, Marinha, Exército e Aeronáutica.

Economia

Depois de conseguir derrubar a decisão de um juiz do Distrito Federal e manter a alta de impostos sobre combustíveis, o governo resolveu revisar e reverter o aumento de imposto sobre o etanol. O litro desse combustível iria subir aproximadamente 20 centavos, mas agora terá alta de 11. Essa mudança deve ter acontecido porque alguns analistas apontavam que os novos preços deixariam o etanol inviável para competir no mercado.

Só que agora um juiz federal de Macaé-RJ suspendeu o aumento de imposto novamente. Ele alega que é preciso 90 dias de prazo para a vigência do novo imposto. Pra completar, o PT provocou o STF, já que considerou inconstitucional o decreto de Temer para o aumento. Na última quinta, a ministra do STF e relatora do caso, Rosa Weber, deu prazo de cinco dias para Temer dar explicações sobre aumento dos combustíveis.

De qualquer forma, o governo teve algumas boas notícias na economia durante essa semana. A primeira delas foi que a balança comercial teve superávit recorde em julho de U$6,3 bilhões. Isto significa que o país exportou mais do que importou e obteve lucro.

A segunda é que a taxa de desemprego no país caiu 0,7% na comparação entre os dois trimestres desse ano. O número de desempregados agora equivale a 13,5 milhões, 700 mil a menos que na última contagem. O problema, segundo o IBGE, é que o grande crescimento foi no número de empregos informais, enquanto que os empregos com carteira assinada tiveram queda de 3,2% se compararmos com 2016.

O governo comemorou e fez questão de divulgar as boas notícias sobre a economia, mas a verdade é que há problemas por vir. As contas do setor público fecharam com deficit primário de 35 bilhões de reais. Ou seja, o pior de toda a série histórica, que foi iniciada em 2001.

Agora o governo vai ter que debater com os parlamentares para definir uma maneira de cumprir a meta fiscal. As soluções são as seguintes:

  • Aumentar impostos: o que é impopular e que políticos não desejam já que em 2018 disputam eleições;
  • Corte de despesas: que prejudica os mais pobres e ajuda a estagnar o país;
  • Aumentar o rombo: ou seja, alterar a meta, o que para economistas é um erro, já que o país deixa de passar credibilidade e perde investimentos.

Henrique Meirelles, nosso ministro da fazenda, já disse que não aceita alterar a meta fiscal, mas Michel Temer ainda depende do congresso para ter apoio e aprovar as reformas. Ou seja, muitas negociações irão acontecer e será necessário ficar atento para saber o posicionamento dos deputados.

Denúncia de Janot

Michel Temer venceu e com uma maioria até inesperada pelos aliados. Com votos de 263 deputados, ou seja, 91 a mais do que o necessário, ele conseguiu que barrassem o prosseguimento da investigação da denúncia de Rodrigo Janot para o Supremo Tribunal Federal.

Segundo o Ibope, 81% dos brasileiros desejavam que o processo contra Temer fosse aberto. Os deputados não responderam a esse desejo e de fato confirmaram que o Brasil vive uma crise de representatividade.

Porém Michel Temer ainda não está completamente a salvo. Talvez ocorra outra denuncia do procurador geral da republica, Rodrigo Janot. Além disto, podem acontecer delações bombas de Eduardo Cunha e Lucio Funaro e que envolvem o presidente. Portanto Temer ainda vai precisar de muito apoio de políticos e empresários, apesar de ter sido bastante “traído” na votação.

PSDB derrotado

Para o jornalista Kennedy Alencar, quem mais perdeu nessa história foi o PSDB. O partido, que está definitivamente rachado, se tornou um aliado inconfiável para Temer, mas também se mostrou fraco para influenciar traições de outros partidos.

O PSDB orientou sua bancada a votar a favor da denúncia, mas também liberou para cada deputado fazer sua escolha. No final das contas, o partido, que tem quatro ministros no governo e foi o principal aliado no impeachment, rachou no meio durante a votação.

Já Aécio Neves teve nova prisão pedida por Janot. Ele, que defende a permanência com o governo Temer, deu aval para Tasso Jereissati, que é contra Temer, para permanecer como presidente interino da sigla.

Geraldo Alckmin, governador de São Paulo e possível candidato à presidência pelo partido, disse que por ele o PSDB nem teria participado do governo. Pra ele o partido tem compromisso com o Brasil.

Choro de Maia

Segundo o painel da Folha de SP, presidente da Câmara dos Deputados, chorou diante de colegas de bancada. Isso aconteceu logo após o término da votação da denúncia contra Temer. Ele disse que poderia ter agido para virar presidente, mas que tem caráter. Ainda segundo ele, os assessores de Temer foram truculentos e desrespeitosos.

Fact-checking da semana

Segundo a agência Aos Fatos, é falsa uma afirmação do advogado de Temer, Antônio Mariz de Oliveira. Ele disse que a sociedade não foi consultada sobre a continuidade e apoio ao governo. O DataFolha mostrou que 69% da população avalia o governo Temer como ruim ou péssimo e que 81% dos entrevistados disseram apoiar seu impeachmnet.

Outro que deu uma informação falsa foi o deputado Simão Sessim. Em defesa de Temer, ele falou que o governo federal nunca havia enfrentado a violência do Rio de Janeiro. Talvez tenha se esquecido que o Exército já esteve envolvido na tomada dos complexos do Alemão e Penha em 2010.

 

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Formado em Comunicação Social, pós-graduado em Marketing e estudante de história, desistiu da carreira no mundo corporativo para se dedicar a produção de conteúdo na internet. É criador do canal no YouTube Politiké Por Bernardi e sua luta é pela Educação Política.

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