Janaína Paschoal explica por que recebeu R$ 45 mil do PSDB por parecer

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A transcrição e a gravação da comissão especial de Impeachment do dia 28 de abril registraram o momento em que Janaína Paschoal explica por que recebeu R$45 mil do PSDB para fazer um parecer jurídico que logo virou o pedido de Impeachment protocolado por ela e por Hélio Bicudo na Câmara dos Deputados

Informação – Rafael Bruza * Editado às 18h 26/08

A advogada Janaína Paschoal em sessão da comissão especial de Impeachment no Senado Federal no dia 28 de abril de 2016 / Foto – Reprodução (Agência Senado)
A advogada Janaína Paschoal em sessão da comissão especial de Impeachment no Senado Federal no dia 28 de abril de 2016 / Foto – Reprodução (Agência Senado)

A advogada Janaína Paschoal explicou na sessão da comissão especial de Impeachment no Senado Federal do dia 28 de abril que foi contratada pelo PSDB para elaborar um parecer jurídico que serviu de base para o pedido de Impeachment de Dilma Rousseff, protocolado por ela e pelos juristas Miguel Reale Jr. e Hélio Bicudo em setembro. Na sessão, Janaína Paschoal afirma que recolheu os devidos impostos pelo trabalho.

“Com relação ao parecer do PSDB, a imprensa noticiou, e a imprensa noticiou, porque eu falei. A imprensa não noticiou porque foi investigar. Eu falei. Aliás, quando o Dr. Hélio Bicudo aceitou iniciar esse processo comigo – se quiserem ligar para ele agora para ver se eu estou mentindo -, nós fomos almoçar num domingo, e eu disse a ele assim: ‘Dr. Hélio, o senhor precisa saber de uma coisa. Eu fui contratada pelo PSDB em maio’ – nós propusemos o processo em setembro -, ‘eu fui contratada pelo PSDB em maio, recebi R$45 mil para fazer um parecer…’. Como tudo que eu recebo, eu declarei, recolhi tributos. Então, não tenho como negar, está tudo bonitinho”, afirmou a jurista no dia 28 de abril.

A transcrição e a gravação daquela sessão registraram as explicações de Janaína Paschoal.

O PSDB contratou primeiramente Miguel Reale Jr. para elaborar o parecer. O jurista, que é filiado do PSDB e foi orientador de Janaína Paschoal no Doutorado em Direito Penal, quis ajuda da advogada nesse trabalho e enviou um e-mail a ela solicitando a assistência, segundo declara Janaína Paschoal na comissão de Impeachment de abril.

A advogada aceitou o pedido, mas decidiu cobrar pelo serviço, enquanto Miguel Reale Jr. trabalhou de graça.

“Eu fiquei numa situação dificilíssima, porque eu pensei que isso é trabalho profissional, advocatício. Eu não posso trabalhar de graça para um partido que não é meu, que eu não sei o que vai fazer com o meu parecer. Então, se eles quiserem que eu trabalhe no parecer, eles vão ter de me pagar. Eu só cobrei porque não sou do PSDB. O Dr. Miguel (filiado ao PSDB) trabalhou de graça”, afirma a advogada.

Janaína Paschoal pensou que “era caso de Impeachment”, enquanto o jurista Miguel Reale Jr. preferiu fazer uma representação por crime comum ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que “está parada, segundo declarou Janaína Paschoal em abril.

“A representação está parada. Eu fiquei numa situação difícil, porque eu vi tudo aquilo, eu acompanhei o petrolão, eu li as notícias e fui às manifestações, onde ouvi o povo dizer: ‘Ninguém faz nada!’. Aí, mandei um e-mail para o Professor Miguel quando disse que ia entrar com o Impeachmentque ele, se quisesse, poderia entrar comigo, senão eu ia arrumar alguém que entrasse. Aí, encontrei o Dr. Hélio, e nós entramos – contra o PSDB, num primeiro momento”, afirma Janaína.

A advogada termina suas declarações explicando que o PSDB “demorou” para apoiar o pedido de Impeachment.

“Nós entramos, formou-se a Frente Pró-Impeachment. O primeiro partido que nos apoiou oficialmente foi o PPS. Depois o DEM. O PSDB demorou muito para apoiar o nosso primeiro pedido. Depois, apoiou. Esse apoio foi selado pelo ingresso do Professor Miguel na denúncia. Está aí a explicação”, conclui Janaína Paschoal.

Declarações recentes

Nesta quinta-feira (25), veículos de imprensa divulgaram declaração de Janaína Paschoal em que ela nega ter recebido dinheiro do PSDB para apresentar o pedido de Impeachment.

“Não fui contratada para apresentar a denúncia. Eu gostaria de solicitar que os senadores parem de me ofender ao fazer essas ilações”, disse a advogada durante uma nova sessão da comissão especial do Impeachment.

Como revela a explicação de Janaína Paschoal recolhida pela transcrição e pela gravação da comissão especial de Impeachment do dia 28 de abril de 2016, a advogada recebeu R$ 45 mil do PSDB pela realização do parecer jurídico que mais tarde viraria o pedido de Impeachment.

O PSDB não pagou para que ela “apresentasse o a denúncia”, mas sim pela elaboração de um parecer jurídico feito em conjunto com o jurista Miguel Reale Jr.

Hélio Bicudo e Janaína Paschoal entraram com o pedido de Impeachment contra Dilma Rousseff no dia 1 de setembro de 2015.

Logo depois, o jurista Miguel Reale Jr. se incorporou à denúncia e o pedido de Impeachment foi reformulado para ser protocolado na Câmara dos Deputados no dia 17 de setembro.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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  • marcelo santos

    Você têm suas razões a história é traiçoeira e contada na maioria das vezes pelo vencedor. A Revolução Francesa é dos mais relevantes exemplos. Inspira a Constituição norte-americana e etc e tal. Mas, o detalhe, todos eles foram os próprios caercereiros e carrascos. O Marechal Deodoro sofria de depnéia, você sabe. Não gozou o poder e assumiu a eminência parda do golpe o Marechal Floriano Peixoto, o marechal de Ferro. Robespierre foi o grande timoneiro da Revolução francwsa e mandou matar vários revolucionários com a acusação de trair a revolução. Como um que é peça de filme; Danton. No entanto, não escapou da guilhotina que ele mesmo mandou construir na praça de Paris, salvo engano. Também foi decaptado. É nome de praça, citado em livros. Certamente que na Universidade da USP de direito no Largo São Francisco haverá um busto com o nome dela, de seu professor vesgo e comedor de língua; Miguel Reale Júnior.
    Você já viu no google quem é hoje Janaína Paschoal, ela é doutora, professora da USP, São Francisco e a mulher que pediu o impeachment de Dilma Vana Rousseff uma das mulheres mais temida da República do Brasil, por homens e mulheres. Congratulações e felicitações meu amigo.