Temer admite que Cunha aceitou Impeachment após perder votos do PT no Conselho de Ética

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Dilma vai incluir a declaração do presidente nos autos do mandado de segurança que questiona a legalidade do processo de impeachment.

Por Rafael Bruza

O presidente Michel Temer durante entrevista ao Grupo Bandeirantes

Em entrevista a veículos do Grupo Bandeirantes feita neste sábado (15), o presidente da República, Michel Temer, falou sobre o momento em que o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, aceitou o pedido de Impeachment contra Dilma Rousseff em dezembro de 2015. Temer relata que o pedido foi aceito depois que deputados do Partido dos Trabalhadores decidiram votar contra Cunha no Conselho de Ética da Câmara, dentro do processo de cassação do ex-deputado, e sinaliza que se o PT tivesse votado a favor do ex-deputado, é “provável que a senhora presidente continuasse” no mandato.

“Até vou contar um episódio aqui, que foi o seguinte. Em uma ocasião, ele foi me procurar – e isso era umas duas horas da tarde, mais ou menos – dizendo: ‘Olha, eu hoje vou arquivar todos os pedidos de impeachment da presidente – e eram dez ou 12 pedidos –, porque prometeram-me os três votos do PT no Conselho de Ética’. Eu disse: ‘Ora, que bom. Muito bom. Assim acaba com esse história de você estar na oposição, etc. Até porque, convenhamos, eu sou o vice-presidente da República, do PMDB, e fica muito mal essa situação de você, a todo momento, estar se posicionando como oposicionista’”, contou o peemedebista, que prossegue o relato.

“Naquele dia, curiosamente, tinha uma reunião dos governadores com a então senhora presidente Dilma Rousseff. Eu fui ao Palácio da Alvorada, onde se daria a reunião, e ela estava na biblioteca. Eu fui até a biblioteca e disse: ‘Presidente, pode ficar tranquila porque o presidente (da Câmara) Eduardo Cunha me disse, agora, que vai arquivar todos os processos de impedimento’. Ela disse: ‘Ô, que coisa boa.’ Até, convenhamos, ela foi muito tranquila para a reunião com os governadores. Pois bem. No dia seguinte, eu vejo logo o noticiário dizendo que o presidente do partido – o PT, naturalmente – e os três membros do PT se insurgiam contra aquela fala e votariam contra (Cunha). Quando foi três horas da tarde, mais ou menos, ele me ligou dizendo: ‘Olha, tudo aquilo que eu disse não vale, porque agora eu vou chamar a imprensa e dar início ao processo de impedimento. Então, veja que coisa curiosa: se o PT tivesse votado nele naquela comissão de ética, é muito provável que a senhora presidente continuasse (no mandato)’”, completou  presidente, fazendo questão de ressaltar que não atuou para derrubar Dilma e negando que Cunha o tivesse feito para beneficiar o companheiro de partido.

O momento da declaração pode ser visto no vídeo abaixo, a partir do minuto 6:36

Esta é a primeira vez que Michel Temer fala abertamente sobre este fato.

Em dezembro de 2015, a imprensa divulgou a informação de que Eduardo Cunha aceitou o pedido de Impeachment de Dilma depois de o líder do PT na Câmara, Sibá Machado (AC), anunciar que os três integrantes do partido no Conselho de Ética votariam pela admissibilidade do pedido de cassação de mandato de Cunha apresentado pelo PSol, na época.

Em setembro de 2016, o processo no Conselho de Ética culminou na cassação do mandato de Eduardo Cunha e em março de 2017, o ex-deputado foi condenado a a 15 anos e quatro meses de prisão por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão fraudulenta de divisas.

Cunha está preso desde outubro de 2016.

Dilma usará declaração

A defesa da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) apresentará nesta segunda-feira (17) uma petição ao Supremo Tribunal Federal (STF) para incluir o trecho da entrevista de Michel Temer nos autos do mandado de segurança que contesta a legalidade do processo de Impeachment. A informação é do Portal UOL.

O advogado de Dilma, José Eduardo Cardozo, entende que a fala de Temer é uma “confissão” e uma “prova de que Cunha abriu o processo por vingança”.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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