Unicamp adota cotas raciais

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O Conselho Universitário da Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, aprovou, nesta quarta-feira (30/05), a introdução do sistema de cotas raciais em seu vestibular. As cotas serão implementadas a partir de 2019.

Do Alma Preta

O Conselho Universitário da Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, aprovou, nesta quarta-feira (30/05), a introdução do sistema de cotas raciais em seu vestibular. As cotas serão implementadas a partir de 2019.
O Conselho, conhecido como CONSU, é a mais importante esfera de decisão da universidade e reúne os diretores das faculdades da instituição.

A partir da greve realizada em 2016, três audiências públicas foram realizadas sobre o assunto, além da abertura de debate com a comunidade acadêmica liderada por um Grupo de Trabalho (GT) composto de alunos, professores e membros da Frente Pró-Cotas da UNICAMP e Núcleo de Consciência Negra da UNICAMP.

Segundo publicado no site Esquerda Diário, o GT levou ao CONSU a proposta de 50% de cotas para estudantes de escola pública, respeitando a proporção populacional por raça no estado de São Paulo: 37,2%, de cotas raciais. Além disso, o GT defendeu a adoção de reserva de vagas de 37,2% também na ampla concorrência. A proposta foi aprovada, e seguirá como meta para uma implementação progressiva da reserva de vagas.

A partir da aprovação, um novo Grupo de Trabalho Institucional deve escrever um projeto e definir um calendário para a implementação da medida. O CONSU se reunirá novamente em novembro para deliberar sobre a aprovação dessa última versão do projeto.

A votação de hoje chegou a ser transmitida ao vivo pelo site da Universidade.

Segundo relatos da reunião, a discussão foi tensa. Apesar da decisão unânime, ao longo da reunião muitos dos presentes se posicionaram contra. O debate foi longo, e teve início às 9h da manhã, tendo seu final apenas no final da tarde.

Campanha Internacional

A campanha pelas cotas na UNICAMP teve amplo apoio na internet e páginas como a da “Frente Pró-Cotas da UNICAMP” ajudaram a criar pressão sobre a votação, além da expectativa. Uma vez aprovada, a notícia foi comemorada e replicada por militantes sociais conhecidas, como Djamila e Stephanie Ribeiro.

A campanha se difundiu para além do país, e contou com o apoio do ator e ativista Danny Glover, que adicionou uma foto sua na rede social Facebook com o logo da campanha Pró-Cotas, escrevendo para seus seguidores:

Tradução: “O acesso a uma educação pública gratuita e de qualidade é um direito social garantido pela Constituição brasileira. A presença reduzida de estudantes negros e indígenas torna necessária a existência de políticas públicas legítimas que combatam privilégios e exclusões. Então, eu apoio as cotas na Unicamp, Brasil”.

USP passa a ser única universidade estadual paulista sem cotas

A UNICAMP se une à Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, a UNESP, que já tem um sistema semelhante desde 2014. O ano marca  o início da política de cotas na instituição. À época, a UNESP reservou 15% de suas vagas para alunos de escola pública, dos quais 35% são reservadas para Pretos, Pardos e Indígenas. A medida é progressiva, e a meta é que a reserva total atinja 50% das vagas em 2018.f

Desde 2004, a UNICAMP adotava um sistema de bonificação para pretos, pardos e indígenas, mas não havia reserva de vagas. O sistema anterior garantia ao auto-declarado um acréscimo de pontos para disputar a ampla concorrência.

A Universidade de São Paulo, a USP, continua não adotando o sistema. No entanto, algumas faculdades da Universidade utilizam o SISU para reserva de vagas, como noticiado pelo Alma Preta em 2016.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Formou uma parceria com um programador e lançou o Indepedente. Acredita que a mudança no mundo está dentro de cada um e trabalha para que seus leitores tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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