Sem saída, Geraldo Alckmin busca apoio do Michel Temer e do MDB

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Por André Henrique 

Geraldo Alckmin busca aproximação com Michel Temer, para fortalecer suas estruturas com apoio do MDB, mas terá de conviver com a sombra do governo mais impopular da história.

E a busca por coesão no eixo centrista da política segue a topo vapor.

Os encontros e desencontros não acontecem apenas na centro-esquerda, a centro-direita também bate cabeça para encontrar um caminho comum.

O governo Michel Temer bem que tentou construir uma candidatura capaz de defender o governo e, com o peso da máquina, alcançar o segundo turno, mas o empreendimento não sai do lugar.

As medidas econômicas, as reformas e a intervenção federal no Rio de Janeiro não produziram os efeitos desejados. Cresceram o desemprego, a violência e a impopularidade do governo.

Michel Temer flertou com a possibilidade de ser candidato à presidência, porém, segundo o último Datafolha ele tem 06% de aprovação e 02% nas pesquisas para presidente. Henrique Meirelles, provável candidato governista, não sai dos 01%.

Geraldo Alckmin é o nome mais bem posicionado da centro-direita liberal. Surge com 08% e precisa do MDB para ganhar tempo de televisão e principalmente palanques estaduais.

Com seis governadores, e na base de outros tantos, o MDB é o partido com mais capilaridade regional. Palanques locais significam mais prefeitos, deputados estaduais e federais, além de vereadores e suas lideranças, em campanha por um candidato. O exército nas ruas se torna maior.

Em tempo de TV Alckmin ganharia mais 1 minuto e 26 segundos, além dos 1 minuto e 18 segundos do PSDB. Há quem diga que o DEM não gostou da aproximação, mas o capital político de Rodrigo Maia e do DEM não é suficiente para o partido se cacifar e correr sozinho caso MDB e PSDB fecharem.

Mas tal operação não será fácil. Nesta quarta, para o Estadão, Henrique Meirelles disse “se é possível fazer imediatamente uma aliança com o PSDB? Certamente, não há dúvida, desde que o PSDB aceite uma candidatura à Vice-Presidência”. É do jogo os concorrentes baterem o pé que serão candidatos,  veremos na hora H. Temer não conversa com Alckmin sobre a novela das oito nem Haddad se encontra com Ciro Gomes pra baterem figurinhas.

Quanto maior o arco de alianças, mais chances Alckmin terá de atrair adesão da mídia e do mercado – que,  atualmente, olham com desconfiança para o potencial do peessedebista.

Em contrapartida, o ex-governador de SP irá se atrelar a um presidente impopular e acusado de vários crimes. Um presidente que pode sair do Planalto direto pra cadeia, depois de perder o foro, ou ser acolhido em cargos estaduais para não ser preso. Haverá um custo político, entretanto, nas atuais condições, o tucano não chegará ao segundo turno. Não há saída, Geraldo Alckmin terá de correr esse risco.

Este colunista defendeu em setembro de 2017 que, sem Lula, a conjuntura iria impor à centro-esquerda e à centro-direita a necessidade de construir alianças coesas para a disputa presidencial em 2018. O leitor leu a respeito aqui primeiro e agora a tese caiu na boca dos políticos e colunistas que flutuam dos dois lados. Não porque leram o meu texto, mas porque a realidade descrita naquele artigo – “os favoritos para 2018” – está se impondo.

Sem coesão, é grande o risco de um dos lados do centro ficar fora do segundo turno. Seria humilhante. Se acontecer, não será por falta de aviso, mas por teimosia de seus líderes.

Jornalista e formado em ciência política pela UNESP, André Henrique já atuou como docente, assessor parlamentar e consultor político, mas é no jornalismo que o sociólogo se realiza profissionalmente, especialmente na editoria de política.

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