Resumo da semana: Lula cercado, Garotinho preso e Temer denunciado

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Esta coluna é uma parceria entre o Independente e o canal Politiké Por Bernardi (YouTube).

Por Vinicius Bernardi

Confira também a versão em vídeo:

Lula cercado

Na última sexta (8), o ex-presidente foi acusado pelo Ministério Público de vender por R$ 6 milhões medidas provisórias que dariam benefícios fiscais à empresas do setor automotivo.

Esse montante teria sido oferecido pelo advogado e lobista Mauro Marcondes Machado e a denúncia ainda está ligada com a da compra de caças militares suecos da qual o ex-presidente já é réu.

Segundo esta outra denúncia, uma empresa de um de seus filhos, Luís Cláudio Lula da Silva, teria recebido R$ 2,5 milhões do mesmo lobista.

Ao todo, Lula já teve uma condenação em primeira estância, é réu em outros cinco processos criminais e é alvo de mais três denúncias que aguardam análise da Justiça.

Além da estratégia da defesa técnica, o ex-presidente usa sua força pública para se defender. Segundo ele, é vítima da maior caçada jurídica que um político brasileiro já sofreu.

O problema para Lula é que essa ideia de perseguição pode não ser mais convincente perante a opinião pública. Um dos grandes aliados dele, o ex-ministro da Fazenda e da Casa Cívil, Antônio Palocci, depôs ao juíz Sérgio Moro na semana passada e complicou bastante a vida do ex-presidente.

Nesta semana, Lula depôs pela segunda vez ao juíz Sérgio Moro, desta vez referente a suposta compra de terreno para o Instituto Lula, além de suposta aquisição de um apartamento em São Bernardo do Campo.

Durante o depoimento, o juíz Sergio Moro por muitas vezes assumiu o papel de acusador diante de representantes aparentamente tímidos do Ministério Público.

Garotinho é preso

O ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, foi condenado em primeira instância a 9 anos, 11 meses e 10 dias pela Operação Chequinho. Esta operação apura o uso do programa social Cheque Cidadão para compra de votos na cidade de Campos dos Goytacazes em 2016.

Garotinho cumprirá prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica e só poderá entrar em contato com advogados e familiares próximos.

Normalmente ninguém é preso após ser condenado em primeira instância, mas, segundo o juíz Ralph Manhães, Garotinho praticou uma série de atos para impedir o avanço da ação penal que o investiga. De acordo com o juíz, o grupo comandado pelo ex-governador chegou a usar até armas de fogo para intimidar testemunhas.

STF contra o afastamento de Janot

A defesa de Michel Temer queria o afastamento de Rodrigo Janot, procurador-geral da República, de denúncias contra o atual presidente. Segundo a defesa, Janot agiu com pressa, não teve cautela em relação a ele e não o deixou governar em paz.

Só que todos os ministros do Supremo Tribunal Federal consideraram não haver motivos para afastar Janot das investigações contra Temer.

Nove ministros acompanharam a decisão de Edson Fachin, o relator do caso. A decisão assim foi unânime, já que Gilmar Mendes e Luis Roberto Barroso não participaram da sessão.

CPI da JBS

Michel Temer estreitou laços com o senador Ataídes Oliveira, do PSDB de Tocantins, liberando a duplicação da BR-153 e a licitação de uma ponte que liga o Tocantins com o Pará.

“Por um acaso”, Ataídes é o presidente da CPI da JBS, que posteriormente escolheu o deputado Carlos Marun, como o relator da CPI. Marun é aliado de Michel Temer e Eduardo Cunha.

A decisão irritou os senadores Ricardo Ferraço, do PSDB-ES, e Otto Alencar, do PSD-BA, que pediram a saída da comissão.

Curiosamente, dos 34 parlamentares que integram a CPI da JBS, oito deles receberam doações da empresa.

Última semana de Janot

Ele entregou mais uma denúncia ao STF contra cinco senadores e dois ex-senadores do PMDB. Segundo Janot, eles integram uma organização criminosa e teriam gerado prejuízo de R$ 5,5 bilhões aos cofres da Petrobras.

Os acusados são: Edison Lobão, Renan Calheiros, Romero Jucá, Valdir Raupp, Jader Barbalho, Sérgio Machado e José Sarney.

Janot também pediu a prisão dos empresários Joesley Batista e Ricardo Saud da JBS e o ministro do STF, Edson Fachin, as autorizou. A Polícia Federal também prendeu o outro dono da JBS, Wesley Batista.

Só que “pegou mal” para Janot ter sido fotografado no último sábado (9) nos fundos de um bar em Brasília conversando com um dos advogados da JBS, o Pierpaolo Bottini. Ambos disseram que não trataram de assuntos profissionais e, apesar de não haver proibição legal pra esse encontro, é, no mínimo, uma questão aí de moralidade.

Janot denuncia Temer (de novo!)

Além do presidente, mais seis do PMDB são denunciados por obstrução de justiça e organização criminosa transnacional – ou seja, uma organização que atua dentro e fora do país.

A nova “trupe” de denunciados é a seguinte: Michel Temer, Eduardo Cunha, Rodrigo Rocha Loures, Henrique Alves, Geddel Vieira Lima, Eliseu Padilha e Moreira Franco.

Essa é provavelmente a última denúncia de Janot, que deixa o cargo de procurador-geral da República no próximo dia 17 de setembro e será substituído por Raquel Dodge. Janot também anulou a delação da JBS e enviou para o juiz Sérgio Moro uma denúncia contra Joesley Batista e Ricardo Saud.

A denúncia de Rodrigo Janot tem 245 páginas e boa parte dela foi baseada nas delações premiadas da JBS, que embora anulada pode ser usada como prova, e de Lucio Funaro, que supostamente era o operador financeiro do PMDB na Câmara.

Fact-Checking

Na primeira semana de setembro deste ano, se espalhou por diversas publicações no facebook a notícia de que deputado federal Jean Willys, do PSOL-RJ, dirigiu um filme chamado “Jesus, A Diva da Mentira” .

Segundo as publicações, Jean Willys teria usado dinheiro da Lei Rouanet e o filme teria custado R$ 2,8 milhões. O roteiro abordaria a homossexualidade de Jesus e de seus apóstolos, além de mentiras do cristianismo.

O site de fact-checking E-Farsas investigou sobre o assunto e concluiu que é apenas mais um dos milhares de boatos difamadores que nascem na Internet. Pessoas chegaram a fazer até um abaixo-assinado pelo cancelamento do filme que não existe.

Outra notícia que é mentira e foi desvendada pelo E-Farsas é que a polêmica Exposição Queermuseu, patrocinada pelo Santander, tinha espaço para as crianças vestirem trajes interligados. Neste espaço, as crianças seriam obrigadas a se tocar intimamente para alterar a percepção de gênero.

Essa notícia das crianças é mentirosa. A foto que usaram pra divulgação nas redes sociais não é dessa exposição, mas de uma instalação em 1967 chamada “O Eu e o TU”, da artista Lygya Clark.

A obra foi realmente exposta na Queermuseu, mas quem estava vestindo os trajes eram manequins.

Quem espalhou essa notícia foi Movimento Brasil Livre, pelo seu site de notícias Jornal Livre, e o vereador da cidade do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro.

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Formado em Comunicação Social, pós-graduado em Marketing e estudante de história, desistiu da carreira no mundo corporativo para se dedicar a produção de conteúdo na internet. É criador do canal no YouTube Politiké Por Bernardi e sua luta é pela Educação Política.

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