“Somos concorrentes, mas os adversários estão do outro lado”, diz Manuela D’Ávilla

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Em encontro de pré-candidatos à presidência, em Gramado/RS, Manuela D’Ávilla postou foto ao lado de Ciro Gomes e Guilherme Boulos, pregando união e afirmando que os inimigos estão do outro lado.

Os pré-candidatos à Presidência da República, Manuela D’Ávila (PCdoB), Guilherme Boulos (PSOL) e Ciro Gomes (PDT) se encontraram na manhã desta quinta-feira (10), no Rio Grande do Sul, onde falaram sobre o cenário eleitoral e da construção de “canais de diálogo”, sem tratar de formação de alianças no primeiro turno.

“Conversei hoje pela manhã com meu amigo Ciro Gomes, que está em visita ao meu estado, Rio Grande do Sul. Tratei com ele a necessidade da manutenção dos canais de diálogo entre as candidaturas progressistas. Conversava com Lula e converso com os companheiros do PT, converso com Boulos quando o encontro”, afirma Manuela no Facebook. “Fiz a minha pregação de sempre: paciência mútua, respeito pelas candidaturas postas, concentrarmo-nos no que nos une e não nos que divide. Somos concorrentes mas os adversários estão do outro lado”.

Na semana passada, o governador do Maranhão, Flavio Dino, também do PCdoB, declarou à Folha que seu partido, o PT e o PSOL deveriam apoiar Ciro na ausência de Lula na corrida presidencial, argumentando que a multiplicidade de candidaturas ameaça o seu campo político de perder já no primeiro turno.

“Está chegando o momento de admitir uma nova agenda. Se não oferecermos uma alternativa viável, você pode perder a capacidade de atrair outros setores do centro que se guiam também pela viabilidade”, disse na sexta (4), na sede do governo.

O PCdoB é aliado tradicional do partido dos Trabalhadores.

Orlando Silva é outro filiado desta sigla que fala na construção de “pontes”.

“Ciro está fazendo boa análise do quadro político. Tem noção da gravidade da crise que o país atravessa. E que a hora é de construir pontes”, disse o deputado federal Orlando Silva (PC do B-SP).

Ciro-PT

Apesar da expectativa nos bastidores com a formação de uma chapa com o petista Fernando Haddad, Ciro Gomes acha improvável que o PT o apoie no primeiro turno.

Haddad também nega ter conversado com Ciro sobre alianças, mas defende o diálogo com o pedetista, Boulos e Manuela D’Ávila.

Em vídeo produzido para o site Nocaute, o ex-prefeito de São Paulo, que é integrante da comissão organizadora do programa de governo do ex-presidente Lula, o petista falou ao eleitorado sobre as conversas com candidatos de centro-esquerda.

“O Brasil não se esgota na eleição; primeiro que a eleição é realizada em dois turnos, então precisamos construir um programa com as bases programáticas comuns mais coincidentes possível, ou seja, se nós tivermos diretrizes estabelecidas desde já sobre como tirar o país da crise é um tanto melhor”, diz Haddad no vídeo.

Polêmicas

Na semana passada, o ex-ministro, Jaques Wagner, chegou a declarar que o PT pode ser vice de Ciro Gomes. Mas recebeu críticas e resistência em seu partido – logo recuou explicando que se referia a “uma posição antiga”.

Wagner tentará encontrar o ex-presidente Lula e fará esta explicação, sem atropelar a defesa do seu direito a disputar as eleições deste ano.

A presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), respondeu as declarações do ex-ministro.

“Mas ele não sabe que o Ciro não passa no PT nem com reza brava?”, questionou Gleisi, que reafirmou a candidatura de Lula discursando no Senado na quarta-feira (09).

Logo Ciro Gomes respondeu que tem pena da declaração de Gleisi.

“Vou ter paciência, respeito e compreendo o drama do PT. E tenho pena de uma pessoa da responsabilidade da presidente nacional do PT dizer uma coisa dessas. Para se ver como é questão de dar pena, meu partido, o PDT, portanto, eu, estou apoiando quatro dos cinco dos principais candidatos a governador do PT. Minha crença é que a população brasileira não é um eleitorado de cabresto, nem meu nem de ninguém. Eu vou tocar o meu bonde”, disse Ciro, que ampliou o diálogo com o PSB.

Jornalista e formado em ciência política pela UNESP, André Henrique já atuou como docente, assessor parlamentar e consultor político, mas é no jornalismo que o sociólogo se realiza profissionalmente, especialmente na editoria de política.

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