Temer nomeará aliado de Cunha para articular a Reforma da Previdência

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O Governo pretende votar a proposta na semana que vem, após articulações de Carlos Marun (PMDB-  MS), que pertence à bancada ruralista e é um dos principais aliados do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha – atualmente preso em Curitiba.

Por Rafael Bruza

O deputado Carlos Marun (PMDB-MS), que é aliado de Eduardo Cunha e será nomeado ministro da Secretaria de Governo / Foto – Reprodução
(Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Nesta quinta-feira (14), o presidente da República, Michel Temer, nomerá o deputado federal Carlos Marun (PMDB-MS) como ministro da Secretaria de Governo, que cuida das articulações do Planalto no Congresso e terá a função primordial de aprovar a Reforma da Previdência na Câmara dos Deputados em 2017. Caso consigam este objetivo, o Governo espera aprovar definitivamente a reforma em fevereiro de 2018 no Senado.

Marun pertence à bancada ruralista. Presidiu a Comissão Especial da Reforma da Previdência e foi um dos principais articuladores da rejeição das duas denúncias da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Michel Temer.

Ele também é um dos principais aliados do ex-deputado e ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), atualmente preso em Curitiba (PR), além de vice-líder da bancada do PMDB na Câmara.

Como ministro, Marun se diz “muito otimista” com a votação da Reforma da Previdência.

“Eu assumo quinta-feira (14) com o objetivo de contribuir para que nós votemos na semana que vem. Sem dúvida alguma, se não conseguirmos, eu vou sentir a verdade: que nós perdemos uma batalha, mas não termos perdido a guerra”, declarou o parlamentar do PMDB ao G1 (Grupo Globo) nesta segunda-feira (11).

O deputado substituirá Antonio Imbassahy (PSDB-BA), que pediu demissão nesta sexta-feira (8).

nome de Marun para comandar a pasta era uma possibilidade que vinha sendo comentada no meio político desde novembro, quando começou a saída do PSDB da base aliada. Partidos ligados ao governo, em especial do grupo chamado de “Centrão”, intensificaram uma cobrança do Planalto pelos ministérios comandados por tucanos.

O trâmite da Reforma

A intenção do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), é de colocar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Reforma da Previdência em discussão nesta quinta-feira (14), mas deixar a votação para a próxima semana, dando mais tempo para os articuladores políticos do Planalto correrem atrás de mais votos.

Nos cálculos de Marun, o governo ainda precisará convencer entre 40 e 50 deputados indecisos ou que se posicionaram contra a reforma para colocar a PEC em votação sem riscos de ser derrotado. Para ser aprovada na Câmara, a emenda constitucional precisa do apoio de, ao menos, 308 deputados em cada um dos dois turnos.

“Eu calculo entorno de 40 ou 50 votos que nós devemos ainda buscar para chegar ao plenário com segurança. O que estamos precisando neste momento é uma onda positiva. Nós temos um crescimento constante, mas ainda não veio aquela onda”, disse.

O deputado também argumentou que a distribuição de cargos e emendas parlamentares não é “determinante” para a aprovação do projeto.

“Determinante é o pensamento do parlamentar em relação ao que vai votar, em relação à necessidade (da aprovação)”, disse. “Temos que trabalhar aqueles colegas que são membros de partidos que, a princípio, defendem a reforma […] e que hoje ainda se colocam como indecisos ou contrários”, ressaltou.

Prazos para aprovação

O Governo Temer espera aprovar a Reforma da Previdência na Câmara dos Deputados ainda este ano, a depender do apoio parlamentar a esta medida. A possibilidade de perda de votos nas eleições de 2018 aumenta a resistência parlamentar em relação a medidas impopulares como a Reforma da Previdência.

Caso o Governo consiga fazer a PEC passar na Câmara em 2018, as votações em dois turnos no Senado ficariam para fevereiro de 2018, antes do Carnaval, segundo membros do Governo como o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

O mercado financeiro, que comanda a agenda do Governo Temer no Congresso, entende que é preferível adiar a votação da Reforma da Previdência para 2018 do que o Planalto sofrer uma derrota em plenário.

Na prática, portanto, a reforma só será votada em plenário caso os 308 votos para sua aprovação estejam garantidos.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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