Rodrigo Maia atira na CLT e se lança à presidência da República

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Por André Henrique

Em compasso com a Rede Globo, presidente da Câmara, Rodrigo Maia, afirma que barrará vetos de Michel Temer à reforma trabalhista, aprovada no senado, terça (11).

Rodrigo Maia chutou a lata de vez e se lançou candidato indireto à presidência da República ao afirmar que derrubará vetos do presidente Michel Temer à reforma trabalhista aprovada na terça (11) no Senado.

A Câmara dos Deputados acrescentou vários pontos à reforma trabalhista, atendendo à pressão do empresariado, o Senado poderia alterar o texto, mas, com o objetivo de mostrar força política, Michel Temer pactuou com sua base política no Senado que a reforma deveria ser aprovada sem alterações.

Houve um acordo de Michel Temer com a força sindical e a UGT de que o presidente por meio de Medida Provisória (MP) abrandaria pontos polêmicos da reforma como proibir a liberação para que grávidas e lactantes trabalhem em locais insalubres e a flexibilização do imposto sindical, deixando de torná-lo obrigatório.

Mas no meio do caminho de Michel Temer existe uma pedra chamada Rodrigo Maia. O presidente da Câmara afirmou que barrará qualquer veto presidencial. A ousadia de Maia é fruto de sua aliança com a Rede Globo, noticia-se nos bastidores que o presidente da Câmara manteve conversas com executivos da emissora. O Jornal O Globo publicou editorial – cujo título é “fragilização de Temer fortalece alternativa Maia” – afirmando que flexibilizar o imposto sindical é jogar fora uma chance de moralizar a vida sindical, “tornando as agremiações de fato representativas, inclusive as patronais, sem espertalhões acostumados ao acesso fácil de dinheiro público, arrecado pelo imposto que precisa ser extinto”.

Seria legal também um editorial sobre os bilhões que o estado pagou nas últimas décadas via verbas de publicidade a grandes emissoras de televisão e a jornalões, inclusive à rede Globo e ao O Globo. Essa gente não tem moral para atacar sindicalistas, quando o assunto é mamar nas tetas do erário.

O editorial diz ainda que começa a se desenhar o afastamento de Michel Temer por 180 dias, com a posse do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e em caso de condenação do presidente no STF, Maia convocaria uma eleição indireta em 30 dias à qual ele seria o candidato à presidência da República.

De fato, o golpe dentro do golpe está arquitetado pela Rede Globo, e Rodrigo Maia é sua marionete. Fala-se, nos bastidores, que Maia trocará Henrique Meirelles por Armínio Fraga, no ministério da Fazenda – Fraga seria o ministro da Fazenda de um eventual governo Aécio Neves e foi presidente do Banco Central no governo FHC.

Ou seja, a direita liberal-financista tenta conquistar por meio de gambiarras políticas o poder que o povo lhe negou nas urnas. Isso é golpe, e o pior: em nome de interesses de classe.

Michel Temer resiste

Em ato de força e questionável, do ponto de vista legal, a executiva do PMDB fechou questão em punir com perda de mandato parlamentares que votarem pela admissibilidade da denúncia da procuradoria-geral da República contra Temer. O presidente da República tenta resistir com o peso da caneta presidencial, mantendo sua força no Congresso e no partido. A aprovação, no senado, da reforma trabalhista, sem alteração, conferiu-lhe força, mas em seu caminho tem um Maia, uma Globo, e um Janot.

O procurador fatiou o processo e outras denúncias chegarão ao parlamento, agravando a crise de legitimidade da presidência. Rodrigo Maia está de olho na cadeira de Temer.

Jornalista e formado em ciência política pela UNESP, André Henrique já atuou como docente, assessor parlamentar e consultor político, mas é no jornalismo que o sociólogo se realiza profissionalmente, especialmente na editoria de política.

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