Valor Econômico omite comentário de Moro sobre corrupção

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Na declaração omitida pelo jornal, Moro afirma que dinheiro de propina na Suíça “não está fazendo mal a ninguém”, ao contrário das verbas de caixa 2 eleitoral.

Análise – Por Rafael Bruza

Ilustração

O jornal Valor Econômico, do Grupo Globo, omitiu um trecho importante da declaração do juiz federal Sérgio Moro feito durante palestra em Harvard, nos Estados Unidos. A matéria que fez a distorção jornalística foi escrita por Juliano Basile e publicada no sábado (08) com o título “Para Moro, caixa 2 é pior que enriquecimento ilícito”.

Outros jornais como O Globo, o Jornal GGN e o Info Money cobriram as declarações de Moro em Harvard, mas expondo a declaração completa.

“Temos que falar a verdade, a Caixa 2 nas eleições é trapaça, é um crime contra a democracia. Me causa espécie quando alguns sugerem fazer uma distinção entre a corrupção para fins de enriquecimento ilícito e a corrupção para fins de financiamento ilícito de campanha eleitoral. Para mim a corrupção para financiamento de campanha é pior que para o enriquecimento ilícito. Se eu peguei essa propina e coloquei em uma conta na suíça, isso é um crime, mas esse dinheiro está lá, não está mais fazendo mal a ninguém naquele momento. Agora, se eu utilizo para ganhar uma eleição, para trapacear uma eleição, isso para mim é terrível. Eu não estou me referindo a nenhuma campanha eleitoral específica, estou falando em geral”, disse moro no evento.

O negrito seleciona o trecho que o Valor omitiu, como pode ser visto na notícia original (“disponível aqui”) ou no print abaixo.

Captura que mostra a frase recortada pelo Valor Econômico

O Jornal GGN inclusive colocou esta frase no título do texto que fez sobre as declarações de Moro.

Análise

Nesta declaração omitida pelo Valor, Moro minimiza os prejuízos de propina na Suíça, como se dinheiro de corrupção não fizesse “mal a ninguém naquele momento”.

Mas trata-se de uma visão equivocada do juiz, pois todo dinheiro de propina gera precarização dos serviços públicos e manutenção da alta carga tributária – que poderia ser reduzida caso o dinheiro estatal não fosse desviado através da corrupção e da sonegação fiscal.

Falando de dinheiro na Suíça, aliás, estamos diante de um crime de evasão de divisas e provavelmente sonegação fiscal, além da corrupção.

Então é uma verba ilegal que faz muito mal a toda nação brasileira, sim.

O Valor sabe disso. Por isso omitiu a declaração equivocada de Moro, evitando críticas ao juiz, em um claro sinal de protecionismo e de autocensura que cria muitas distorções na opinião pública brasileira.

Quantas omissões e manipulações os grandes jornais do país já fizeram para proteger o juiz Sérgio Moro?

A gravidade da omissão do Valor Econômico pode ser vista em memes de críticos, que destacaram justamente essa frase do juiz para ataca-lo politicamente.

Este meme, por exemplo, circulou entre internautas de esquerda esta semana.

Meme que destaca justamente a parte censurada pelo Valor Econômico / Foto – Reprodução (Facebook)

Como jornalista, recomendo que leiam veículos de direita e esquerda para formar sua opinião, pois, considerando a polarização da imprensa brasileira, vocês serão tentados a idolatrar Sérgio Moro ou Luiz Inácio Lula da Silva, assim como muitos jornalistas do país idolatram.

“Entrevista coletiva em off”

Ojornal Valor Econômico foi um dos presentes na “entrevista coletiva em off” que membros da Operação Lava a Jato fizeram à imprensa no final de março, sob condição de anonimato e sigilo, para vazar os primeiros nomes da chamada 2ª lista de Janot.

Além do Valor, Folha de S. Paulo, Estadão e O Globo tinham repórteres presentes, segundo a ombudsman da Folha, Paula Cesarino Costa, que fez a denúncia.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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