‘União da esquerda depende do que acontecer com o PT’ diz cientista político

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O cientista político e professor da FESPSP, Rodrigo Gallo, comenta as possibilidades de união entre partidos de esquerda e explica as diferentes estratégias que as siglas podem seguir nas eleições de 2018.

Por Rafael Bruza – operadora de câmera – Luana Guedes

Desde o início do ano, partidos de esquerda debatem uma eventual união eleitoral entre si. O PT fechou acordo com o Partido Socialista Brasileiro (PSB), deixando Ciro Gomes isolado na disputa presidencial. Manuela D’Ávila oficializou sua candidatura pelo PCdoB, declarando, no entanto, que “segue entusiasta” de uma eventual aliança entre partidos de esquerda. E a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, disse ao presidente do PDT, Carlos Lupi, que convidaria Ciro Gomes para ser candidato à vice-presidência do partido, segundo o jornal Folha de S. Paulo.

Em paralelo a estas negociações partidárias, o cientista político e professor da Fundação Escola de Sociologia e Política do Estado de São Paulo (FESPSP), Rodrigo Gallo, explicou ao Independente por que partidos costumam lançar candidaturas próprias, sem perspectiva de vitória, e declarou que as alianças entre siglas de esquerda dependem “muito” do que acontecer com o Partido dos Trabalhadores daqui em diante.

“Tudo depende do que acontecer com o PT na convenção partidária, pois existe uma incógnita muito grande aí: o que acontece com o Lula?”, questiona Gallo. “É uma situação que beira o surreal. A despeito do que se pense do PT, temos que reconhecer que, estruturalmente e, esta sigla tem uma relevância muito grande no jogo eleitoral. Trata-se de um dos maiores partidos do Brasil, que tem importância na história política recente. Hoje, este partido tem o Lula preso; sustenta que vai manter a candidatura do ex-presidente e não sabemos o que vai acontecer a partir daí”, afirma Gallo, que continua o raciocínio durante a entrevista (veja acima na íntegra).

“Essa eventual união da esquerda, se é que vai acontecer, depende muito do que ocorrer com o PT. Numa situação hipotética, se a candidatura do Lula for confirmada, não for barrada pela Justiça Eleitoral e ele for candidato, eu até acho mais provável que alguns partidos de esquerda façam coligação com o PT. Isso maximiza a chance desse partido menor de conseguir, com a eleição do Lula, ganhar alguma coisa no momento pós-eleição, como um ministério do Governo”, afirma.

“Mas se a candidatura de Lula não vingar, por alguma razão, (a união da esquerda) vai depender do nome indicado pelo PT, se é que o PT indica alguém, pois existem pessoas no partido que dizem que sem o Lula, é melhor assumir o custo de não colocar ninguém como candidato para manter a narrativa de que foi um golpe e de que o ex-presidente é preso político”, afirma Gallo.

Ele também explica por que partidos costumam lançar candidaturas próprias, descoladas de partidos tradicionais, em eleições presidenciais.

“O partido pode não ter a intenção de eleger um presidente ou um governador ou senador. Pode eventualmente viabilizar um nome para que seja candidato a deputado federal daqui 4 anos, por exemplo. Seria usar a eleição presidencial, que chama muita atenção do eleitor, para fazer com que alguns nomes sejam lançados ao grande público”, explica. “É um pouco o que aconteceu com o Enéas. Durante muito tempo ele se lançou candidato à Presidência e obteve 1% dos votos, 1,5% não lembro exatamente. Era um numero insignificante para uma eleição presidencial. Mas quando você o converte numa eleição posterior para deputado federal, ele, por exemplo, obteve o maior número de votos. Então depende da estratégia do partido”.

“E como o partido vai decidir a estratégia? Pelo calendário eleitoral, as siglas têm até dia 5 (de agosto) para fazer as convenções e até dia 15 para registrar as candidaturas (no Tribunal Superior Eleitoral). Estamos em cima deste prazo. Vamos ver as definições de como os partidos vão se posicionar”, afirma Gallo.

Na hora de decidir entre candidatura própria ou apoio a outra sigla, os partidos avaliam duas questões.

“Vale mais a pena eu manter uma estratégia de disputar uma eleição, sabendo que vou perder, ou é melhor fazer aliança com partido grande, com chance de ser eleito, para que a partir da coligação eu consiga um Ministério? Isso faz parte do jogo eleitoral e político e estamos na semana de ver este tipo de decisão”, conclui Gallo.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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