Revista IstoÉ premia Michel Temer, Moro e Doria como os ‘Brasileiros do Ano’

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Confira as reações de internautas, além de um texto de opinião sobre “as realidades que a revista esqueceu na premiação e a distorção do jornalismo”.

Informação – Por Rafael Bruza

Alguns políticos presentes na platéia, como (PSDB), o juiz federal Sérgio Moro, o presidente da República, Michel Temer, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o prefeito eleito de São Paulo, João Doria Jr. / Foto - Reprodução
Alguns políticos presentes na platéia, como (PSDB), o juiz federal Sérgio Moro, o presidente da República, Michel Temer, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o prefeito eleito de São Paulo, João Doria Jr. / Foto – Reprodução

A revista IstoÉ premiou diversas personalidades públicas na noite desta terça-feira (06), eleitas como os “Brasileiros do ano de 2016”. O prêmio mais importante foi dado à Michel Temer, eleito o “Brasileiro do Ano”. O juiz federal Sérgio Moro venceu na categoria de “Justiça”, o prefeito eleito de São Paulo, João Doria (PSDB) ganhou como “Revelação na Política” e o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, venceu o prêmio de “Gestão” graças ao “sucesso dos Jogos Olímpicos” de 2016.

Segundo a IstoÉ, Temer mereceu o prêmio por ter recebido a “missão” de assumir o comando do país em um momento conturbado política e economicamente.

Moro foi eleito vencedor da categoria “Justiça” por comandar a Operação Lava a Jato, descrita pela revista como “a maior investigação da história”, cujos trabalhos lhe renderam o título de “herói brasileiro”, segundo a revista IstoÉ.

Doria ganhou o prêmio de “Revelação na Política” por surpreender o cenário político nacional ao ser eleito em 1º turno em São Paulo, após viver o que a revista chama de “uma trajetória consolidada no meio empresarial”.

Na plateia estavam presentes políticos como o senador Aécio Neves (PSDB-MG), o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

Outro vencedor da noite foi o jornalista Ricardo Boechat, que trabalha de colunista na própria IstoÉ e venceu o prêmio de “Comunicação” por “se destacar como uma das principais figuras da comunicação em um ano recheado para o jornalismo.

Em outras categorias, os vencedores foram Grazi Massafera (Televisão), Isaias Queiroz (Esporte), Antonio Fagundes (Teatro) Laís Ribeiro (Moda), Ludmilla (Música) e Benedito Ruy Barbosa (Música).

Reação nas redes sociais

Na Internet, internautas ridicularizaram os prêmios da IstoÉ em quase 15 mil tuítes que fazem piadas e críticas principalmente ao prêmio de Michel Temer.

Confira alguns tuítes:

Opinião – As realidades que a revista esqueceu na premiação e a distorção do jornalismo

Falando de forma extremamente resumida, o jornalismo tem a função de vigiar os poderes públicos e privados comunicando o cidadão sobre tudo que envolve esses atores para defender sempre os interesses da sociedade, de forma que ela possa tomar suas escolhas democráticas de forma consciente e fundamentada na verdade.

Mas não foi o que vimos na premiação de “Brasileiros do Ano”, feita pela revista IstoÉ.

O prêmio de personalidade do ano dado à Michel Temer, por exemplo, ignora completamente a opinião de milhões de brasileiros que, ao contrário da revista, não veem o Impeachment como algo necessário e inevitável.

Essa homenagem e essa justificativa convém profundamente à Michel Temer e, portanto, são dignas de empresas que trabalham de assessoria de imprensa, tendo em vista que uma revista de jornalismo teria a função de pelo menos questionar e expor o fato de os líderes do Impeachment assumiram o poder no lugar daquela que destituíram.

Mas como a revista interpreta o novo governo como uma “missão”, priorizou somente esta visão, ignorando completamente a opinião de milhões de brasileiros que no mínimo questionam o Impeachment.

Logo Moro venceu a categoria de Justiça por ser o comandante da Operação Lava a Jato, que tem muitos méritos, sim, muitos mesmo, pois nunca foi fácil investigar, acusar e punir políticos e empresários no Brasil, onde reina a

Mas a operação também possui seus equívocos, como todos, com direito a grampos ilegais, prisões equivocadas – reformadas em instâncias superiores – e um excessivo ativismo político para o poder Judiciário, como vemos diariamente no lobby feito a favor das 10 Medidas Anticorrupção, que nunca foram profundamente debatidas na sociedade.

Todos estes excessos judiciais são ilegais e condenáveis, mas costumam ser completamente ignorados graças à blindagem política oferecida à Moro e aos procuradores da operação pelo rótulo de “herói nacional”, que incentiva o fanatismo e funciona como um grande artifício aos funcionários públicos do Executivo, Legislativo e Judiciário, mas não serve de conteúdo jornalístico vigilante, atento e focado na legalidade democrática.

Então, nesse caso, seria mais conveniente à sociedade questionar o rótulo de herói dado a figuras públicas como Moro ao invés de fortalecer esses estereótipos prejudiciais à igualdade nacional.

A revista perdeu mais uma oportunidade de fazer jornalismo ao invés de propaganda.

O prêmio de Eduardo Paes, à sua vez, ignora completamente os problemas gerados pelas Olimpíadas do Rio e a situação catastrófica desse estado. Dois dias após a premiação, a Justiça do Rio de Janeiro bloqueou as contas do prefeito da cidade em ação do MPE que o acusa de improbidade administrativa.

De um lado, as Olimpíadas costumam favorecer principalmente empreiteiras e os organizadores – Comitê Olímpico Internacional, por exemplo. De outro, o prêmio a Eduardo Paes é ainda mais questionável tendo em vista que a gestão das Olimpíadas do Rio de Janeiro foi um sucesso, sim, mas só até o final do evento.

Terminados os jogos, o Rio de Janeiro entrou num cenário de crise de violência, de problemas financeiros e de corrupção que não tem data para acabar, infelizmente.

Em menos de um mês, ocorreu uma chacina na Cidade de Deus em que 7 jovens foram executados de forma cruel, duas prisões de dois ex-governadores do Estado e o caos financeiro que levou o Governo do Rio a fazer um Projeto de Lei para reconhecer o estado de calamidade pública na administração financeira do Estado, declarado em junho, antes das Olimpíadas.

Ontem mesmo, terça-feira (07), os deputados estaduais votaram o pacote de medidas de austeridade do Governo em sessões marcadas por manifestações políticas que resultaram em violência, com 30 feridos e nove detidos.

É fato que estes problemas têm relação com o Governo do Estado, não com a Prefeitura do Rio, comandada pelo premiado Eduardo Paes. Mas, ora, esta administração estadual também é responsabilidade do PMDB que une o prefeito do Rio homenageado pela IstoÉ, com o governador, Pezão.

Então a revista ignora todas estas realidades preocupantes quando premia a gestão da cidade do Rio de Janeiro como se ela fosse tão maravilhosa quanto as paisagens da cidade.

E a vitória de Doria é uma contradição em si, pois durante toda a campanha o prefeito eleito de São Paulo fez o possível para se descolar da imagem de “político” fortalecendo a ideia de que ele é um “administrador”.

Mas ao invés de informar isso ao eleitor, ajudando-o a perceber que essa imagem era simples artifício político de marqueteiros, feita para obter votos – pois todo candidato é político e faz política, querendo ou não –  a revista preferiu ver Doria como uma “revelação” surpreendente.

Aqui temos mais um trabalho de propaganda exercida em forma de jornalismo.

Até o prêmio de Ricardo Boechat é questionável, pois, apesar de ser um profissional exemplar no setor, esse jornalista é funcionário da IstoÉ e a premiação funciona, na prática, como pura autopromoção à empresa de mídia que edita a revista.

E é por tudo isso que a revista IstoÉ fez propaganda. Não jornalismo.

Que tudo isso fique registrado nos anais da história, pois no futuro veremos reportagens e furos da IstoÉ e teremos que lembrar como essa revista se relaciona intimamente com os poderes republicanos, em detrimento de sua função principal.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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  • Renilda Santos

    A* ISTO É* BEM QUE PODERIA DIZER, DE QUEM TEMER, RECEBEU A MISSÃO DE DIRIGIR O PAÍS. A NOSSA PRESIDENTA ELEITA COM MAIS DE 45 MILHÕES DE VOTOS DIRETOS, FOI DILMA, DEPOSTA PELO VICE, TEMER, PORQUE, SEGUNDO O PRÓPRIO TEMER FALOU, QUE DILMA NÃO ACEITOU UM PROJETO SEU, CHAMADO PONTE PARA O FUTURO, COMO ELE MESMO DIZ, QUE EM CONSEQUÊNCIA DESTA NÃO ACEITAÇÃO, PREMEDITARAM O AFASTAMENTO DE DILMA QUE CULMINOU COM ELE NA PRESIDÊNCIA..

  • Renilda Santos

    COMO DÓRIA, PODE SER UMA REVELAÇÃO NA POLÍTICA, SE AINDA NÃO MOSTROU O SEU TRABALHO , AINDA ESTÁ SÓ EM PROPOSTAS.?

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