‘A vacina contra a corrupção passa pela Sociedade Civil’, diz ativista espanhol

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Pedro Arancón preside a Plataforma pela Honestidade na Espanha, formada por membros da sociedade civil, e relata: “quem denuncia escândalos de corrupção sofre isolamento em seus trabalhos, logo é cessado, penalizado e ameaçado”.

Por Adrián Argudo, de Madri, Espanha (tradução de Rafael Bruza, com texto em espanhol publicado mais abaixo)

O ativista espanhol, Pedro Arancón (esq.) / Foto – Reprodução

Há anos, o espanhol Pedro Arancón promove uma luta ativista e apartidária. É uma das pessoas que dá alegria de conhecer. Gente boa e que luta pelo bem comum. Pedro é presidente e membro da nobre Plataforma pela Honestidade (Plataforma X La Honestidad), que desperta consciências na Espanha e ajuda pessoas do bem em suas batalhas contra os verdadeiros delinquentes do país. Eles não vão cansar nem desistir dessa luta.

Sigo, há algum tempo, a Plataforma pela Honestidade aqui da Espanha. Compartilhei momentos com vários membros desse grupo e nos conhecemos bem. Poderiam ter escolhido um caminho fácil, baseado no silêncio e no rebanho de sono que os poderosos pretendem nos impor. Mas estas mulheres e estes homens escolheram o caminho difícil: levar dignidade a nossas instituições, a nosso entorno político-social e a nossas vidas.

Isso custa caro. Enfrentar ao poder não é brincadeira. Entretanto, apesar de terem escolhido as teias de aranha mais cruéis de trabalhar, nunca desistiram. O poder vai contra eles, mas a sociedade tem obrigação de remar na direção que eles seguem corajosamente.

Nesse sentido, nossa ajuda se torna vital e toda luta tem recompensa.

Às vezes é preciso engolir o veneno para encontrar a cura. Ana Garrido, que denunciou uma das tramais mais importantes da Espanha (o caso Gürtel), obteve vitória em sua trajetória, que é contada por Pedro ao longo de uma repousada e extensa conversa que publicamos nesta entrevista.

Obrigado, Pedro, por sua amabilidade, impenitente luta e por lançar mensagens a todos os brasileiros e brasileiras que leem o texto neste momento.

Independente – Quem é Pedro Arancón e por que ele deu este passo de ativista anti-corrupção apartidário?

Pedro – Sou um pai de família deste país (Espanha) que tem um diabinho e uma diabinha (filhos) correndo pela casa há oito anos. Por sorte, e apesar de não ser a coisa mais comum na Espanha, desde que me incorporei ao mercado laboral, há 18 anos, tenho um posto de trabalho bem estável, que não tem nada a ver com o ativismo. Uns meses antes do 15M (grandes manifestações dos “indignados da Praça do Sol”, em Madri), há uns 7 anos, senti que deveria ser mais um grão de areia para que este país fosse um pouco mais justo. A partir disso, comecei a ser “multiempregado”. De um lado, tinha meu trabalho remunerado; de outro, trabalhava como ativista apartidário e altruísta. Sou apartidário pela convicção de que a única forma de lutar contra toda corrupção, de forma efetiva, é evitando alianças com partidos. Não é habitual que membros ou simpatizantes de uma legenda política em concreto persigam a corrupção de seus próprios partidos, por exemplo. Por isso, acredito que a figura do ser apartidário é fundamental nesta luta. O caráter altruísta do meu ativismo é uma opção que compartilho com meus companheiros da Plataforma pela Honestidade, que nos caracteriza junto com o teor apartidário.

Independente – Pode nos apresentar a Plataforma pela Honestidade? Qual foi seu embrião e qual é a atividade atual?

Pedro – Há pouco mais de dois anos, vários ativistas, como eu, se uniram em torno da denunciante de Gürtel, Ana Garrido Ramos, que foi o nexo de união entre todos. Em agosto de 2015, nos reunimos em Gijón e decidimos as bases da Plataforma pela Honestidade: de um lado, demos apoio moral e econômico a Ana Garrido para que ela pudesse arcar com os gastos jurídicos que a denúncia de corrupção na prefeitura de Boadilla custou. Ela trabalhava como funcionária lá, onde o Partido Popular (o governista PP, que foi condenado na trama) governa. De outro lado, quisemos fortalecer ações legislativas contra a corrupção e a favor dos Direitos Humanos das pessoas. Meses depois, decidimos ajudar diretamente a outras pessoas que denunciaram escândalos de corrupção. Uma de nossas maiores conquistas foi o impulso dado à Lei Integral para Proteção de Denunciantes de Corrupção no Congresso dos Deputados. Desta forma, os benefícios da denúncia não valem apenas para uma ou duas pessoas que denunciam escândalos, mas sim para todos os corajosos cidadãos que tomaram ou pensam em tomar esta iniciativa… Também temos uma caixa de entrada de denúncias (“Buzón Denuncia”), de onde tentamos ajudar e orientar as pessoas que querem denunciar esquemas de corrupção. Portanto, os principais objetivos que definidos na fundação da Plataforma pela Honestidade foram cumpridos. O momento atual é de nos consolidar e continuar crescendo. Recentemente, tomamos a iniciativa de nos personificar como acusação popular no caso Nikolay, onde defendemos aos funcionários da Polícia que estão sendo perseguidos por revelar ilegalidades internas da corporação. Temos uma ação contra os perseguidores nas próximas horas: são jornalistas e comandantes da Polícia que agem juntos. Para fazer frente a eles, precisamos de ajuda cidadã. A informação para ajudar está em nosso site: https://plataformaxlahonestidad.es/

Pedro Arancón (centro), com denunciantes de corrupção

Independente – De fato, eu ia perguntar como colaborar com a iniciativa.

Pedro – Nas próximas horas vamos lançar uma captação de associados. Queremos que toda cidadania se sinta parte desse projeto. Nosso grande desafio é econômico: dependemos das doações de pessoas comprometidas com esta luta. Apesar de sermos altruístas, precisamos contratar serviços profissionais de advocacia, psicologia, etc. para poder atender as necessidades dos demais denunciantes de corrupção. Nosso alcance, ou seja, nosso raio de ação é determinado pelo número de pessoas comprometidas com esta luta. Qualquer um que puder e quiser doar, pode fazer depósitos em nossa conta geral (ES33 0128 0140 4601 0007 5955) ou nas contas de causas particulares que temos abertas. Também podem fazer doações por PayPall.

Independente – Estamos em um dos países mais corruptos do velho continente (Espanha)?

Pedro – Estamos num país em que o presidente de Governo é presidente de um partido que acaba de ser processado penalmente por corrupção. E mais grave: nenhum dos grandes meios de comunicação do país fez eco em suas manchetes ou na abertura de seus telejornais sobre estes gravíssimos fatos, algo que nos converte em um país que vê a corrupção com normalidade, graças à conveniência dos grandes meios de comunicação com este governo. Isso cria um torpedo atingindo a flutuação de nossa Democracia. Somos, sem dúvida, o país com a classe política mais corrupta da Europa, o que não quer dizer que o país em si seja corrupto. A maior parte dos cidadãos é honesta. Não tenho dúvidas disso.

Independente – Por que há tanta corrupção? O sistema piramidal é chave disto?

Pedro – Acho que a existência ou não de sistemas piramidais não tem relação com a existência de corrupção. Sou simpatizante de estruturas horizontais e organizadas, mas será que toda organização com sistema piramidal é corrupta? Tenho certeza que não. O problema é que o status quo estabelecido, onde as elites fagocitaram grande parte das instituições e formaram um emaranhado político/empresarial/jornalístico que parece mais uma rede mafiosa, do que outra coisa, e que está perfeitamente engrenado para manutenção desse status quo depois de cada processo eleitoral.

Independente – Convivemos com grandes esquemas de corrupção em nosso país: Gürtel, Púnica, ERE’s, Blaks, Noós, La Muela, os papéis de Bárcenas, Gallardón, o 3% Lezo … Está tudo podre? Existe uma vacina?

Pedro – A vacina passa, sem dúvidas, pela Sociedade Civil. O espírito do 15M deve voltar, lembrando que esse movimento foi capaz de unir pessoas de todas as orientações políticas e que nunca foi capturado por nenhuma orientação. Além disso, os valores do movimento unem quase todos os cidadãos, como a tolerância zero com a corrupção. A Sociedade Civil deve guiar e exigir a implantação de medidas contra a corrupção. Por isso, devem sentir o apoio da cidadania no cogote quando o assunto é corrupção.

Independente – Você acha que existe indignação nas ruas espanholas contra a corrupção? Acha que, em parte, há pessoas que veem a corrupção como algo habitual e inerente ao dia a dia?

Pedro – A indignação da cidadania pela corrupção é palpável. O problema é que a corrupção na Espanha foi normalizada devido a bandeiras que estão tapando tudo. É revoltante ver que os poderes fáticos estão utilizando nossas emoções para suavizar a corrupção de nossos governantes. Não podemos nos resignar nem aceitar como algo do dia a dia. Nossas próximas gerações merecem um legado moral melhor.

Independente – Neste meio de comunicação, contamos a declaração que o presidente, Mariano Rajoy, concedeu durante o verão na Audiência Nacional. Que valoração você faz das “prerrogativas” de Rajoy, como sua posição em sala ou tom de voz?

Pedro – Comecei a ver este depoimento ao vivo na TV, mas passados 5 minutos, desliguei a televisão e coloquei um tuíte que teve mais de 1.500 RT’s e dizia:

“Pergunta: você recebeu súper-salários, senhor Rajoy? O Tribunal: ‘Essa pergunta não procede’. Todos envolvidos no acordão. Desligo a TV”.

Hahaha Acho que com isto respondi sua pergunta.

Independente – Tudo foi captado. Também informamos a postura do Ministério Público espanhol na acusação contra o PP, que foi acusado de lucrar com corrupção. Além da interpretação que você faz do caso, queria saber se você acredita que Rajoy sabia de tudo?

Pedro – Se eu digo que “M. Rajoy”, que aparece nos papéis de Bárcenas, não o presidente Mariano Rajoy, segundo o próprio Rajoy, sabia de tudo, não cometo uma calúnia. Então afirmo que “M. Rajoy”, este que roubou mais de 300 mil euros do erário público em súper-salários, sabia de tudo. Groucho Marx vive, eu sei … Mas não acredito que M. Rajoy seja o único que sabe de tudo. A corrupção desse partido é claramente estrutural há muitos anos. Todos os tesoureiros estão ou estiveram envolvidos com corrupção. Esse é o modelo de organização deles.

Independente – Você analisa isso como uma possível vingança de um dos personagens do mapa da corrupção espanhola, Luis Bárcenas?

Pedro – Todo mundo sabe o que ocorre nas tramas mafiosas quando as coisas começam a ir mal. Hoje escutamos Ignácio Gonzáles chamando a Esperança Aguirre de “filha da puta”. Ambos são ex-presidentes da Comunidade de Madrid e do mesmo partido, o PP. Não podemos esquecer isso. Nas máfias, quando as coisas vão mal, os membros começam se disparar entre si. Isso é normal. Não esqueçamos que estamos falando de personagens com uma estrutura moral depreciável. Não se respeitam nem entre si.

Independente – 900 cargos do PP foram denunciados por corrupção, enquanto há gente que vive nos umbrais da pobreza. O que está acontecendo? Estamos sendo governados por uma gangue organizada?

Pedro – É pouco falar em “gangue organizada” (risos).

Independente – O que ocorre neste país aos valentes cidadãos que denunciam esquemas de corrupção?

Pedro – A perseguição aos denunciantes, alertadores e informantes de corrupção sempre segue um padrão: eles sofrem isolamento em seus postos de trabalho, logo são cessados, penalizados e ameaçados. Seus perseguidores fazem injúrias com jornalistas simpáticos e interpõem denúncias falsas na Justiça para afoga-los psicológica e economicamente. Isso se une à lentidão da Justiça e faz com que os denunciantes passem por um autêntico calvário por simplesmente prestar um grande serviço à cidadania. Isso não tem nenhum sentido num país em que os Direitos Humanos estão supostamente garantidos.

Independente – Você, como presidente, ou a Plataforma em si já receberam pressões de poderosos diretamente?

Pedro – Por sorte, ainda não. Caso essas pressões ocorram, as mostraríamos imediatamente à opinião pública.

Independente – Qual é a situação do apoio de partidos a Plataforma e o estado da Lei Integral de Luta contra a Corrupção e Proteção dos Denunciantes?

Pedro – Preferimos falar do apoio de determinadas pessoas honestas dentro de partidos do que dos partidos em si, pois o que pedimos contraria justamente a corrupção partidária. Pessoas de todos os partidos, com exceção do Partido Popular (PP), nos receberam e mostraram apoio nas reuniões que fizemos no Congresso dos Deputados, então podemos dizer que em quase todos os partidos há pessoas comprometidas com nossa causa e com vontade de mudar as coisas, coisa que é uma boa notícia.

O trâmite da Lei Integral de Proteção para os denunciantes/alertadores e informantes de corrupção que promovemos no Congresso anda devagar, apesar de estar em sua fase final de emendas. É fundamental que a lei seja aprovada na Espanha e se adeque à normativa promovida pela União Europeia, que será defendida pela Plataforma Pela Honestidade.

Independente – Para que os brasileiros saibam: estes denunciantes chegam a dormir em carros, perder trabalhos, amigos e talvez até a vida por denunciar os escândalos.

Pedro – Sim, sim. A tortura que passam é terrível. Convertem-se praticamente em empestados. É uma grande injustiça. Todos eles têm espírito de superação e quase todos são muito generosos e solidários, como os membros da Plataforma pela Honestidade, Azahara Peralta, Roberto Macías ou Maite Morao, além da co-fundadora da PLxH, Ana Garrido Ramos, cuja presença nesse projeto foi uma das chaves de avanço. Também temos funcionários da policia que revelaram bueiros de ilegalidades. São Ruben López e Martín Blas, que estão recebendo apoio jurídico nosso contra seus perseguidores. Estes são alguns nomes de heróis, mas há muitos outros. Cada vez há mais gente corajosa que se atrevem a denunciar a corrupção.

Independente – O que é Corruptil?

Pedro – Corruptil é uma associação contra a corrupção que nos apoiou na promoção da Lei de Proteção para os Denunciantes de Corrupção no Congresso e com quem estamos colaborando na organização de rodadas que serão feitas em Madri, do dia 27 a 30 de novembro, que terão participação da Ana, Roberto, Azahara e outras pessoas relevantes no mundo da luta contra a corrupção. Nestas jornadas, procuramos articulação na sociedade civil de uma Lei Integral contra a corrupção, que seja o mais transversal possível.

Independente – Suponho, Pedro, que você deve estar por dentro da atualidade brasileira e que deve saber, infelizmente, como o Brasil também tem altos níveis de corrupção.

Pedro – Sim, estou por dentro, sim, Adrián. Infelizmente, nenhum país consegue se livrar definitivamente. Desde aqui, mando um abraço a nossos parceiros brasileiros. A luta contra a corrupção não deve ser vista com bandeiras ou calores políticos.

Independente – Qual é sua opinião sobre a vitória de Ana Garrido no litígio com a Prefeitura de Boadilla?

Pedro – A vitória da Ana contra a Prefeitura de Boadilla por mobbing (uma espécie de assédio moral) é uma vitória de todos (as) e esta é a mensagem que devemos mandar aos maus: no final, a verdade aparece e os bons vencem quase sempre. O problema é que estas pessoas têm que esperar anos (10, no caso da Ana) para que a Justiça seja feita. Essa situação pode acabar com o trâmite urgente da Lei Integral de Proteção para os denunciantes/alertadores e informantes de corrupção que promovemos no Congresso, uma lei que proteja todas as pessoas que denunciem, alertem ou informem sobre corrupção.

Independente – Por último, você gostaria que um dia a Plataforma pela Honestidade deixasse de existir?

Pedro – Ainda que chegássemos a um status utópico de corrupção zero, a Plataforma pela Honestidade e outras associações contra corrupção deveriam seguir existindo para velar pela manutenção desse status e como homenagem a todos que lutaram e continuarão lutando contra a corrupção e a favor dos Direitos Humanos das pessoas.

PS: qualquer pessoa que possa e queira ajudar a causa, pode realizar um depósito em nossa conta geral: ES33 0128 0140 4601 0007 5955

Twitter: @PLxHonestidad 

Site: plataformaxlahonestidad.es

VERSÃO EM ESPANHOL

Entrevista | Pedro Arancón, Presidente de la Plataforma X La Honestidad en España

 “La vacuna contra la corrupción pasa sin duda por la Sociedad Civil. El espíritu 15M debe volver”

“Los denunciantes sufren el aislamiento en sus puestos de trabajo, luego son cesados, sancionados y amenazados”

 “Afirmo que M.Rajoy, ese que robó al erario público más de 300.000 euros en sobresueldos, lo sabía todo”

-“Estamos en un país en el que el presidente del Gobierno actual es al mismo tiempo el presidente de un partido que acaba de ser procesado por la vía Penal por corrupción”

-“Los principales objetivos que nos marcamos en el momento de la Fundación de la PLxH se han cumplido y es el momento de asentarse y seguir creciendo”

Pedro Arancón lleva ya unos años es su lucha de activista apartidista. Es uno de esos tipos a los que uno de alegra de conocer. Gente buena y que lucha por el bien común. Pedro, es además de su presidente, uno más de la noble Plataforma X La Honestidad que despiertan conciencias y ayudan a los buenos en su batalla contra verdaderos delincuentes. No se cansarán y no doblarán. Llevo desde España siguiendo ya un tiempo a la PLxHonestidad. He compartido momentos con varios de sus miembros y nos conocemos. Podrían haber optado por el camino fácil: el silencio y seguir balando en el rebaño de sueño en que nos quieren los poderosos. Pero estas mujeres y estos hombres, escogieron lo complicado: poner dignidad a nuestras instituciones, a nuestro entorno político-social, a nuestras vidas. Ello no sale gratis. Enfrentarse al poder no es ninguna tontería. Sin embargo, aunque han conocido las telarañas más crueles de dar este paso, lo volverían a hacer. Que el poder irá en su contra, pero la sociedad tenemos la obligación de remar junto a ellos. Por ahí, se antoja vital la ayuda que les podamos dar. Y toda lucha suele tener su recompensa. A veces, hay que tragar veneno para que luego todo se equilibre. Ana Garrido, denunciante de una de las tramas más importantes, Gürtel, ha obtenido su victoria, que nos valora Pedro a lo largo de una reposada y extensa conversación.

Gracias, Pedro, por tu amabilidad, impenitente pelea, y por lanzar un mensaje a los brasileros y brasileras… Conversamos con Pedro Arancón…

Pregunta: ¿Quién es Pedro Arancón y por qué da este paso de activista apartidista?

Respuesta: Soy un padre de familia más de este país que tiene un diablillo y una diablilla correteando por casa desde hace 8 años… Por suerte, y aunque no es lo más habitual en España, desde que me incorporé al mercado laboral, hace ahora 18 años, tengo un puesto de trabajo estable que no tiene nada que ver con el activismo. Unos meses antes del 15M, hace unos siete años, sentí que debía aportar mi granito de arena para que este país fuese un poco más justo. En ese momento, pasé a ser “pluriempleado”. Por una parte, mi puesto de trabajo remunerado y por otra mi trabajo como activista, apartidista y altruista. Apartidista por la convicción de que la única forma de luchar contra toda la corrupción de una forma efectiva y justa es no teniendo hipotecas con nadie. No es muy habitual que miembros o simpatizantes de un partido político en concreto persigan la corrupción de sus propios partidos, por ejemplo. Por ello creo que es fundamental que exista la figura del apartidismo en esta lucha. El carácter altruista de mi activismo es una opción que comparto con mis compañeros de la Plataforma X la Honestidad, lo cual nos caracteriza junto a nuestro carácter apartidista.

P: Preséntanos la Plataforma X la Honestidad. ¿Cuál es su germen y cuál su actividad?

 R: Hace algo más de dos años nos juntamos varios activistas cuyo nexo de unión era el apoyo moral a la denunciante de Gürtel, Ana Garrido Ramos. En agosto de 2015 nos reunimos en Gijón y acordamos las bases fundacionales de la PLxH: por una parte el apoyo moral y económico a Ana Garrido para que pudiese hacer frente a los gastos jurídicos que le ha conllevado haber denunciado la corrupción del Ayuntamiento de Boadilla, gobernado por el Partido Popular, donde trabajaba como funcionaria, y por otra parte el impulso de acciones legislativas contra la corrupción y en favor de los Derechos Humanos de las personas. Unos meses después decidimos ayudar directamente a mas denunciantes de corrupción en la medida de nuestras posibilidades, para lo cual hemos abierto varias captaciones de fondos para otros denunciantes y alertadores de corrupción. Uno de nuestros mayores logros ha sido el impulso que le hemos dado a la Ley integral para la protección de los denunciantes de corrupción en el Congreso de los diputados. De esta forma se verán beneficiados no uno, ni dos, ni tres denunciantes de corrupción sino todos los valientes que decidan dar este paso. Tenemos abierto además un “Buzón Denuncia”, desde el cual intentamos orientar y ayudar a todos los que hayan decidido dar el paso de denunciar corrupción y también a los que se lo están pensando… Por tanto, los principales objetivos que nos marcamos en el momento de la Fundación de la PLxH se han cumplido y es el momento de asentarse y seguir creciendo. Recientemente nos hemos personado como acusación popular en el caso Nikolay para defender a los funcionarios de policía que están siendo acosados por haber destapado las cloacas de interior, acosadores contra los que vamos a querellarnos en las próximas horas: periodistas y altos mandos policiales que actúan en connivencia y para lo que necesitamos de la colaboración ciudadana. La información para colaborar está en nuestra web. https://plataformaxlahonestidad.es/

P: Efectivamente, te iba a preguntar cómo se puede colaborar con ella…

 R: En las próximas semanas vamos a lanzar una captación de asociados. Queremos que toda la ciudadanía se sienta parte de este proyecto. Nuestro gran hándicap es el económico: dependemos de las aportaciones de las personas comprometidas con esta lucha. Aunque somos altruistas, necesitamos dinero para poder afrontar los gastos corrientes de la asociación y sobre todo, para contratar los servicios de profesionales: abogados, psicólogos, etc. para poder atender las necesidades de más denunciantes de corrupción. Nuestro alcance, nuestro radio de acción, lo determinará el número de personas comprometidas con esta lucha. Cualquiera que pueda y quiera aportar, puede realizar un ingreso en nuestra cuenta general: ES33 0128 0140 4601 0007 5955       o bien en las cuentas de las causas particulares que tenemos abiertas. Se pueden realizar también aportaciones a través de PayPal. Toda la información está en nuestra web. https://plataformaxlahonestidad.es/

P: ¿Estamos en uno de los países más corruptos del viejo continente?

 R: Estamos en un país en el que el presidente del Gobierno actual es al mismo tiempo el presidente de un partido que acaba de ser procesado por la vía Penal por corrupción y lo más grave: ninguno de los grandes medios de comunicación de este país se hace eco en sus portadas o en la apertura de sus informativos de estos gravísimos hechos, lo cual nos ha convertido en un país en el que se ha normalizado la corrupción gracias a la connivencia de los grandes medios con este Gobierno. Esto supone un torpedo en la línea de flotación de nuestra Democracia. Somos sin lugar a dudas el país con la clase política más corrupta de Europa, lo cual no quiere decir que seamos un país corrupto. La mayor parte de la ciudadanía es honesta, de eso no tengo ninguna duda.

P: ¿Por qué tanta corrupción? ¿El sistema piramidal es la clave de todo?

 R: Creo que la conveniencia o no de los sistemas piramidales no guarda relación con la existencia de corrupción, aunque soy más amigo de una horizontalidad organizada pero… ¿no hay organizaciones honestas con sistemas piramidales? Estoy seguro de que sí. El problema es el statu quo establecido en el que las élites han fagocitado gran parte de las instituciones y han formado un entramado político/empresarial/periodístico que se asemeja más a una red mafiosa que a otra cosa y que está perfectamente engranado para que este statu quo permanezca tras cada proceso electoral.

Tramas y más tramas de corrupción en España

P: Convivimos con grandes tramas en nuestro país, Gürtel, Púnica, EREs, Blaks, Noós, La Muela, Los papeles de Bárcenas, , Gallardón, el 3% Lezo… ¿Está todo podrido ya? ¿Hay vacuna?

R: La vacuna pasa sin duda por la Sociedad Civil. El espíritu 15M debe volver, recordando que ese movimiento fue capaz de unir a personas de todas las orientaciones políticas y que nunca debió ser patromonializado por ninguna orientación más allá de los valores que nos unen a casi todos, como es sin duda, la tolerancia cero con la corrupción. La Sociedad Civil debe guiar y exigir a los partidos políticos la implementación de medidas contra la corrupción. Esto es fundamental porque no olvidemos que en cierta forma estamos pidiendo que regulen contra ellos mismos ya que casi ningún partido está libre de casos de corrupción. Por eso deben sentir el aliento de la ciudadanía en el cogote en cuanto a materia de corrupción.

P: Esta primavera, con Lezo, se disparaba la preocupación por la corrupción en 12 puntos, según el barómetro del CIS. ¿Consideras que en la calle existe tanto cabreo? ¿Crees que, en parte, hay población que ve la corrupción como algo habitual e inherente al día a día?

¿Están tapando las banderas de las últimas fechas, unas y otras, temas tan importantes como éste?

R: El cabreo de la ciudadanía por la corrupción es palpable. El problema es que en este país se ha normalizado la corrupción debido a que las banderas lo están tapando todo. Es indignante que los poderes fácticos estén utilizando nuestras emociones para suavizar la corrupción de nuestros gobernantes. No podemos resignarnos y aceptarlo como algo del día a día. Nuestras próximas generaciones se merecen un legado moral mejor.

P: En este medio contamos la declaración de Rajoy en verano en la Audiencia (http://independente.jor.br/o-presidente-da-espanha-depos-na-justica-pela-corrupcao-em-seu-partido/). ¿Qué valoración haces de las “prerrogativas” que tuvo, tales como su posición en la sala o el tono?

R: Esa comparecencia la empecé a ver en directo por la TV pero a los 5 minutos apagué la tele y puse un tweet que tuvo más de 1.500 RTs que decía: “Pregunta: ¿Ha recibido Vd. sobresueldos, sr. Rajoy? El Tribunal: ‘No procede esa pregunta’. Todo atado. Apago TV”   https://twitter.com/Pedro_Arancon/status/890126505619140609

Jajajajaja. Creo que con esto he contestado a tu pregunta.

P: Queda totalmente captado. También hemos informado sobre la postura del Ministerio Fiscal en su acusación contra el PP por lucrarse con la corrupción (http://independente.jor.br/promotoria-da-espanha-reitera-condenacao-ao-pp-por-lucrar-com-corrupcao/) Más allá de la interpretación que nos hagas de esto, ¿Rajoy sabía todo?

R: Creo que si te digo que el M.Rajoy que aparece en los papeles de Bárcenas, ese que no es Mariano Rajoy según el propio Rajoy, lo sabía todo, no estoy incurriendo en una calumnia así que afirmo que M.Rajoy, ese que robó al erario público más de 300.000 euros en sobresueldos, lo sabía todo. Groucho Marx vive, lo sé… Pero vamos, no creo que M.Rajoy fuese el único en saberlo todo. La corrupción de este partido es claramente estructural desde hace muchos años. Todos sus tesoreros están o han estado imputados por corrupción. Es su modelo de organización.

P: ¿Lo analizas como una posible venganza de uno de los personajes de los mapas de corrupción española, Luis Bárcenas?

 R: Todos sabemos lo que sucede en las tramas mafiosas cuando las cosas empiezan a ir mal. Hoy hemos escuchado a Ignacio González llamando “hija de puta” a Esperanza Aguirre sin ir más lejos. Ambos ex presidentes de la Comunidad de Madrid y del mismo partido, no lo olvidemos. En las mafias cuando las cosas van mal comienzan a dispararse entre ellos. Es lo normal; no olvidemos que estamos hablando de personajes con una catadura moral despreciable. Ni siquiera se respetan entre ellos.

 La penosa situación de los denunciantes de corrupción

 P: 900 cargos del PP imputados por corrupción. Gente que vive en los umbrales de la pobreza. ¿Qué está ocurriendo? ¿Estamos gobernados por una banda organizada…?

 R: Con “banda organizada” creo que te quedas corto… jajajaja

P: ¿Qué ocurre en este país a los valientes denunciantes de corrupción?

 R: El acoso a los denunciantes/alertadores e informadores de corrupción sigue siempre el mismo patrón: sufren el aislamiento en sus puestos de trabajo, luego son cesados, sancionados y amenazados. Sus acosadores les injurian con periodistas afines como medio vehicular y les interponen querellas falsas para ahogarles psicológica y económicamente. Esto unido a la lentitud de la justicia hace que pasen por un auténtico calvario tras haber prestado además un gran servicio a la ciudadanía. No tiene ningún sentido en un país en el que se supone que están garantizados los Derechos Humanos de las personas.

P: ¿Tú, como presidente, has recibido presiones o la Plataforma directamente?

 R: Afortunadamente aún no. En caso de recibirlas las pondríamos inmediatamente en el dominio público.

P: ¿Cuál es la situación del apoyo de los partidos a la Plataforma y el estado de la Ley Integral de Lucha contra la Corrupción y Protección de los Denunciantes?

 R: A nosotros nos gusta más hablar de apoyo de determinadas personas honestas dentro de los partidos que de los partidos en sí ya que lo que pedimos nosotros va precisamente contra la corrupción de los partidos. Personas de todos los partidos excepto el Partido Popular nos recibieron y mostraron su apoyo en las reuniones que hemos mantenido con ellos en el Congreso de los diputados así que podemos decir que en casi todos los partidos hay personas comprometidas con nuestra causa y con ganas de cambiar las cosas, lo cual es una buena noticia.

La tramitación de la Ley integral de protección para los denunciantes/alertadores e informadores de corrupción que hemos impulsado en el Congreso va lenta aunque está en su recta final, en la fase de enmiendas. Es fundamental que la ley que se apruebe en España se adecue a la normativa que se está impulsando en la UE, por lo cual velaremos desde la PLxH.

P: Para que los brasiler@s lo sepan: estos denunciantes por el bien común, llegan a dormir en coches, perder, por supuesto trabajos, amistades… su vida…

R: Efectivamente, así es. La tortura que pasan es terrible. Se convierten en apestados prácticamente. Es una gan injusticia. Aunque también tengo que decir que todos ellos tienen un gran espíritu de superación y casi todos son muy generosos y solidarios, como los miembros de la PLxH, Azahara Peralta, Roberto Macías o Maite Morao o la cofundadora de la PLxH, Ana Garrido Ramos, cuya presencia en este proyecto ha sido una de las claves para que salga adelante o también como los funcionarios de la policía que han destapado las cloacas de interior Rubén López y Martín Blas, a quienes estamos dando soporte jurídico contra sus acosadores. Ellos son solo algunos de los nombres de estos héroes pero hay muchos, son cada vez más los valientes que se atreven a denunciar corrupción.

P: ¿Qué es Corruptil?

 R: Corruptil es una asociación contra la corrupción que nos ha apoyado en el impulso de la Ley de protección para los denunciantes de corrupción en el Congreso y con la que estamos colaborando estos días en la organización de unas jornadas que se celebrarán en Madrid del 27 al 30 de noviembre, en las cuales van a participar Ana, Roberto, Azahara y otras personas relevantes en el mundo de la lucha contra la corrupción. En estas jornadas lo que buscamos es la articulación desde la Sociedad Civil de una Ley Integral contra la corrupción, que sea lo más transversal posible.

P: Imagino, Pedro, que estarás al tanto de la actualidad brasilera y que sabrás que, desgraciadamente, es un país con un alto nivel de corrupción…

R: Estoy al tanto, sí, Adrián. De la lacra de la corrupción me temo que no nos libramos en ningún país del mundo en mayor o menor medida. Desde aquí envío un fuerte abrazo a nuestros “partners” brasileños. La lucha contra la corrupción no debe entender de banderas ni de colores políticos.

P: ¿Cuál es tu valoración de la victoria de Ana Garrido en el litigio con el Ayuntamiento de Boadilla?

 R: La victoria de Ana contra el Ayuntamiento de Boadilla por mobbing es una victoria de todos/as y este es el mensaje que debemos lanzar a los malos: al final la verdad sale a la luz y casi siempre ganan los buenos. El problema es que no es de recibo que estas personas tengan que esperar años (10 años en el caso de Ana) a que se haga justicia. Esta situación debe acabar con la tramitación urgente de la Ley Integral de protección para los denunciantes/alertadores e informadores de corrupción que hemos impulsado en el Congreso, una ley que proteja a todas las personas que denuncien/alerte o informen sobre corrupción.

P: Por último, ¿le gustaría a Pedro Arancón que un día la Plataforma X La Honestidad dejase de existir? 

 R: Aún si llegásemos a un status utópico de corrupción cero, la Plataforma X la Honestidad y otras asociaciones contra la corrupción deberían seguir existiendo para velar por el mantenimiento de ese status y como homenaje a todos los que hemos luchado y seguiremos luchando contra la corrupción y por los Derechos Humanos de las personas.

Recordatorio: Cualquiera que pueda y quiera aportar, puede realizar un ingreso en nuestra cuenta general: ES33 0128 0140 4601 0007 5955

@PLxHonestidad 

plataformaxlahonestidad.es

Formado em jornalismo e pós-graduado em Comunicação pela Universidad Carlos III de Madrid. Apresentador de televisão na Espanha e editor-chefe no jornal regional de Madri Nuevo Cronica. Correspondente do Independente na Espanha. Serviçal do jornalismo. Professor. Torcedor do Atético de Madrid.

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