Resumo da semana: Mensalinho do MT, Renca e metralhadora Janot

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Esta coluna é uma parceria entre o Independente e o canal Politiké Por Bernardi (YouTube).

Por Vinicius Bernardi

Confira também a versão em vídeo:

Novas eleições no Amazonas

No dia 4 de maio deste ano, o TSE cassou o mandato do governador do Estado, José Melo, do PROS, e de seu vice, Henrique Oliveira, do Solidariedade. O ex-governador foi acusado de comprar votos de evangélicos por meio de cestas básicas, viagens e confecção de túmulos na campanha de reeleição em 2014.

Neste último domingo aconteceu o segundo turno das eleições sumplementares no estado e Amazonino Mendes, do PDT, foi eleito com quase 60% dos votos para cumprir o mandato tampão até o final de 2018.

Mensalinho do Mato Grosso

Uma delação premiada gigantesca com 60 eventos criminosos foi feita pelo ex-governador do estado, Silval Barbosa. O ministro do STF, Luiz Fux, classificou a delação como “monstruosa”.

Segundo o Silval, políticos recebiam propina para apoiar projetos e obras públicas no estado. Também segundo o ex-governador, esse esquema teria começado em 2003 quando o governador era Blairo Maggi, atual ministro da agricultura do governo Temer.

Silval Barbosa gravou vídeos constrangedores com políticos que recebiam diversos maços de dinheiro e guardavam em bolsos de paletós, bolsas, malas e até em uma caixa de papelão.

Extinção da Renca

Com o objetivo de atrair investimentos para o setor de mineração, o governo havia extinguido a Renca, Reserva Nacional de Cobre e Associadas. É uma reserva localizada nos Estados do Pará e Amapá, com uma área maior que a Dinamarca e que tem grandes reservas naturais e terras indígenas.

Durante a última semana, o governo foi muito criticado pela medida, chegando ao ponto de fazer um novo texto que detalha as condições para a exploração mineral na região.

Mesmo assim, a justiça do Distrito Federal suspendeu os atos que extinguem a reserva na última quarta-feira. O juiz federal Rolando Valcir Spanholo afirmou que o governo Temer desobedeceu a Constituição ao tomar a decisão por decreto e sem levar para discussão.

A Advocacia-Geral da União disse que iria recorrer, mas após toda a polêmica, o governo decidiu paralisar todos os procedimentos para finalmente debater com a sociedade.

Marina e a Rede

Marina Silva, porta-voz da Rede Sustentabilidade e ex-ministra do meio ambiente, voltou a aparecer na mídia nesta semana. A Rede divulgou uma propaganda partidária gratuita de 10 minutos na última terça-feira, em que Marina exaltou que o Brasil deve fazer a operação “Lava Voto”.

Seria em alusão a Operação Lava Jato e que encoraja os eleitores a não votar em deputados que ajudaram a suspender a denúncia contra Temer, por exemplo.

Outro ponto defendido pela Rede em seu programa é a ampliação da Lei da Ficha Limpa para todos os funcionários públicos. Assim as pessoas comprovadamente corruptas não poderiam ser indicadas para qualquer cargo público, além de não poderem se candidatar.

Robôs nas redes sociais

O Independente fez uma matéria nesta semana sobre um estudo da FGV/DAAP, que afirmou que diversos perfis falsos (robôs) são usados, principalmente em épocas de manifestações e eleições. O objetivo dos robôs é propagar informações falsas, maliciosas ou gerar debates políticos artificiais na internet.

O estudo da FGV/DAAP é inédito e demonstra uma periogosa ferramenta de manipulação que provavelmente será muito mais usada em 2018. Esses robôs chegaram a gerar mais de 10% do debates nas redes sociais durante as eleições presidenciais de 2014.

Reforma trabalhista

Não foi nesta semana de novo que saiu a reforma política. Isto porque o impasse na Câmara dos Deputados continua com indecisões sobre vários pontos e falta de quórum para votação.

Alguns pontos como Distritão e fundo público de financiamento das campanhas da PEC 77 já foram praticamente descartados. O que está na frente agora é a PEC 282 sobre o fim das coligações e claúsula de barreira, que podem ajudar a reduzir tanto o número de partidos quanto o efeito “Tiririca”.

A votação sobre a Reforma Política deve ser retomada na terça-feira da semana que vem.

Economia

Outra votação que não aconteceu nesta semana por falta de quórum foi a da revisão das metas fiscais de 2017 e 2018. O texto-base chegou a ser aprovado, mas faltaram alguns destaques.

Foi uma derrota para o governo Temer, mas uma nova votação deve ocorrer no futuro. Vale lembrar que nos últimos 3 meses, o resultado primário do governo teve rombos recordes desde 1997, quando a série histórica foi iniciada.

A boa notícia para o governo foi que o desemprego caiu 0,8% se comparado com o último trimestre. A atual taxa de desemprego no país é de 12,8%. Só que a melhora foi proporcionada pela informalidade.

Metralhadora Janot

O mandato do Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, se encerrará no dia 17 de setembro e ele será substituido por Raquel Dodge, que já foi escolhida por Michel Temer.

E como Janot disse… “Enquanto houver bambu, vai ter flecha”. Mas foram tantos disparos na última semana que mais pareceu uma metralhadora.

Janot denunciou diversos políticos do PMDB incluindo o ex-presidente José Sarney, além dos senadores como Renan Calheiros, Garibaldi Alves, Valdir Raupp e Romero Jucá.

Todos eles são acusados de crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro de um esquema que teria desviado recursos em contratos da Transpetro, subsidiária da Petrobras, entre 2008 e 2012.

O senador Romero Jucá, inclusive, foi denunciado mais outras duas vezes em uma semana. As outras duas acusações são de receber R$ 150 mil em propina para favorecer a Odebrecht e favorecimento ao grupo Gerdau na Operação Zelotes.

Quem também está com receio de uma nova denúncia de Janot é Michel Temer. Principalmente porque ele foi para China na última terça-feira e só retornará ao Brasil no dia 6 de setembro. Temer foi convidado para uma visita de Estado que vai durar 7 dias.

Uma nova denúncia de Janot contra ele agora certamente causaria um embaraço internacional. Antes de viajar, ele convocou os ministros e pediu para que eles já negociem com as bancadas da Câmara a fim de barrar uma possível denúncia.

Há quem diga também que Temer viajou para tentar vender à China os projetos de concessões e privatizações anunciados na semana passada.

Fact-checking

O projeto de checagem Truco da Agência Pública deu selo FALSO para uma informação do programa do PSDB que foi ao ar há duas semanas. Segundo o partido, a representação feminina é forte em todos os países que usam o sistema parlamentarista.

Porém o Truco levantou que 79 países parlamentaristas tem representação feminina abaixo de 30%, porcentual considerado como o mínino necessário segundo os padrões recomendados pela ONU para a promoção da igualdade de gênero.

Outro dado interessante é que os cinco países com maior representatividade feminina são Ruanda, Bolívia, Cuba, Islândia e Nicarágua. Dentre esses, apenas a Islândia tem um sistema parlamentarista.

Vale dizer também que o Brasil tem hoje apenas 10,7% de mulheres na Câmara dos Deputados e 14,8% no Senado.

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Formado em Comunicação Social, pós-graduado em Marketing e estudante de história, desistiu da carreira no mundo corporativo para se dedicar a produção de conteúdo na internet. É criador do canal no YouTube Politiké Por Bernardi e sua luta é pela Educação Política.

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