Sem Lula e uma alternativa petista, PT deve apoiar candidato de outra sigla, diz Rui Costa, governador da Bahia

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Para o governador da Bahia, e candidato à reeleição, Rui Costa, sem Lula e uma alternativa petista, o PT deve apoiar um candidato de outra sigla, à presidência da República. O petista disse também que o partido deve esquecer o impeachment para conseguir os votos de muitos que apoiaram o afastamento de Dilma. 

Em entrevista ao UOL, o governador da Bahia, Rui Costa, fez análises políticas pragmáticas do processo político, destoando, em muitos aspectos, das narrativas beligerantes de muitos de seus colegas petistas em relação ao judiciário, mídia e setores da classe média.

Em pronunciamentos recentes, a presidenta do PT, Gleisi Hoffman, chegou a dizer que se Lula for preso, “terão [inimigos do PT] de matar gente”. Líderes petistas são veementes ao propalarem que o partido não tem plano B, e sim plano L, com Lula, até as últimas conseqüências – apesar de o ex-presidente da República ter sido condenado em segunda instância, no TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª), portanto, está inelegível pela lei de ficha limpa. O ex-presidente também pode ser preso, nos próximos dias, já que o TRF-4 o condenou a 12 anos e um mês de prisão, e os recursos do petista estão perto de se esgotar.

Para Rui Costa, é preciso o PT virar a página em relação ao processo do impeachment, “nós temos que virar a página daquele momento. Se a gente ficar remoendo o impeachment, nós não vamos nem dialogar com a sociedade”. E complementou: “inegável que milhões de pessoas foram para a rua naquele momento”

Para o governador, o PT precisa dos votos de muitos que apoiaram o impeachment, “nós queremos ou não o voto dessas pessoas para reconstruir o Brasil? Queremos. Então não adianta ficar brigando com aquele momento histórico, seus erros, seus acertos. Nós temos que dialogar com a sociedade e chamar quem quer compor o Brasil em novas bases éticas, onde a gente consiga pactuar mudanças estruturais”.

Na Bahia, o petista disse que pretende manter o PP de vice em sua chapa, em busca da reeleição. O prefeito de Salvador ACM Neto (DEM) deverá ser o adversário de Rui na disputa pelo governo da Bahia, nas eleições de 2018.

Rui Costa defende um projeto de Estado e não de governo para o Brasil. Um pacto sócio-político capaz de reunificar o país, atrair investimentos e criar bases materiais para o Brasil gerar empregos e o governo realizar as políticas e reformas necessárias para combater as desigualdades sociais.

Hoje, o governo do MDB leva a cabo um conjunto de reformas estruturais que agradam a setores do mercado financeiro, não tem apoio de parte da mídia e do empresariado, tem dificuldades de articulação com um Congresso de olho nas eleições e que já gastou muita energia depois de salvar o pescoço do presidente da República em duas oportunidades, contra denúncias da Procuradoria Geral da República, comandada por Rodrigo Janot, até setembro de 2017. O país está cindido, com o executivo e o legislativo em confronto como judiciário, isso gera clima de imprevisibilidade e prejudica a economia.

Rui Costa acerta em seu diagnóstico de que existe a necessidade de um novo pacto social e político com um projeto para o Brasil pós-Lula. Sim, a era Lula, turbinada pelo “boom das commodities”, financiou um neo-desenvolvimentismo baseado em consumo, que foi capaz de incluir socialmente milhares de brasileiros. Mas esse projeto chegou ao limite com a queda dos preços das commodities e com as crises políticas e econômicas pelas quais passa o Brasil. É preciso um novo pacto e um novo projeto.

“Quando digo reunificar não é um partido só, que todos passem a pensar da mesma forma, mas buscar negociar uma agenda comum que passe uma mensagem muito clara aos investidores”, ressalta o petista.

Rui Costa entende ser difícil Lula ser candidato e que o PT deveria deixar de marra e apoiar um candidato de outra sigla, que represente um projeto progressista. Sem citar nomes, arrematou: “mais importante que ter um nome do partido, é ter um nome que reconstrua o Brasil”.

“Não podemos ficar nessa marra de que, se não há um nome natural do PT e se o Lula não puder ser [candidato], por que não pode ser de outro partido? Acho que pode e acho que essa discussão, se ocorrer, no momento exato, nós vamos fazer esse debate, concluiu.

Íntegra da entrevista do UOL aqui

Jornalista e formado em ciência política pela UNESP, André Henrique já atuou como docente, assessor parlamentar e consultor político, mas é no jornalismo que o sociólogo se realiza profissionalmente, especialmente na editoria de política.

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